Gota fria a noroeste de Portugal deverá persistir até 25 de julho: saiba como poderá afetar o tempo no nosso país

Uma depressão isolada em altitude, conhecida por gota fria, formou-se a noroeste da Península Ibérica e poderá condicionar o estado do tempo em Portugal até, pelo menos, 25 de julho.
Uma depressão isolada em altitude, vulgarmente conhecida por gota fria, formou-se este sábado (18) a noroeste da Península Ibérica e deverá condicionar o estado do tempo em Portugal durante praticamente toda a próxima semana.
Embora não se trate de uma situação de instabilidade severa, o sistema poderá influenciar as temperaturas, provocar alguma trovoada localizada e manter uma circulação atmosférica pouco habitual para esta época do ano.
Uma gota fria instalou-se a noroeste da Península Ibérica
Desde este sábado, 18 de julho, os modelos meteorológicos mostram a formação de uma depressão isolada em altitude sobre o Atlântico, a noroeste da Península Ibérica. Este tipo de sistema forma-se quando uma bolsa de ar frio, se separa da circulação principal do jato polar, ficando isolada e deslocando-se lentamente.
Ao contrário das depressões atlânticas clássicas, uma gota fria pode permanecer praticamente estacionária durante vários dias, tornando a previsão da sua trajetória mais difícil. Pequenos desvios na posição do seu núcleo são suficientes para alterar significativamente os seus efeitos à superfície.
Entre domingo e segunda-feira: litoral mais fresco, interior continua quente
Apesar da proximidade desta circulação fria, o calor não desaparecerá de Portugal continental. Entre domingo (19) e segunda-feira (20), o interior continuará a registar temperaturas tipicamente estivais, frequentemente entre os 30 e 35 ºC, enquanto a influência marítima será bastante mais evidente ao longo da fachada atlântica.
A circulação ciclónica associada à depressão favorecerá a entrada de ar mais fresco sobre o litoral Norte, Centro e região de Lisboa, onde as temperaturas máximas dificilmente deverão ultrapassar os 25 ºC. Assim, manter-se-á um contraste marcado entre o litoral, mais fresco, e o interior, mais quente.
Instabilidade localizada poderá originar algumas trovoadas
Além da descida das temperaturas junto à costa, o ar frio em altitude poderá favorecer alguma instabilidade durante as tardes, sobretudo no interior Norte.

Segundo a previsão atual da Meteored Portugal, durante a tarde de domingo poderão desenvolver-se células convectivas muito localizadas nas regiões de Mourão, Lousã, Chaves, e áreas envolventes. Ainda assim, trata-se de uma situação de fraca intensidade, com uma densidade muito reduzida de descargas elétricas, em muitos casos, poderá ocorrer apenas um raio por hora ou menos.
A depressão poderá persistir até ao final da próxima semana
Os modelos continuam a indicar que esta depressão isolada permanecerá ativa durante vários dias. O mapa de geopotencial aos 700 hPa (cerca de 3000 metros de altitude) mostra que, a 22 de julho, o núcleo da gota fria continuará presente a oeste da Península Ibérica, embora ligeiramente mais deslocado para oeste relativamente aos dias anteriores.
As previsões mais recentes sugerem que o sistema apenas começará a atravessar o norte da Península Ibérica entre 24 e 25 de julho, deslocando-se depois para leste.

Esta evolução permitirá a contínua entrada de uma massa de ar relativamente mais fresca sobre Portugal continental, favorecendo uma descida mais evidente das temperaturas nas regiões Norte e Centro. Nas serras mais elevadas destas regiões, as temperaturas ao início da tarde poderão mesmo permanecer abaixo dos 20 ºC.
Apesar desta tendência, importa recordar que a posição exata da gota fria continua a apresentar alguma incerteza. Pequenas alterações na sua trajetória poderão modificar a distribuição da instabilidade e da intensidade da descida das temperaturas, pelo que será importante acompanhar as próximas atualizações dos modelos meteorológicos.