Ar polar marítimo e chuva fraca de “pouca dura”: domingo, 26 de julho, com intensificação do calor e máximas até 37 ºC
Aos dois dias geralmente mais frescos do que o normal para a época do ano e caracterizados pela ocorrência de chuva fraca nalgumas regiões, seguir-se-á um domingo (26) marcado pela intensificação do calor em Portugal continental, com temperaturas máximas até 37 ºC.

Após vários dias praticamente estacionária a noroeste da Galiza, uma bolsa de ar frio isolada em altitude irá deslocar-se gradualmente para leste nas próximas horas. À medida que for atravessando o norte da Península Ibérica durante o dia de amanhã - sexta-feira, 24 de julho -, provocará uma descida significativa das temperaturas e alguma chuva em Portugal continental. Estes efeitos serão mais evidentes entre sexta-feira (24) e sábado (25).
Para domingo (26) prevê-se uma subida das temperaturas máximas, tanto no litoral como no interior, estando previstos até 37 ºC de temperatura máxima em localidades do vale do Guadiana e Sotavento Algarvio, tais como Mértola e Alcoutim.
Frescura e precipitação escassa serão temporárias
Hoje - quinta-feira (23) - prevê-se uma descida das temperaturas mas somente nalgumas regiões, sendo sexta-feira (24) e sábado (25), os dias em que a entrada de ar de origem polar marítimo será mais evidente, proporcionando um ambiente consideravelmente mais fresco.

Confirmando as previsões avançadas com bastante antecedência pela Meteored Portugal (a primeira há mais de 5 dias), os mapas continuam a prever que a passagem da bolsa de ar frio gere alguma precipitação amanhã e no sábado, dias 24 e 25 de julho. Espera-se que a chuva se concentre sobretudo nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela. Mesmo assim, tudo indica que será um episódio com precipitação escassa.
De acordo com os mapas de referência da Meteored, a chuva, que será geralmente fraca e irregular, distribuir-se-á pelos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e partes do de Lisboa, bem como em alguns setores de Vila Real, Viseu e muito ocasionalmente noutros pontos do interior Norte e Centro. Graças ao efeito de barreira imposto pelo relevo montanhoso do sistema Montejunto-Estrela, será pouco provável que a precipitação alcance as regiões mais a leste e mais a sul.

Os cenários atualmente perspetivados pelos modelos sugerem acumulados a variar entre 1 e 11 mm ao longo de 48 horas, valores que são reduzidos, mas relativamente relevantes tendo em conta que climatologicamente estamos na canícula, o período estatisticamente mais quente e seco do ano.
A Região de Aveiro continua a destacar-se como a zona onde poderá chover mais, com acumulados até 11 mm. Porém, devido à evolução frequentemente difícil de antecipar deste tipo de sistemas de baixas pressões e à incerteza inerente às previsões, a distribuição da precipitação poderá ainda sofrer alguns ajustes até ao início do episódio.
Domingo 26 marca uma viragem no tempo, com subida generalizada das temperaturas máximas à vista
Tudo indica que o estado do tempo voltará a mudar a partir de domingo (26), estando à vista uma subida das temperaturas máximas em quase todo o território de Portugal continental, ligeira na maioria das regiões, mas mais acentuada em algumas zonas do interior.
Tal como se observa na tabela abaixo, tanto o litoral como o interior, aqui representados por algumas capitais de distrito, vão registar um aumento das máximas, com este dia a representar o início de um possível novo episódio de tempo quente.
| Cidade | Temperatura máxima Sábado, 25 de julho | Temperatura máxima Domingo, 26 de julho |
|---|---|---|
| Braga | 30 ºC | 32 ºC |
| Porto | 24 ºC | 26 ºC |
| Leiria | 25 ºC | 27 ºC |
| Lisboa | 28 ºC | 29 ºC |
| Faro | 32 ºC | 30 ºC |
| Bragança | 29 ºC | 31 ºC |
| Viseu | 26 ºC | 32 ºC |
| Castelo Branco | 29 ºC | 34 ºC |
| Coimbra | 27 ºC | 30 ºC |
| Évora | 31 ºC | 35 ºC |
| Fonte: Mapas da Meteored e IPMA | ||
Em contraste com os dois dias anteriores, em que haverá nebulosidade e até alguma precipitação, o céu pouco nublado ou limpo será dominante em Portugal continental no domingo (26).
A ausência de nebulosidade permitirá uma maior insolação e, consequentemente, um aquecimento mais eficiente da superfície. A isto juntam-se a subsidência associada ao anticiclone e a entrada mais expressiva de ar quente e seco procedente do Norte de África e do interior da Península Ibérica, transportado por uma crista subtropical com fluxo de sul/sudeste.
Acrescente-se ainda que, localmente, o efeito de encaixe do relevo afunilado de vales fluviais como os do Douro, Tejo e Guadiana permitirá uma maior acumulação do calor diurno, favorecendo temperaturas ainda mais elevadas nas localidades aí inseridas e adjacentes.

Assim, não é de surpreender que esteja prevista uma subida generalizada das temperaturas máximas no nosso país, com os valores mais elevados previstos para vales do Douro, Tejo e Guadiana, Beira Baixa, Alentejo e Sotavento Algarvio (entre 31 e 37 ºC).
Segundo o modelo de confiança da Meteored - o ECMWF - Mértola e Alcoutim, destacam-se, para já, como as localidades com maior probabilidade de registar as temperaturas mais elevadas. Por outro lado, algumas zonas do Algarve, como por exemplo a cidade de Faro, poderão apresentar uma ligeira descida das temperaturas máximas.
Por fim, importa esclarecer que, embora se preveja uma intensificação do calor nos primeiros dias da última semana de julho, sobretudo na segunda-feira (27), a previsão continua a apresentar algum grau de incerteza quanto à duração e à intensidade deste eventual episódio.
Aliás, a distribuição e a maior ou menor intensidade do calor em Portugal continental dependerão, em grande medida, da interação entre os principais centros de ação (anticiclones e depressões), da trajetória das massas de ar e dos padrões de circulação atmosférica que se tornarem dominantes na nossa latitude.