Três plantas num vaso: como combinar espécies para otimizar os recursos em varandas e apartamentos pequenos

Quando o espaço é escasso, a escolha das plantas certas pode fazer toda a diferença. Há combinações que não só coexistem sem problemas, como crescem melhor juntas do que separadas e transformam um único vaso num pequeno ecossistema.

Em varandas pequenas e em apartamentos urbanos, o espaço disponível determina o número de vasos.
Em varandas pequenas e em apartamentos urbanos, o espaço disponível determina o número de vasos.

Quando a varanda é pequena ou não há espaço suficiente no apartamento, cada vaso torna-se uma decisão. A boa notícia é que nem sempre é necessário adicionar mais recipientes para ter mais variedade de vegetação.

Quando bem escolhidas, algumas plantas não só toleram partilhar espaço, como crescem melhor juntas do que sozinhas.

Ao montar um vaso com várias espécies amigas, pode fazer o uso mais eficiente da luz, da água e do substrato, e até criar um pequeno microclima que as favoreça a todas.

Nas casas onde o espaço é escasso, sobretudo nas varandas e nos apartamentos, os vasos não se multiplicam tão facilmente.
Nas casas onde o espaço é escasso, sobretudo nas varandas e nos apartamentos, os vasos não se multiplicam tão facilmente.

A chave é compreender que nem todas se desenvolvem da mesma maneira. Algumas têm raízes pouco profundas, outras exploram camadas mais profundas do solo; algumas procuram mais luz, outras acolhem bem a sombra parcial de uma planta vizinha mais alta.

Quando estas diferenças são combinadas com necessidades semelhantes de rega e temperatura, a coexistência funciona muitas vezes melhor do que o esperado.

Potus, feto e tradescantia: equilíbrio e humidade

Esta combinação é uma das mais utilizadas em interiores, e não é por acaso. O potus fornece folhas suspensas que ocupam o espaço aéreo e filtram a luz. O feto cresce no centro do vaso, acrescentando volume e exuberância, enquanto a tradescantia se eleva acima da superfície do substrato e atua como uma cobertura natural.

Em conjunto, estas plantas ajudam a manter a humidade, o que é particularmente benéfico para o feto, e reduzem a evaporação da água. Além disso, nenhuma delas cresce de forma suficientemente agressiva para afastar as outras, permitindo que o vaso se mantenha equilibrado durante meses.

Em varandas pequenas e em apartamentos urbanos, o espaço disponível determina o número de vasos.
Em varandas pequenas e em apartamentos urbanos, o espaço disponível determina o número de vasos.

O Potus adapta-se muito bem à luz indireta e tolera zonas um pouco mais sombrias, pelo que pode ser colocado na borda do vaso e deixar cair os seus caules sem necessidade de sol direto. O feto, pelo contrário, aprecia uma luz suave e filtrada: demasiada exposição seca-o, mas a sombra total enfraquece-o.

A Tradescantia cresce de forma rasteira, cobre o substrato e ajuda a conservar a humidade no vaso.
A Tradescantia cresce de forma rasteira, cobre o substrato e ajuda a conservar a humidade no vaso.

A tradescantia completa o conjunto porque aproveita a luz que vem do lado ou de cima, mesmo quando é moderada. Juntas, estas três plantas funcionam como um pequeno sistema que distribui a luz disponível e evita a exposição excessiva.

Sansevieria, peperomia e pilea: crescimento lento e não competitivo

Para quem procura plantas que requerem pouca manutenção, esta combinação é ideal. A sansevieria cresce verticalmente e tem raízes profundas, enquanto a peperomia e a pilea crescem mais perto da superfície. Crescendo lentamente, mantêm o seu equilíbrio durante muito tempo, sem necessidade de replantação frequente.

A Sansevieria cresce verticalmente, ocupa pouco espaço e tolera regas bem espaçadas em vasos partilhados.
A Sansevieria cresce verticalmente, ocupa pouco espaço e tolera regas bem espaçadas em vasos partilhados.

Também concordam num aspeto fundamental para o interior: não precisam de ser regadas com frequência. A sansevieria armazena água nas suas folhas, enquanto a peperomia e a pilea preferem um substrato que seque ligeiramente entre regas. Isto permite manter uma rotina simples, sem o risco de rega excessiva, um dos erros mais comuns nos vasos partilhados.

A Pilea dá volume na base do vaso e adapta-se bem à luz indireta e a uma rega moderada.
A Pilea dá volume na base do vaso e adapta-se bem à luz indireta e a uma rega moderada.

Em termos de luz, as três dão-se bem com uma iluminação indireta e estável. Não precisam de luz solar direta, mas também não se desenvolvem bem em cantos escuros. Colocadas perto de uma janela bem iluminada, formam um conjunto bem equilibrado que mantém a sua forma durante muito tempo.

Devido ao seu crescimento lento e previsível, esta combinação é ideal para aqueles que procuram um vaso limpo e fácil de manter.

Ficus rasteiro, filodendro e calateia: um microclima próprio

Em ambientes secos, como os apartamentos aquecidos no inverno, algumas plantas sofrem mais do que outras. Neste caso, a combinação de espécies pode ser uma vantagem.

A ficus rasteira é uma trepadeira de crescimento baixo que, quando não encontra um suporte vertical, atua como cobertura do solo. Em vasos largos ou jardineiras, os seus caules espalham-se pelo substrato, enraízam-se nos nós e acabam por formar um tapete verde que cobre a superfície do solo.

O filodendro, por outro lado, fornece estrutura e a calateia acrescenta folhas largas que ajudam a reter a água no ambiente imediato.

A calateia acrescenta folhas largas e decorativas que ajudam a conservar a humidade e a criar um microclima mais estável.
A calateia acrescenta folhas largas e decorativas que ajudam a conservar a humidade e a criar um microclima mais estável.

Esta combinação imita o que acontece na natureza, onde as plantas raramente crescem isoladas e muitas vezes protegem-se umas às outras.

Qualquer que seja a espécie escolhida, os cuidados básicos fazem a diferença. O vaso deve ser suficientemente grande para dar espaço às raízes e ter sempre uma boa drenagem.

É preferível regar quando o substrato começa a secar à superfície, e não regar demasiado “por precaução”. Rodar o vaso de vez em quando ajuda todas as plantas a receberem luz uniforme e a crescerem em equilíbrio.

Partilhar um vaso não é apenas uma solução prática para espaços pequenos. É também uma maneira de pensar nas plantas como um pequeno sistema, onde cada uma tem um papel a desempenhar.

Com um pouco de observação e escolhas sensatas, menos vasos podem proporcionar mais vegetação, mais saúde e um crescimento surpreendentemente harmonioso.