Bolsa fria marca o tempo em Portugal até 26 de julho: subida temporária das temperaturas e possível regresso da chuva

Uma bolsa de ar frio isolada em altitude vai condicionar o estado do tempo em Portugal continental até ao próximo fim de semana. Há um breve período de tempo quente à vista, não se excluindo um possível regresso da chuva.
Ocorreu há algumas horas a formação de uma depressão isolada em altitude, também conhecida, simplesmente, como gota fria. Situada a noroeste da Península Ibérica, este sistema deverá condicionar o estado do tempo em Portugal ao longo de praticamente toda a semana de 20 a 26 de julho. Este tipo de baixa pressão forma-se no momento em que uma bolsa de ar frio se separa da circulação principal do jato polar, ficando isolada e deslocando-se de forma relativamente lenta.
Embora não afete diretamente o país, importa compreender como é que este sistema de baixas pressões irá influenciar a evolução das temperaturas, repetindo um padrão atmosférico que tem sido constante este verão, quase como se a atmosfera estivesse “viciada”: uma depressão isolada em altitude localizada a noroeste da Península Ibérica a interagir com uma crista subtropical (zona de altas pressões) favorece o impulsionamento de ar quente do Norte de África para o Mediterrâneo.

Deste modo, Portugal continental tem escapado quase sempre ao calor intenso deste verão, sobretudo o litoral, não sendo fortemente condicionado pelas temperaturas extremamente elevadas que tem surgido na Europa Ocidental, em países como Espanha e França, entre outros.
Evolução das temperaturas entre hoje e terça-feira, dia 21
Entre domingo (19) e segunda-feira (20) as regiões do interior vão continuar a registar temperaturas enquadradas dentro da normal climatológica de referência para a época estival, a oscilar entre 28 e 35 ºC, ao passo que o efeito moderador da proximidade ao oceano Atlântico será bastante mais evidente nas regiões do litoral, com valores significativamente mais amenos, entre 21 e 27 ºC.
Para terça-feira (21) já é expectável uma recuperação térmica mais evidente em termos de área geográfica abrangida, inclusive nas regiões do litoral. Cidades como Porto, Aveiro e Leiria deverão atingir um valor de temperatura máxima igual ou superior a 25 ºC, superando de forma clara o registo dos dias anteriores.

É precisamente na terça-feira (21) que a bolsa de ar frio iniciará a primeira fase de um ligeiro desvio para noroeste. A trajetória retrógrada que o modelo de previsão atualmente sugere (de leste para oeste), será favorável, de forma gradual ao longo da semana, a uma deslocação ligeiramente mais para oeste da massa de ar quente e seco proveniente do Norte de África e do interior da Península Ibérica.
Em resultado disto, prevê-se uma subida temporária das temperaturas máximas para valores mais elevados, mais expressiva no interior de Portugal continental e pouco significativa no litoral.
Poderá desenrolar-se um breve período de tempo quente entre 22 e 23 de julho, mas restrito a estas zonas do país
De acordo com a mais recente atualização dos mapas de referência da Meteored, baseados no modelo ECMWF, constata-se que entre quarta e quinta-feira, dias 22 e 23 de julho, o núcleo da gota fria continuará presente a oes-noroeste da Península Ibérica, embora ligeiramente mais deslocado para noroeste relativamente aos dias anteriores, evidenciando-se uma trajetória retrógrada.
Esta configuração atmosférica fará com que a massa de ar quente e seco associada à crista subtropical sofra um pequeno desvio para oeste no interior da Península Ibérica, passando também a afetar de forma mais direta a metade oriental de Portugal continental (ou seja, as regiões do interior), que registarão uma subida mais pronunciada das temperaturas máximas neste breve período de 2 dias, com máximas entre 31 e 39 ºC, de acordo com a última atualização dos modelos.

O calor mais intenso, com máximas entre 35 e 39 ºC, ficará contido somente as locais que se preveem mais quentes nos dias 22 e 23 de julho, tais como: vales do Douro, Tua e Sabor e grande parte do Nordeste Transmontano; algumas áreas da Beira Baixa e do Alentejo e ainda o Sotavento Algarvio.
Embora ainda faltem alguns dias, é bem possível que o IPMA venha a emitir avisos meteorológicos de nível amarelo ou laranja para alguns distritos do interior de Portugal continental, devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima, mesmo que apenas durante 2 dias.
Não obstante, mesmo que tal venha a acontecer, os valores previstos para este curto episódio de tempo quente, a duração, a intensidade e a extensão espacial não encaixam nos critérios habitualmente utilizados para classificar este tipo de situação como uma onda de calor.
A partir de 24 de julho as temperaturas descem e existe possibilidade para o regresso da chuva
Apesar da incerteza elevada inerente a previsões com prazo superior a 3 ou 4 dias, neste momento o modelo de confiança da Meteored prevê que, na reta final da próxima semana, entre sexta (24) e sábado (25), a depressão isolada em altitude abandone gradualmente o seu movimento retrógrado, retomando uma trajetória normal (ou seja, de oeste para leste), devendo atravessar o noroeste da Península Ibérica e permitindo a entrada de uma massa de ar mais fresca em Portugal continental.

Este ar com origem tropical marítima, mais fresco e procedente do Atlântico, interagirá novamente com a região de altas pressões (crista subtropical), com o ar quente a deslocar-se para leste para outras zonas do Mediterrâneo ainda mais distantes de nós. Isto fará com que o ar mais fresco entre de forma mais direta no nosso país, produzindo uma descida das temperaturas para valores dentro ou abaixo da média climatológica de referência no último fim de semana de julho.

Além disto, caso as atuais previsões se concretizem, poderá chover neste período sob a forma de aguaceiros ou períodos de chuva fraca, grosso modo, nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela (Norte e Centro), podendo eventualmente chegar até mais a sul à Área Metropolitana de Lisboa, especialmente no sábado, 25 de julho.
Importa, contudo, esclarecer que a posição exata da gota fria continua a apresentar alguma incerteza. Pequenas alterações na sua trajetória poderão modificar a distribuição da instabilidade e a variação das temperaturas, pelo que aqui na Meteored Portugal continuaremos a monitorizar atentamente a evolução desta situação atmosférica e a informá-lo detalhadamente de todas as atualizações dos modelos meteorológicos.