Alfredo Graça avisa sobre a chuva: “previstos 150 a 250 mm entre domingo e quinta em 10 distritos do Norte e Centro"

A precipitação dos próximos dias poderá tornar-se muito eficiente, estando em perspetiva vários períodos de chuva forte e persistente. Há 10 distritos de Portugal continental onde estão previstos entre 150 e 250 mm de chuva acumulada.
Após a entrada da primeira frente na jornada de ontem - sexta-feira, 6 de novembro - e que marcou o regresso da precipitação a Portugal continental após longas semanas de ausência, o estado do tempo em Portugal continental estabilizou substancialmente este sábado (7), mantendo-se somente aguaceiros pós-frontais, com períodos de céu nublado e espaço para boas abertas.
Observa-se a depressão Bruna, centrada a nor-nordeste do arquipélago dos Açores, com tendência a intensificar-se nos próximos dias. Isto é algo verificável pelo previsível aprofundamento do núcleo de Bruna (975 hPa previstos na segunda-feira 9) e pelo estreitamento dos canais das isóbaras, bem como pelo impulsionamento de sucessivas ondulações frontais associadas até Portugal continental.
Não obstante, a depressão Bruna, na sua lenta deslocação quasi-estacionária para leste sobre o Atlântico, enviará um “comboio” de frentes, quase ininterruptas, entre o meio da tarde de domingo (8) e quinta-feira, 12 de novembro.
Os mapas de referência da Meteored vislumbram ainda a possibilidade da precipitação persistir por pelo menos mais um dia, com o tempo húmido, chuvoso e instável a arrastar-se também pelo dia de sexta-feira, 13 de novembro.
Porque é que a chuva dos próximos 5 a 6 dias poderá ser tão eficiente, forte e persistente em certas zonas do país?
Os nossos mapas da Meteored Portugal são bem claros ainda quanto a outro fator que poderá potenciar este episódio de chuvas na geografia de Portugal continental. É bem visível nas previsões projetadas pelo modelo ECMWF um extenso corredor carregadíssimo de vapor de água - rio atmosférico - que alimentará a precipitação gerada pelas ondulações frontais associadas à depressão Bruna.

A eficiência da chuva prende-se essencialmente com os períodos (intervalos temporais) em que a mesma se poderá tornar mais persistente e abundante. De acordo com as atuais previsões dos mapas de precipitação acumulada, a chuva terá tendência a cair com mais frequência e intensidade nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela nos próximos 5 dias (entre domingo 8 e quinta-feira, 12 de novembro).
Modelo ECMWF antecipa a possibilidade de 150 a 250 mm de chuva acumulada em 10 distritos do Norte e Centro
Na Região Norte prevê-se que as zonas situadas a oeste da Barreira de Condensação (distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto e setor ocidental de Vila Real) sejam as potencialmente mais afetadas.
Além da natural tendência para uma maior retenção da nebulosidade e precipitação nestas zonas do país por causa do efeito de barreira exercido pelo sistema montanhoso referido, a exposição destas zonas aos ventos de Sudoeste carregados de humidade explicam a maior probabilidade de precipitação abundante nestas zonas.

A mesma barreira montanhosa que favorece mais chuva na metade oeste da Região Norte, é a que se traduz na possibilidade de uma menor quantidade de chuva acumulada na metade leste da Região Norte (Nordeste Transmontano - entre 50 e 100 mm previstos para grande parte do distrito de Bragança).
Já na Região Centro, espera-se que os distritos de Aveiro e o setor ocidental de Viseu a distribuição da chuva ainda seja relativamente influenciada pelo efeito de relevo anteriormente mencionado da Barreira de Condensação.
Em vastas áreas dos distritos de Coimbra, Leiria, Guarda e Castelo Branco - a tendência para uma maior abundância e intensidade da precipitação poderão ser explicadas também pela orientação geográfica das vertentes montanhosas dispostas ao longo da cordilheira que abrange as Serras da Lousã, Açor e Estrela - ainda que ligeiramente distinta da da Barreira de Condensação - e pela exposição das mesmas aos já referidos ventos de Sudoeste (ábregos).
Importa, contudo, esclarecer que a distribuição e intensidade da precipitação ainda estão sujeitas a alguns ajustes nas próximas atualizações dos modelos meteorológicos, sobretudo porque nos estamos a referir a um prazo temporal que já abrange 5 dias.

Ainda assim, as sucessivas saídas dos modelos (tanto ECMWF, como GFS) têm insistido no carácter eficiente, abundante e persistente da precipitação em vastas áreas dos 10 distritos mencionados neste artigo de previsão.
Prevenção e mitigação dos riscos: da monitorização do tempo aos potenciais impactos no território
Adicionalmente, tendo em conta que o vento que acompanhará as frentes deverá ganhar intensidade em diversos momentos (rajadas fortes de Sudoeste) e se prevê ainda um agravamento da agitação marítima, toda esta combinação de elementos climático-ocêanicos adquire uma dimensão de risco que deve ser tida em conta por parte das autoridades (Proteção Civil, entre outras) e por parte da sociedade em geral.
É preciso ter em conta que haverá um aumento dos riscos associados a este episódio de tempo adverso. Dos potenciais danos em infraestruturas mais frágeis, a possíveis galgamentos costeiros e inundações localizadas, tanto em solos urbanos (maior impermeabilização), como em solos rurais (atualmente bastante secos e expostos a uma menor capacidade de absorção inicial da água, que potencia o escoamento à superfície e conduz a possíveis inundações rápidas ou repentinas em certos locais).