Calor ganha força nos próximos dias, mas a atmosfera prepara uma reviravolta em Portugal a partir de sexta, 24 de julho

O estado do tempo em Portugal continental estará à mercê da interação entre uma bolsa de ar frio e as altas pressões, gerando-se um alto e baixo das temperaturas e até mesmo o possível regresso da chuva. Saiba quando e onde.
Entre hoje (20) e quinta-feira, 23 de julho, o estado do tempo em Portugal continental será caracterizado por céu geralmente pouco nublado ou limpo, apesar de períodos de maior nebulosidade durante a manhã em grande parte da faixa costeira ocidental e ocasionalmente em algumas zonas do interior.
A precipitação estará praticamente ausente, predominando um tempo estável, seco e maioritariamente soalheiro. Ainda assim, apesar do domínio anticiclónico, não se exclui a possibilidade de ocorrência de chuviscos fracos e dispersos em pontos isolados da faixa costeira ocidental e em algumas áreas montanhosas da Região Norte.
Neste período o vento soprará predominantemente do quadrante oeste, embora nas terras altas da Região Norte possa pontualmente soprar de es-nordeste. Quanto à tendência das temperaturas, prevê-se uma subida gradual e consecutiva dos valores das máximas de norte a sul, sendo mais expressivo nas regiões do interior.

O período mais quente ocorrerá entre os dias 22 e 23 de julho, quando são expectáveis temperaturas máximas entre 35 e 39 ºC em diversas zonas do interior e Região Sul, tais como os vales do Douro, Tua e Sabor, Beira Baixa, Alentejo e Sotavento Algarvio. Espera-se que na quinta-feira (23) as temperaturas já comecem a descer ligeiramente em algumas áreas do país, tanto no litoral, como no interior.
Bolsa fria “estacionada” a noroeste da Península Ibérica condiciona a evolução do tempo em Portugal esta semana
O atual panorama meteorológico vai resultando da influência de uma crista anticiclónica atlântica, associada a uma região de altas pressões centrada a oeste da Irlanda e estendida de norte para sul sobre o Atlântico Nordeste. Todavia, este padrão não impedirá a permanência de uma depressão isolada em altitude (gota fria) a noroeste da Península Ibérica, posicionada entre a referida crista atlântica e a crista subtropical responsável pelo transporte de ar quente para o Mediterrâneo.
Ao longo da semana, e de forma mais evidente a partir de sexta-feira, 24 de julho, os mapas de referência da Meteored antecipam uma descida gradual em latitude da corrente de jato polar, o que forçará igualmente a deslocação da crista atlântica para sul.

A bolsa de ar frio localizada a noroeste da Península Ibérica irá originar dois cenários meteorológicos muito distintos. Na metade ocidental da Península, onde se insere Portugal continental, irá contribuir para que sejam registadas temperaturas relativamente amenas para a atual época do ano, apesar da subida gradual térmica entre segunda (20) e quarta-feira (22), tal como referido anteriormente.
Ao mesmo tempo, a interação entre essa bolsa de ar frio e a crista subtropical estabelecerá um campo de pressão e vento que promoverá o transporte de ar muito quente e seco do Norte de África para o centro e leste da Península Ibérica. Isto fará com que uma grande parte de Espanha volte a estar exposta a uma onda de calor intensa, com temperaturas máximas até 45 ºC, podendo este valor ser superado localmente.
Descida generalizada da temperatura e chuva à vista a partir de sexta-feira 24, eis a previsão dos nossos mapas
Como referido anteriormente pela Meteored Portugal, é na sexta-feira (24) que se prevê uma mudança mais significativa do estado do tempo em Portugal continental. A deslocação do jato polar para sul conduzirá também à descida em latitude da crista atlântica. Deste modo, a bolsa fria isolada em altitude, até então quase estacionária a noroeste da Península Ibérica, deverá deslocar-se para leste, atravessando o norte da Península Ibérica e produzindo linhas de instabilidade responsáveis por gerar precipitação.

Prevê-se que a chuva se concentre, grosso modo, nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, abrangendo os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e parcialmente Lisboa, bem como os setores ocidentais de Vila Real e Viseu. A precipitação dificilmente se estenderá para regiões mais a leste ou a sul graças ao efeito de barreira exercido pelo relevo montanhoso do sistema Montejunto-Estrela.
Segundo a previsão atual, os acumulados de precipitação serão relativamente escassos, mas, mesmo assim, significativos para a época do ano. Em apenas dois dias - sexta-feira e sábado, dias 24 e 25 de julho - e em plena canícula (o período mais quente e seco do ano de acordo com a Climatologia) poderão registar-se acumulados entre 1 e 5 mm em várias zonas da Região Centro e do litoral Oeste, e entre 2 e 15 mm na metade ocidental da Região Norte, destacando-se sobretudo as serras do Alto Minho, onde, de momento, o modelo ECMWF perspetiva os valores mais elevados de chuva acumulada.
Por último, saliente-se que, como já é habitual quando se formam bolsas de ar frio isoladas em altitude, existe alguma incerteza relativamente à posição final da mesma, pelo que pequenas alterações na sua trajetória podem interferir decisivamente na distribuição e intensidade das massas de ar e em variáveis como a temperatura do ar e a precipitação, fazendo com que a previsão atualmente existente esteja à mercê de ajustes.