Oceanário de Lisboa encerra ao fim de uma década a exposição "Florestas Submersas"
O maior nature aquarium do mundo foi visitado por 10 milhões de pessoas. A última grande obra de Takashi Amano vai estar patente até 30 de junho.

Ao fim de uma década, a exposição “Florestas Submersas by Takashi Amano” vai encerrar ao público. É um ciclo do Oceanário de Lisboa que se fecha, mas tem até 30 de junho para se despedir daquele que é considerado o maior nature aquarium do mundo.
A extraordinária adesão do público, porém, prolongou naturalmente a sua presença. Ao longo dos últimos 10 anos, mais de 10 milhões de visitantes tiveram a oportunidade de apreciar o trabalho do artista japonês, passando por uma experiência não somente estética, mas também sensorial e contemplativa.
Um marco no aquapaisagismo internacional
“Florestas Submersas by Takashi Amano” conquistou um lugar singular na história do Oceanário de Lisboa e no panorama internacional do paisagismo da água. Trata-se, afinal, do maior aquário alguma vez criado, com 40 metros de comprimento e cerca de 160 mil litros de água doce.

Levando ainda quatro toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores e 78 troncos de árvores provenientes da Escócia e da Malásia, este aquário acolhe mais de 10 mil organismos vivos, incluindo 40 espécies de peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas.
A última grande obra do artista
Mais do que a dimensão física, é o valor sentimental que se destaca nesta obra. Este foi o último trabalho artístico de Takashi Amano (1954 – 2015). Doente há vários anos, o artista estava ciente de que o seu fim estava próximo quando aceitou o convite do Oceanário de Lisboa. “Penso que este será o projeto da minha vida”, disse o aquariofilista, nessa altura, encarando a criação como a síntese da sua visão estética e filosófica.
Takashi viria a morrer no Japão quatro meses após a inauguração da exposição, a 4 de agosto de 2015. Com a sua morte, a obra adquiriu um significado particularmente emotivo e intenso, traduzindo-se no seu derradeiro gesto criativo, no qual procurou reunir os elementos da natureza num equilíbrio vivo e em permanente transformação.
Hugo Batista, Curador e Diretor de Biologia, Oceanário de Lisboa.
O crescimento das plantas, o rearranjo natural dos elementos e a evolução do ecossistema são partes integrantes da visão de Takashi Amano. O tempo é, portanto, um elemento estrutural da obra. Encerrar este ciclo é, por isso, coerente com a filosofia wabi-sabi que lhe deu origem: aceitar o efémero como parte da beleza e permitir que a evolução continue, sob novas formas.
Os bastidores das Florestas Submersas
A despedida, todavia, será marcada por um conjunto de iniciativas especialmente preparadas para desafiar os visitantes a redescobrir novas dimensões das “Florestas Submersas by Takashi Amano”.
Entre as atividades previstas destacam-se as sessões de poda subaquática ao vivo, que revelam o cuidado contínuo para manter o equilíbrio do aquário, e as visitas guiadas aos bastidores, que permitem conhecer os processos técnicos e a dedicação da equipa responsável pela manutenção deste complexo ecossistema.
O programa visa oferecer uma perspetiva rara sobre a dimensão invisível da obra, reforçando o seu carácter vivo e em constante mutação. As sessões de poda ainda não têm datas confirmadas, mas as visitas aos bastidores acontecem todas as quartas-feiras até 24 de junho.

O Oceanário de Lisboa, entretanto, já está a desenvolver um novo projeto expositivo para este espaço. A obra ainda está no segredo dos deuses, mas os promotores asseguram que será, acima de tudo, “uma experiência imersiva, capaz de despertar curiosidade e uma relação profunda com a natureza”, remata o comunicado do oceanário.
Referência da notícia
Consulte o website do Oceanário de Lisboa para obter mais informação sobre o calendário e os horários das iniciativas especiais que revelam os bastidores das “Florestas Submersas by Takashi Amano”
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