Ciclogénese explosiva forma-se no Atlântico Norte: chuva nos Açores e em Portugal continental nestas datas

O Atlântico Norte prepara-se para uma evolução meteorológica muito dinâmica. Duas depressões deverão interagir e dar origem a um sistema muito profundo. Os Açores sentirão primeiro os efeitos, mas a chuva deverá também chegar a Portugal continental.

Duas depressões deverão interagir e dar origem a um sistema muito profundo, com possibilidade de ciclogénese explosiva. Apesar de o seu núcleo permanecer longe de Portugal, os efeitos associados serão sentidos nos Açores e, posteriormente, no continente.

Domingo e segunda-feira (27 e 28) a primeira depressão atravessa os Açores

A sequência começa no domingo, dia 27, com a aproximação de uma depressão atlântica aos Açores. Trata-se inicialmente de uma depressão típica das latitudes médias, mas que terá um papel importante na evolução sinóptica dos dias seguintes.

Uma depressão aproxima-se dos Açores e começa a alterar o estado do tempo no arquipélago. A passagem do sistema favorecerá o aumento da nebulosidade, do vento e da precipitação.
Uma depressão aproxima-se dos Açores e começa a alterar o estado do tempo no arquipélago. A passagem do sistema favorecerá o aumento da nebulosidade, do vento e da precipitação.

A passagem deste sistema deverá provocar um aumento da nebulosidade, precipitação e intensidade do vento no arquipélago, com um agravamento mais evidente entre domingo e segunda-feira.

Na segunda-feira, dia 28, a chuva poderá ganhar expressão, sobretudo no Grupo Central, onde pontualmente os acumulados horários poderão superar os 6 mm. O vento também será um elemento a acompanhar, especialmente após a passagem do núcleo depressionário, com rajadas que poderão aproximar-se dos 70 km/h.

Depois da passagem do núcleo depressionário, o vento intensifica-se nos Açores. As rajadas poderão aproximar-se dos 70 km/h, enquanto a depressão prossegue a sua deslocação pelo Atlântico Norte.
Depois da passagem do núcleo depressionário, o vento intensifica-se nos Açores. As rajadas poderão aproximar-se dos 70 km/h, enquanto a depressão prossegue a sua deslocação pelo Atlântico Norte.

Entretanto, a depressão continuará a deslocar-se para nordeste, entrando numa região do Atlântico onde encontrará outro núcleo de baixas pressões.

Terça-feira: duas depressões interagem no Atlântico Norte

É durante a madrugada de terça-feira, dia 29, que a configuração atmosférica se torna particularmente interessante. A depressão que anteriormente atravessou a região dos Açores deverá aproximar-se de outro centro depressionário já bastante organizado, iniciando uma interação entre os dois vórtices.

Duas depressões bem organizadas aproximam-se no Atlântico Norte e começam a interagir. Esta configuração poderá desencadear um efeito Fujiwhara, com os dois vórtices a influenciarem mutuamente as respetivas trajetórias.
Duas depressões bem organizadas aproximam-se no Atlântico Norte e começam a interagir. Esta configuração poderá desencadear um efeito Fujiwhara, com os dois vórtices a influenciarem mutuamente as respetivas trajetórias.

Neste contexto poderá ocorrer o chamado efeito Fujiwhara. Este fenómeno verifica-se quando dois vórtices ciclónicos suficientemente próximos começam a influenciar mutuamente as suas circulações, passando a rodar em torno de um centro comum. A intensidade e dimensão de cada depressão, bem como a distância entre ambas, determinam a evolução posterior.

No efeito Fujiwhara, os dois centros de baixas pressões podem alterar mutuamente as suas trajetórias. Quando um sistema é dominante, pode acabar por absorver o outro, dando origem a uma única circulação depressionária mais ampla e organizada.

Neste caso, os modelos sugerem uma rápida reorganização dos dois sistemas. Poucas horas depois, já durante o dia 29, poderá observar-se uma única e muito profunda depressão no Atlântico Norte, com pressão mínima no seu núcleo a rondar os 952 hPa.

Poucas horas depois, observa-se uma poderosa depressão no Atlântico Norte, com cerca de 952 hPa no núcleo. Apesar de permanecer longe de Portugal, uma extensa frente associada ao sistema deverá alcançar o continente e trazer períodos de chuva.
Poucas horas depois, observa-se uma poderosa depressão no Atlântico Norte, com cerca de 952 hPa no núcleo. Apesar de permanecer longe de Portugal, uma extensa frente associada ao sistema deverá alcançar o continente e trazer períodos de chuva.

Este aprofundamento muito rápido poderá enquadrar-se num processo de ciclogénese explosiva, termo utilizado quando uma depressão extratropical sofre uma queda muito acentuada da pressão atmosférica num curto intervalo de tempo. O limiar exato depende da latitude, não correspondendo simplesmente a uma regra fixa de 24 hPa em 24 horas.

O núcleo ficará longe, mas uma frente deverá alcançar Portugal

Importa salientar que o centro desta poderosa depressão deverá permanecer muito afastado de Portugal continental. Assim, não será necessária a passagem do núcleo sobre o país para que existam consequências no estado do tempo.

A extensa circulação associada à depressão deverá sustentar um sistema frontal que se prolongará por milhares de quilómetros sobre o Atlântico. Durante a tarde de terça-feira, dia 29, uma frente fria organizada deverá aproximar-se da costa portuguesa e atravessar progressivamente o território, trazendo períodos de chuva a várias regiões do continente.

A extensa frente associada à depressão deverá prolongar-se para sul, podendo alcançar o arquipélago da Madeira durante a madrugada de dia 30, com períodos de precipitação.
A extensa frente associada à depressão deverá prolongar-se para sul, podendo alcançar o arquipélago da Madeira durante a madrugada de dia 30, com períodos de precipitação.

A mesma estrutura frontal poderá prolongar-se suficientemente para sul para atingir também o arquipélago da Madeira já durante a madrugada de dia 30, embora esta evolução ainda apresente incerteza.

A instabilidade poderá prolongar-se até 1 de outubro

Após a passagem desta primeira frente, uma segunda frente, previsivelmente mais fraca, poderá aproximar-se do continente. Neste caso, os efeitos deverão concentrar-se sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde poderão ocorrer novos períodos de precipitação.

Desta forma, entre 29 de setembro e 1 de outubro, Portugal poderá entrar num padrão bastante mais atlântico e instável, contrastando com o tempo quente e seco observado anteriormente.

Contudo, estamos perante uma evolução ainda a médio prazo. A trajetória e o grau de aprofundamento da depressão, assim como o posicionamento e a hora de chegada das frentes a Portugal, poderão sofrer alterações nas próximas atualizações dos modelos.