Investigadores preocupados: o que é a alga invasora que se está a alastrar pela costa de Sines?
Nos últimos dois a três anos uma alga invasora tem vindo a ganhar terreno nos fundos marinhos da costa de Sines, levantando preocupações sobre os efeitos que poderá ter na biodiversidade local.

Há cerca de uma década foi identificada junto à marina do Porto de Sines a Rugulopteryx (okamurae), uma espécie originária do Pacífico que terá chegado à costa portuguesa através do Mediterrâneo, instalando-se primeiro no Algarve e progredindo posteriormente para Norte. O que está a gerar preocupação entre os cientistas é o facto de a sua expansão no fundo marinho de Sines ter acelerado significativamente nos últimos anos.
Aumento da temperatura da água trouxe "um "boom" exponencial em todas as zonas até aos 12 metros de profundidade"
Segundo Joaquim Parrinha, investigador da Universidade de Coimbra e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), o aumento da temperatura da água terá sido favorável a um crescimento explosivo da espécie. Até cerca de 12 metros de profundidade, a alga já ocupa extensas áreas do fundo marinho. Em zonas menos profundas, acrescenta o investigador, “está tudo ocupado”.

Na ilha do Pessegueiro, em Porto Covo, onde realiza mergulhos frequentes, Parrinha descreve autênticas florestas subaquáticas de Rugulopteryx. Embora “não deixando de ser bonita”, esta elevada concentração de algas altera profundamente o habitat das “espécies autóctones”, prejudicando bastante o seu desenvolvimento.
Menos luz, menos oxigénio e menos vida
A forte acumulação observada recentemente em algumas praias do concelho de Sines resulta, segundo Joaquim Parrinha, da agitação marítima, que arrancou parte das algas dos fundos e as transportou até à costa.
Debaixo desses extensos “tapetes” de algas que chegam a cobrir completamente a costa, a passagem de luz diminui e o oxigénio disponível junto ao fundo pode escassear. O resultado torna-se particularmente pejorativo para espécies autóctones, designadamente "as algas coralinas, os sargaços, as laminárias e os códium", que podem acabar por morrer.
Ao ocupar os seus habitats e preencher os nichos ecológicos, a alga invasora acaba por contribuir para uma redução da biodiversidade. E como tal acontece? Parrinha explica que sob estas massas de algas, formam-se bolsas de gases que "causam a eutrofização das diversas lagoas subaquáticas nas zonas onde ela vai ficando presa".
Perante este cenário, Parrinha defende duas possíveis ações: uma delas passa pela remoção da biomassa acumulada nas praias e o estudo do seu aproveitamento agrícola, depois de "devidamente lavada para retirar o sal". Já a segunda opção “é, no terreno ou debaixo de água, fazer a colheita desta alga para termos novamente a rocha limpa e livre para as algas autóctones, que nos interessam, se fixarem e continuarem o seu ciclo normal de vida", indica.
Referência da notícia
JN. (2026). Alga invasora alastra na costa de Sines e ameaça biodiversidade.