Reservas das barragens descem para 77% em agosto: apenas duas bacias estão abaixo da média
As reservas de água voltaram a diminuir durante agosto em Portugal continental, mas a situação mantém-se favorável na maioria das bacias hidrográficas, com apenas duas a registarem níveis inferiores às respetivas médias históricas mensais.

As reservas de água nas barragens de Portugal continental continuaram a descer em agosto. No final do mês, o volume armazenado era de 10 241 hm³, o equivalente a cerca de 77% da capacidade total monitorizada, de 13 238 hm³.

Em apenas um mês, as albufeiras perderam aproximadamente 521 hm³ de água, já que no final de julho o armazenamento se situava nos 82%. Segundo o boletim mensal do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), a redução foi transversal a todas as bacias hidrográficas monitorizadas.
Lima e Mondego permanecem abaixo da média
Apesar desta descida, os níveis mantêm-se acima do habitual em grande parte do território. Das bacias analisadas, apenas Lima e Mondego terminaram agosto abaixo das respetivas médias históricas para este mês, calculadas para o período entre 1990/91 e 2024/25.
Entre as bacias abaixo da média, o maior desvio registava-se no Lima, onde as reservas desceram para 49,6%, perante uma média de 59,6%. No Mondego, o armazenamento fixou-se em 63,1%, também abaixo dos 68% habituais. Em contraste, o Mira apresentava 92,6%, enquanto Guadiana e Barlavento mantinham 81,9% e 81,6%, respetivamente.

Entre as 60 albufeiras consideradas no boletim mensal, 14 conservavam mais de 80% da capacidade. Apenas duas estavam abaixo dos 40%: Fronhas, na bacia do Mondego, com 33,2%, e Vigia, na bacia do Guadiana, com 38,8%.
Julho extremamente seco antecedeu nova descida das reservas
A descida das reservas em agosto foi antecedida por julho marcado por uma acentuada escassez de precipitação. Julho foi classificado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) como extremamente seco, com apenas 0,8 mm de precipitação média em Portugal continental, menos de 8% do valor normal de 1991-2020. Foi o oitavo julho mais seco desde 1931 e o mais seco desde 2000.

A ausência de precipitação foi expressiva: 48% das estações não registaram chuva durante todo o mês. Na maioria das restantes, os valores ficaram abaixo de 30% da média, sendo Sagres e Pegões as únicas exceções.
Em julho, o contraste regional foi evidente: a precipitação correspondeu a apenas 5% do valor médio no Norte e a 16% no Sul, prolongando um verão com totais mensais inferiores aos valores climatológicos de referência.
Ainda assim, a escassez de chuva dos últimos meses contrasta com o acumulado do ano hidrológico. Entre 1 de outubro de 2025 e 31 de julho de 2026 registaram-se 1048,8 mm, correspondentes a 137% do normal. Até essa data, 2025/26 era o segundo ano hidrológico mais chuvoso desde 2000, com acumulados acima da média em todo o território continental.