Aproxima-se de Portugal um “comboio” de tempestades: mais de 200 mm de chuva e risco de cheias nestas zonas

Joseph e outras tempestades formadas no Atlântico Norte fazem parte do “comboio” de frentes e tempestades que continuará a afetar Portugal ao longo dos próximos dias, elevando o risco de cheias em várias zonas.
Nesta última semana de janeiro prevê-se uma situação meteorológica muito adversa em grande parte da geografia de Portugal continental, com particular impacto nas Regiões Norte e Centro. Ingrid já lá vai, mas atualmente o nosso país já está sob os efeitos da vasta região depressionária conhecida como Joseph e de uma tempestade secundária inserida na mesma circulação.
Na primeira parte da presente semana, várias frentes muito ativas associadas a uma tempestade secundária nascida na mesma região depressionária que Joseph deixarão chuva generalizada e localmente forte, situação que se prolongará nos dias seguintes devido à aproximação de outras tempestades.
Na verdade, todo o Atlântico Norte será um “ninho” de tempestades nos próximos dias, com o nosso país novamente no centro das atenções. De norte a sul, todos precisaremos de ter o guarda-chuva 'en garde'. Como explicado anteriormente na Meteored, o bloqueio nas latitudes altas força o jato polar a circular a latitudes mais a sul do que o habitual, o que se traduz num ‘comboio’ contínuo de frentes e tempestades que afetam Portugal continental de norte a sul e também os Açores.

Como se isto não bastasse, a distribuição dos centros de ação é favorável à chegada de um grande rio de humidade proveniente das Caraíbas que atingirá de forma quase contínua o nosso país ao longo da semana, intensificando a chuva.
Joseph é uma antevisão do que acontecerá esta semana
Esta segunda-feira (26) uma primeira frente muito ativa está e continuará a deixar chuva em vastas zonas de Portugal continental, sendo especialmente forte e persistente nos distritos de Viana do Castelo, Braga e Vila Real, para os quais o IPMA já emitiu aviso laranja de precipitação. Nos distritos de Porto e Aveiro vigora o aviso amarelo de precipitação.
A emissão de avisos por parte do IPMA para todas estas zonas a oeste da Barreira de Condensação corrobora as sucessivas previsões lançadas pela Meteored nos últimos dias. Tendo em conta o que os nossos mapas revelam para as próximas horas e dias, não se descarta uma atualização dos avisos meteorológicos.

Toda a semana será praticamente uma cópia a papel químico, com uma frente atrás de outra, sendo bastante provável que quase toda a geografia de Portugal continental registe chuva todos os dias. Os registos de chuva acumulada serão mais discretos no arquipélago da Madeira.
Acumulações por zonas até domingo, 1 de fevereiro
A última atualização do modelo europeu prevê acumulações a rondar os 250-300 mm nas zonas expostas das serras do Minho, Alto Tâmega e Barroso até à meia-noite de domingo (1): estas zonas serão as mais chuvosas de toda a Europa nos próximos dias. Em vastas zonas dos distritos de Viana do Castelo, Braga e Vila Real, as acumulações irão ultrapassar os 150-200 mm, com valores semelhantes ou ligeiramente inferiores previstos para grande parte dos distritos de Porto, Aveiro e Viseu.
Nas zonas mais expostas dos distritos de Coimbra, Guarda e Castelo Branco também se prevê a possibilidade de acumulações em torno de 150-175 mm. Nos distritos de Leiria, Portalegre e algumas zonas de Santarém e Bragança preveem-se registos superiores a 100 mm em vastas zonas.
Nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela as acumulações previstas são inferiores devido ao efeito orográfico, mas, mesmo assim, serão muito significativas. Algumas zonas do Alentejo e do distrito de Lisboa registarão entre 80 e 100 mm. No geral os valores de precipitação acumulada das regiões a sul do rio Tejo situar-se-ão abaixo dos 75 mm. O distrito de Faro será um dos menos afetados.
Degelo e precipitação abundante aumentarão o risco de cheias, especialmente nestas zonas
A cota de neve estará sujeita a variações, uma vez que estão previstas subidas e descidas da temperatura. Entre terça (27) e quarta-feira (28), uma massa de ar polar fará com que a cota desça, estando prevista queda de neve acima dos 600/700 metros de altitude. O vento de Oeste-Sudoeste soprará forte durante grande parte da semana, pelo que a situação marítima continuará a estar muito agreste.

Atenção ao risco de cheias e inundações devido à combinação de chuva abundante e derretimento do gelo e da neve. De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a probabilidade será mais elevada nas zonas ribeirinhas do Porto, bacia hidrográfica do Tejo e em todos os rios e regiões a norte do rio Mondego (Águeda, Vouga, Douro, Tâmega, Minho e Lima), algo que coincide na perfeição com o que antecipam os mapas de chuva acumulada da Meteored.