Saiba como a China impulsionou o rápido crescimento do sumidouro de carbono florestal
Já há muitos anos que a China toma ações concretas em relação às florestas não só para conterem o avanço dos desertos, mas também para funcionarem como sumidouros de carbono.

A China além de plantar novas florestas também procede à reflorestação das florestas existentes. Estudos recentes pretendem analisar o que é que realmente impulsionou o rápido crescimento do sumidouro de carbono florestal da China.
Plantação de novas florestas
Desde 1978, a China o plantou cerca de 66 biliões de árvores como parte da chamada Grande Muralha Verde, uma barreira vegetal concebida para conter o avanço dos desertos de Gobi e Taclamacã na parte norte do país.
O objetivo era impedir que a areia continuasse a engolir pradarias do norte do país, uma região onde o deserto de Gobi chegava a avançar mais de 2.600 quilómetros quadrados por ano. No entanto, esta muralha de árvores acabou também por combater aa alterações climáticas, funcionando como um sumidouro de carbono.
Um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, sobre a plantação de árvores na China, aponta que as florestas plantadas parecem responder ao aumento do CO₂ de forma diferente das florestas naturais.

Esta diferença pode traduzir-se num crescimento muito mais rápido da cobertura de folhas, embora os investigadores ainda não saibam exatamente quais os mecanismos que explicam este fenómeno.
Este estudo, analisou observações de satélite do índice de área foliar, uma medida da densidade da folhagem relacionada à capacidade das florestas de capturar carbono.
Uma das conclusões a que os autores chegaram é que este indicador aumentou 66% mais rapidamente nas florestas plantadas do que nas naturais.
É de referir que a faixa arborizada ao longo do deserto de Taclamacã capturou cerca de 8,3 milhões de toneladas de CO₂ por ano entre 2004 e 2017, enquanto emitia aproximadamente 6,7 milhões de toneladas anuais, o que indica que funcionou como um sumidouro líquido de carbono nesse período.
De acordo com o site IFLScience, em 2020, as florestas plantadas do sul da China cobriam 90,3 milhões de hectares, o equivalente a 36,6% de toda a área florestal do país.
Reflorestação das florestas existentes ou/e plantação de novas florestas?
Na sequência do estudo anterior e de acordo com os cientistas, há que ter em conta que o índice de área foliar é um indicador útil, mas insuficiente para estimar quanto carbono uma floresta realmente armazena. Uma parte significativa desse carbono também se acumula na madeira, na casca, nas raízes e no solo, e não apenas na copa das árvores.
Com recurso a dados de observação de satélite com uma resolução de 30 m, obtiveram-se dados de biomassa derivados localmente e um modelo de contabilidade de carbono para rastrear a absorção anual de carbono proveniente da reflorestação e da florestação.

Os autores deste estudo reconstruíram o balanço de carbono florestal da China para diferentes tipos de floresta com uma resolução de 30 m, ao longo de mais de três décadas (1986 a 2019).
Mas este sumidouro foi impulsionado principalmente pela reflorestação e regeneração em áreas previamente florestadas, e não pela florestação em novas áreas.
As florestas reflorestadas acumularam carbono mais rapidamente (1,47 TC ha⁻¹ ano⁻¹) do que as florestas recentemente florestadas (0,96 TC ha⁻¹ ano⁻¹), mesmo que a área de florestação se tenha expandido mais rapidamente.
São importantes para as políticas climáticas as conclusões a que chegou este estudo. Proteger e permitir que as florestas degradadas se regenerem pode ser tão importante como plantar novas florestas. É importante saber onde e como as árvores devem ser plantadas e não apenas o número de hectares plantados.
Os autores do estudo priorizam a proteção das florestas em regeneração, juntamente com a florestação direcionada, para alcançar a neutralidade carbónica com base nas florestas.
Referência da notícia
Luo, Y., Han Wang, Z., et al.. (2026). Enhanced CO2 Response and Aging-Related Dynamics Drive a Greater Leaf Area Index Increase in China's Planted Forests in Comparison to Natural Forests.
Xu, W., L, Z., et al.. (2026). Reforestation dominated China’s forest carbon sink from 1986 to 2019.