Turistas pagam 2 € para cumprir tradição na Fontana di Trevi
Lançar moedas na Fontana di Trevi passou a custar 2 €, numa nova medida de Roma para controlar o turismo e preservar este ícone histórico. Venha saber mais aqui!

A famosa Fontana di Trevi, um dos postais mais emblemáticos de Roma e símbolo da Cidade Eterna, deixou de ser completamente gratuita para quem quer aproximar-se, tirar a clássica fotografia ou cumprir o ritual de lançar moedas na água.
Desde 2 de fevereiro de 2026, as autoridades municipais introduziram uma taxa de acesso de 2 € para os visitantes que queiram descer as escadas e chegar junto ao espelho de água onde tradicionalmente se atira a moeda por cima do ombro, um gesto que, segundo a superstição, garante o regresso a Roma no futuro. A praça circundante continua gratuita e aberta a todos, podendo ver a fonte à distância sem pagar.
A taxa aplica-se sobretudo nas horas de maior afluência, das 11:30h às 22:00h nos dias de semana e das 9:00h às 22:00h aos fins-de-semana. Fora desses horários, mais cedo de manhã ou mais tarde à noite, a aproximação ao monumento pode ser feita sem entrada paga.
Uma história que mistura Roma antiga e arte barroca
A Fontana di Trevi tem origem na Roma Antiga e está diretamente ligada ao aqueduto Aqua Virgo, construído em 19 a.C. por ordem do imperador Augusto e sob a direção de Marco Vipsânio Agripa.
Este aqueduto foi criado para transportar água potável até ao centro da cidade a partir de nascentes exteriores e é um dos poucos sistemas hidráulicos romanos que ainda hoje se encontram em funcionamento.
A fonte assinala o ponto final desse aqueduto, o que lhe confere um forte significado histórico e funcional. A origem do nome Trevi não é totalmente consensual, mas existem duas explicações principais. A mais aceite associa o nome ao termo latino trivium, que designava um cruzamento de três vias, referência à localização da fonte.
Outra teoria relaciona o nome com a palavra virgo (virgem), ligada à lenda da jovem que teria indicado aos soldados romanos o local da nascente de água. Ambas as interpretações reforçam a ligação da fonte à Antiguidade romana e às tradições transmitidas ao longo dos séculos.
Durante a Idade Média, a fonte manteve uma estrutura simples, sendo utilizada sobretudo como ponto de abastecimento de água. Apenas no século XVIII ganhou a forma monumental que hoje conhecemos, após o início das obras em 1732, sob a direção do arquiteto Nicola Salvi, por iniciativa do papa Clemente XII.
Qual a razão desta medida?
As autoridades romanas justificam a introdução da taxa como uma resposta ao problema do sobreturismo, o enorme fluxo de visitantes que dia após dia se aglomera nas ruas estreitas à volta da fonte, dificultando a circulação e causando desgaste no património.
Só nos últimos anos, a Fontana di Trevi recebeu mais de 10 milhões de visitantes por ano, com dias em que até 70 000 pessoas passavam pela área, sobretudo nas épocas altas de turismo.

O objetivo principal da nova taxa é gerir melhor as multidões, reduzir o caos junto do monumento e gerar fundos que ajudem na manutenção e conservação deste ícone artístico e cultural.
As receitas estimadas com a taxa de 2 € poderão ascender a vários milhões de euros por ano, destinando-se não só à fonte em si, mas também ao apoio de outros sítios patrimoniais em Roma.
Nem todos terão de pagar, estão isentos da taxa os residentes de Roma e da sua área metropolitana, assim como crianças, pessoas com deficiência (e, em alguns casos, um acompanhante). Estas medidas procuram equilibrar o acesso cultural e turístico com a proteção do património e a qualidade de vida dos residentes.
Reações e debate
A decisão de cobrar pelo acesso à Fontana di Trevi tem gerado algum debate entre turistas, residentes e gestores culturais.
Por um lado, muitos visitantes aceitam de bom grado pagar 2 € se isso significar menos multidões, mais espaço para apreciar o monumento e uma experiência fotográfica mais tranquila.
Por outro, alguns cidadãos italianos e visitantes lamentam que um espaço de grande valor histórico e público deixe de ser tão acessível como antes, argumentando que “está na rua e é de todos”.
A medida insere-se numa tendência mais ampla em cidades europeias para gerir o impacto massivo do turismo em locais icónicos não só em Roma, como também em cidades como Veneza ou no caso do Panteão, também em Itália, que já cobram entradas para proteger o património cultural.
O ritual continua com ou sem taxa
Apesar da taxa, a famosa tradição de lançar moedas na Fontana di Trevi não desaparece.
Visitantes continuam a escolher o valor das moedas que lançam, uma moeda para garantir o regresso a Roma, duas para encontrar o amor e três para um casamento, um costume que faz parte da aura romântica do local.
O dinheiro recolhido no fundo da fonte, que antes já rendia milhões de euros por ano para caridade, continua a ser recolhido e destinado a causas sociais.
Assim, entre património, tradições e regras modernas, a Fontana di Trevi mantém-se como ponto de encontro entre turistas de todo o mundo, lendas e o desafio constante de preservar o seu esplendor para as gerações futuras.