Gritos, caos e carros arranhados: a invasão de pavões que está a chocar o mundo

Esta vila em Itália está fora de controlo. Os culpados? São os pavões. Perceba como dezenas de pavões invadiram as ruas, perturbam o descanso, danificam carros e dividem a população.

Os pavões tomaram conta desta vila italiana e os moradores já não aguentam mais. Foto ilustrativa: Unsplash
Os pavões tomaram conta desta vila italiana e os moradores já não aguentam mais. Foto ilustrativa: Unsplash

Uma pequena vila no norte de Itália está a chamar a atenção, mas não pelas praias ou paisagens de sonho. Em vez disso, está “nas bocas do mundo” devido a pavões. Sim, isso mesmo.

Dezenas de pavões a passear livremente entre carros, jardins e estradas. É este o motivo inusitado que coloca Punta Marina nas manchetes das últimas notícias.

Conhecida pelas praias na costa do Mar Adriático, Punta Marina, no município de Ravenna, região de Emilia-Romagna, convive há anos com a presença de pavões. O aumento da população das aves nos últimos anos, contudo, tem vindo a preocupar os habitantes locais e a dividir opiniões.

De um lado, temos os que acham que os pavões devem ser deixados em paz. Do outro, aqueles que querem que sejam levados para outras paragens.

De símbolo da aldeia, a terror do locais

Há mais de dez anos que os pavões circulam em Punta Marina. Estes animais tornaram-se mesmo uma imagem característica da cidade e despertam a curiosidade de turistas e crianças. No entanto, a presença constante das aves também tem causado alguns incómodos entre os moradores, sobretudo devido ao barulho que produzem e aos problemas de limpeza associados.

Em tempos, os pavões eram vistos como animais especiais e até surgiam representados nos famosos mosaicos de Ravena, onde simbolizavam a imortalidade.

O que é que mudou? Antes viviam num pinhal perto da aldeia, mas acabaram por se aproximar das zonas habitadas à procura de proteção contra predadores, passando a instalar-se nos jardins de casas abandonadas.

Segundo Francesca Impellizzeri, vereadora responsável pela área dos direitos dos animais, em 2023 estavam registados cerca de 30 pavões no município. Agora, embora não exista uma contagem oficial, estima-se que existam cerca de 120 pavões na região.

"Quando tivermos conhecimento dos números, tentaremos entender, junto da comunidade e das associações de direitos dos animais, que ações tomar", explicou, citada pelo canal italiano ‘Sky TG24’.

Os pavões andam livremente pelas estradas. Foto: Wikimedia // Discanto
Os pavões andam livremente pelas estradas. Foto: Wikimedia // Discanto

Isto porque a situação se tem agravado nos últimos tempos, principalmente com a chegada da primavera. É que é neste período que ocorre o acasalamento dos pavões e os sons emitidos durante a noite tornam-se mais frequentes, afetando o descanso da população.

O som emitido pelos machos é semelhante a um “grito extremamente alto.”

"Perturbam o sono, perturbam o trânsito e sujam o chão com excrementos que parecem gelado, os quais acabamos por pisar", queixou-se à agência de notícias ‘Agence France-Presse’ (AFP)’ Marco Manzoli, habitante local. "Além disso, sobem para os carros e arranham-nos", lamenta.

De acordo com a mesma fonte, os turistas já não passam ali férias, “a não ser que tenham uma garagem para estacionar o carro”.

Segundo o pasteleiro Claudio Ianieiro, os animais vivem há muito tempo na floresta de pinheiros atrás da aldeia e sempre foram um marco da região (já inspiraram ímanes e até biscoitos com o seu formato). No entanto, começaram a invadir a cidade à procura de maior segurança contra os predadores. Como resultado, passaram a fazer ninhos nos jardins de casas abandonadas.

“Lá fora, têm muitos inimigos naturais, como lobos e raposas. Aqui, no entanto, não têm nenhum, e estão a proliferar de uma forma difícil de controlar”, explicou.

Punta Marina é conhecida pelas praias, mas são os pavões que têm chamado a atenção. Foto: Ravenna Turismo
Punta Marina é conhecida pelas praias, mas são os pavões que têm chamado a atenção. Foto: Ravenna Turismo

Mara Capasso, outra moradora, disse que o problema com as aves acabou por “dividir a região em duas fações”: uma que quer que os animais sejam deixados em paz, e outra que quer que sejam levados para outro lugar.

É o caso de Emanuele Crescentini, uma moradora de 50 anos que se autointitula “guarda-florestal” dos pavões. Todos os dias percorre as ruas da localidade para proteger as aves de vizinhos mais irritados. Para ela, é possível existir uma convivência equilibrada entre pessoas e animais. “Há muito espaço em Punta Marina, eles podem espalhar-se”, defende.

As tentativas para resolver a situação

Ao longo dos últimos anos, a Câmara Municipal de Ravena tem tentado encontrar formas de controlar a presença dos pavões em Punta Marina. Em 2022, por exemplo, foi feita uma tentativa para retirar algumas aves da zona, mas o plano acabou por não avançar devido à oposição de associações de defesa animal.

Mais recentemente, em 2024, a autarquia optou por uma abordagem diferente e lançou uma campanha para ensinar moradores e turistas a conviver melhor com os pavões. Uma das principais recomendações é simples: não alimentar as aves, para evitar que se instalem junto das casas e criem colónias permanentes.

Entretanto, a autarquia revelou que uma nova estratégia tem dado resultados mais positivos: várias pessoas de diferentes zonas de Itália já demonstraram interesse em adotar alguns dos pavões.

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