Primeiras chuvas de setembro: o que fazer na horta antes que o solo encharque

Depois de um verão inteiro sem chover, a primeira chuvada raramente é a bênção que parece. Grande parte da água escorre à superfície e leva consigo a melhor camada da terra.

A chuva nas primeiras fases de desenvolvimento das plantas pode ser prejudicial cada seja demasiado intensa.
A chuva nas primeiras fases de desenvolvimento das plantas pode ser prejudicial cada seja demasiado intensa.

Chega o aviso de chuva e é natural sentir alívio. Fim das regas diárias, o depósito a encher, a terra a beber. Só que uma terra que passou três meses ao sol não recebe água como uma terra húmida.

Nos primeiros minutos, boa parte do que cai não entra. Corre à superfície, junta-se nos caminhos e vai-se embora, levando consigo a camada mais fértil do canteiro.

Uma terra seca repele a água

Parece contraditório, mas é assim que funciona. Um solo muito seco, sobretudo com matéria orgânica, torna-se temporariamente resistente à entrada de água, e as gotas ficam à superfície em vez de penetrarem.

Escoamento superficial- É a água da chuva que corre à superfície em vez de infiltrar no solo. Acontece quando a intensidade da chuva é maior do que a capacidade de absorção da terra, o que é comum em solos secos, compactados ou descobertos. Além de água perdida, arrasta as partículas mais finas e a matéria orgânica.

Junte-se a isto o facto de que as chuvas de setembro são frequentemente de trovoada, com muita água em pouco tempo, e percebe-se o problema. Vinte milímetros em vinte minutos aproveitam-se muito pior do que vinte milímetros ao longo de uma tarde.

O que fazer nos dias antes

A boa notícia é que quase tudo se resolve com trabalho feito antes da chuva chegar, e nada disto exige material comprado. Na tabela abaixo consegue analisar quais as principais tarefas a fazer durante o mês de setembro, especialmente antes das primeiras chuvas.

Tarefa

Porquê

Quando fazer

Descompactar a superfície

Abre caminho à infiltração

Dias antes, com solo seco

Cobrir o solo com palha

Amortece o impacto das gotas

Antes da primeira chuvada

Abrir valetas de escoamento

Conduz o excesso sem arrastar terra

Antes, em terrenos inclinados

Limpar caleiras e depósitos

Aproveita a água que cai no telhado

Antes

Colher o que está maduro

Frutos rachados e podridões

Véspera

Arrancar tutores frágeis

Vento das trovoadas derruba plantas

Antes

Principais tarefas a fazer durante o mês de setembro especialmente antes das primeiras chuvas. Fonte: elaboração própria

A descompactação merece uma explicação. Não se trata de cavar fundo, que nesta altura seria contraproducente. Basta passar um sacho ou um ancinho pela superfície, quebrando a crosta que se formou ao longo do verão. Um solo com a superfície aberta absorve muito mais nos primeiros minutos de chuva.

O solo descoberto é o que mais perde

Aqui está a parte que faz mais diferença a longo prazo e que quase ninguém liga à chuva.

Quando uma gota cai numa terra nua, o impacto desfaz os agregados do solo e as partículas finas soltam-se. Depois, ao secar, forma-se uma crosta dura que impede a infiltração das chuvas seguintes. É um ciclo que se agrava sozinho.

Uma camada de palha não serve só para guardar humidade. Serve para a gota bater na palha em vez de bater na terra.

Uma cobertura de cinco centímetros de palha, folhas ou aparas de relva seca resolve isto. E se tiver espaço vazio que não vá usar até à primavera, uma sementeira de adubo verde faz o mesmo trabalho com raízes, que é ainda melhor, porque mantêm o solo agarrado.

Depois da chuva, o cuidado muda

Passada a chuvada, há duas regras que poupam muitos problemas.

A primeira é não pisar a terra molhada. Um solo saturado é uma esponja cheia, e o peso de quem caminha nele esmaga os espaços de ar e destrói a estrutura. Aquilo que se compacta numa tarde de trabalho em terreno encharcado leva meses a recuperar. Espere que a terra esteja maneável, ou seja, que não cole à enxada.

Quando o solo tem dificuldade em escoar o excesso de água que cai na horta é um sinal de que a drenagem tem de ser melhorada
Quando o solo tem dificuldade em escoar o excesso de água que cai na horta é um sinal de que a drenagem tem de ser melhorada

A segunda é vigiar as culturas ainda em produção. Depois de semanas de sede, um tomateiro que recebe muita água de repente racha os frutos, e as folhas molhadas durante horas abrem a porta a doenças. Se tiver frutos quase maduros, colha-os antes.

Aproveitar em vez de deixar correr

Um telhado de cinquenta metros quadrados que recebe vinte milímetros de chuva rende mil litros de água. É água que, na maior parte das casas, vai simplesmente para o esgoto.

Não precisa de instalação complicada. Um bidão ligado a uma caleira, com uma rede na entrada para travar folhas e uma tampa para não criar mosquitos, é suficiente para regar uma horta pequena durante semanas.

Antes de tudo isto, veja dois valores na previsão da sua zona: a precipitação acumulada em milímetros e a probabilidade. E lembre-se de que não são a mesma coisa. Oitenta por cento de probabilidade pode significar dois milímetros, uma chuva que praticamente não conta. É o acumulado que diz se vale a pena preparar o terreno ou não.