Oceanário de Lisboa encerra ao fim de uma década a exposição "Florestas Submersas"

O maior nature aquarium do mundo foi visitado por 10 milhões de pessoas. A última grande obra de Takashi Amano vai estar patente até 30 de junho.

O Oceanário preparou um programa especial para se despedir das “Florestas Submersas”, com a possibilidade de conhecer os bastidores de um ecossistema com mais de dez mil organismos vivos. Foto: Pedro Pina/Oceanário de Lisboa
O Oceanário preparou um programa especial para se despedir das “Florestas Submersas”, com a possibilidade de conhecer os bastidores de um ecossistema com mais de dez mil organismos vivos. Foto: Pedro Pina/Oceanário de Lisboa

Ao fim de uma década, a exposição “Florestas Submersas by Takashi Amano” vai encerrar ao público. É um ciclo do Oceanário de Lisboa que se fecha, mas tem até 30 de junho para se despedir daquele que é considerado o maior nature aquarium do mundo.

Inaugurada em 2015, a obra foi concebida como uma exposição temporária, com duração prevista de três anos.

A extraordinária adesão do público, porém, prolongou naturalmente a sua presença. Ao longo dos últimos 10 anos, mais de 10 milhões de visitantes tiveram a oportunidade de apreciar o trabalho do artista japonês, passando por uma experiência não somente estética, mas também sensorial e contemplativa.

Um marco no aquapaisagismo internacional

“Florestas Submersas by Takashi Amano” conquistou um lugar singular na história do Oceanário de Lisboa e no panorama internacional do paisagismo da água. Trata-se, afinal, do maior aquário alguma vez criado, com 40 metros de comprimento e cerca de 160 mil litros de água doce.

“Florestas Submersas” foi a última grande obra do artista japonês Takashi Amano, que morreu em agosto de 2015, quatro meses depois da exposição ser inaugurada no Oceanário de Lisboa. Foto: Pedro Pina/Oceanário de Lisboa
“Florestas Submersas” foi a última grande obra do artista japonês Takashi Amano, que morreu em agosto de 2015, quatro meses depois da exposição ser inaugurada no Oceanário de Lisboa. Foto: Pedro Pina/Oceanário de Lisboa

Levando ainda quatro toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores e 78 troncos de árvores provenientes da Escócia e da Malásia, este aquário acolhe mais de 10 mil organismos vivos, incluindo 40 espécies de peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas.

A última grande obra do artista

Mais do que a dimensão física, é o valor sentimental que se destaca nesta obra. Este foi o último trabalho artístico de Takashi Amano (1954 – 2015). Doente há vários anos, o artista estava ciente de que o seu fim estava próximo quando aceitou o convite do Oceanário de Lisboa. “Penso que este será o projeto da minha vida”, disse o aquariofilista, nessa altura, encarando a criação como a síntese da sua visão estética e filosófica.

Nascido em Niigata, em 1954, Takashi Amano iniciou a sua carreira na fotografia de natureza, tornando-se depois um designer de paisagens dentro de aquários, recriando ecossistemas vivos.

Takashi viria a morrer no Japão quatro meses após a inauguração da exposição, a 4 de agosto de 2015. Com a sua morte, a obra adquiriu um significado particularmente emotivo e intenso, traduzindo-se no seu derradeiro gesto criativo, no qual procurou reunir os elementos da natureza num equilíbrio vivo e em permanente transformação.

Para o Oceanário de Lisboa, ter sido o lugar escolhido para concretizar esta visão final representou também uma responsabilidade especial: preservar, durante uma década, com rigor e respeito, uma obra que marcou de forma definitiva a história do aquapaisagismo contemporâneo. Gerir, no entanto, o fim de uma obra viva implica reconhecer que a mudança faz sempre parte da sua essência.”

Hugo Batista, Curador e Diretor de Biologia, Oceanário de Lisboa.

O crescimento das plantas, o rearranjo natural dos elementos e a evolução do ecossistema são partes integrantes da visão de Takashi Amano. O tempo é, portanto, um elemento estrutural da obra. Encerrar este ciclo é, por isso, coerente com a filosofia wabi-sabi que lhe deu origem: aceitar o efémero como parte da beleza e permitir que a evolução continue, sob novas formas.

Os bastidores das Florestas Submersas

A despedida, todavia, será marcada por um conjunto de iniciativas especialmente preparadas para desafiar os visitantes a redescobrir novas dimensões das “Florestas Submersas by Takashi Amano”.

Entre as atividades previstas destacam-se as sessões de poda subaquática ao vivo, que revelam o cuidado contínuo para manter o equilíbrio do aquário, e as visitas guiadas aos bastidores, que permitem conhecer os processos técnicos e a dedicação da equipa responsável pela manutenção deste complexo ecossistema.

O programa visa oferecer uma perspetiva rara sobre a dimensão invisível da obra, reforçando o seu carácter vivo e em constante mutação. As sessões de poda ainda não têm datas confirmadas, mas as visitas aos bastidores acontecem todas as quartas-feiras até 24 de junho.

A exposição “Florestas Submersas by Takashi Amano” encerra a 30 de junho, celebrando uma década de inspiração, contemplação e ligação à natureza. Foto: Pedro Pina/Oceanário de Lisboa
A exposição “Florestas Submersas by Takashi Amano” encerra a 30 de junho, celebrando uma década de inspiração, contemplação e ligação à natureza. Foto: Pedro Pina/Oceanário de Lisboa

O Oceanário de Lisboa, entretanto, já está a desenvolver um novo projeto expositivo para este espaço. A obra ainda está no segredo dos deuses, mas os promotores asseguram que será, acima de tudo, “uma experiência imersiva, capaz de despertar curiosidade e uma relação profunda com a natureza”, remata o comunicado do oceanário.

Referência da notícia

Consulte o website do Oceanário de Lisboa para obter mais informação sobre o calendário e os horários das iniciativas especiais que revelam os bastidores das “Florestas Submersas by Takashi Amano”

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