Ar fresco e chuva com “estadia curta” em Portugal: máximas perto dos 40 ºC poderão regressar no início da próxima semana

Uma bolsa de ar frio isolada em altitude situa-se neste momento a noroeste da Península Ibérica, sendo um dos principais sistemas responsáveis pela evolução do estado do tempo ao longo desta semana em Portugal continental, mantendo-se bloqueada entre uma crista atlântica a norte e uma crista subtropical a sul.
Após vários dias praticamente estacionária, irá deslocar-se gradualmente para leste, e à medida que for atravessando o norte da Península Ibérica, provocará uma descida significativa das temperaturas e alguma chuva, sobretudo entre sexta (24) e sábado (25).
Breve período de chuva e temperaturas mais frescas entre sexta e sábado
Após esta quarta-feira (22), que será um dos dias mais quentes da semana (22), espera-se um gradual arrefecimento entre quinta-feira (23) e sábado (25).
Hoje, a subida das temperaturas no interior do país deve-se, sobretudo, à interação entre a bolsa de ar frio e a crista subtropical, que favorece um campo de pressão e vento propício ao transporte de ar quente e seco procedente do Norte de África e do interior da Península Ibérica. Hoje, dia 22, as quatro capitais distritais com as temperaturas máximas mais elevadas serão Bragança e Évora (36 ºC) e Castelo Branco e Beja (35 ºC).

No entanto, como já foi referido anteriormente pela Meteored Portugal, a partir de quinta-feira (23) prevê-se uma descida gradual das temperaturas, sendo sexta-feira (24) e sábado (25), os dias em que a entrada de ar polar marítimo será mais evidente e a frescura mais expressiva.
Além disto, a passagem da bolsa de ar frio gerará alguma precipitação, sobretudo nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela. Ainda assim, tudo indica que será um episódio com precipitação escassa.
As atuais previsões dos modelos sugerem acumulados a variar entre 1 e 6 mm ao longo de 48 horas, valores que são reduzidos, mas relativamente relevantes tendo em conta que climatologicamente atravessamos a canícula, o período estatisticamente mais quente e seco do ano.

Os mapas revelam que o Minho, o Douro Litoral, parte do litoral Centro e da Área Metropolitana de Lisboa, bem como algumas zonas do interior Norte e Centro, são as regiões onde se espera a ocorrência de precipitação, geralmente fraca e irregular.
| Cidade | Temperatura máxima Sexta-feira, 24 de julho | Temperatura máxima Sábado, 25 de julho |
|---|---|---|
| Braga | 26 ºC | 29 ºC |
| Porto | 24 ºC | 23 ºC |
| Leiria | 27 ºC | 26 ºC |
| Lisboa | 28 ºC | 28 ºC |
| Faro | 34 ºC | 31 ºC |
| Bragança | 28 ºC | 29 ºC |
| Viseu | 24 ºC | 26 ºC |
| Castelo Branco | 30 ºC | 31 ºC |
| Coimbra | 27 ºC | 27 ºC |
| Évora | 31 ºC | 31 ºC |
| Fonte: Mapas da Meteored e IPMA | ||
Destaque ainda para Beja, que se prevê que seja a capital distrital mais quente do país no sábado (25), com uma temperatura máxima de 31 ºC.
Mudança de tempo a partir de domingo, 26 de julho, o calor voltará a apertar, mas com duração incerta
Após um breve período com mais frescura, tudo indica que o estado do tempo voltará a mudar a partir de domingo (26), estando à vista uma ligeira subida das temperaturas máximas em quase todo o território de Portugal continental.

De momento, os mapas de referência da Meteored preveem uma nova intensificação do calor, tanto no litoral como no interior, sobretudo a partir de segunda-feira (27), dia em que se preveem temperaturas máximas compreendidas entre 28 e 40 ºC em toda a extensão do país.
No entanto, a previsão ainda se mantém bastante incerta quanto à duração e intensidade deste eventual episódio de calor, uma vez que a sua evolução dependerá, uma vez mais, do padrão atmosférico que tem dominado o verão de 2026.
Consiste precisamente no mesmo padrão que tem poupado Portugal do calor extremo, enquanto Espanha vai estando à mercê do registo das temperaturas mais elevadas e várias ondas de calor.
A interação entre a crista subtropical, responsável por promover ar quente e seco vindo de África, e o possível aparecimento de uma massa de ar mais fresco posicionada entre a região correspondente ao anticiclone dos Açores (que ficará mais próximo da sua posição original) e a Península Ibérica, poderá voltar a ser determinante. A distribuição e a maior ou menor intensidade do calor em Portugal continental dependerá, em larga medida, da interação entre os centros de ação e da trajetória das massas de ar.