Este parque é considerado o “mais bonito do Oeste”. Saiba porquê
Entre árvores centenárias, um lago e edifícios históricos, este espaço verde esconde mais de dois séculos de histórias. O melhor? Tem entrada gratuita.

Se há parques que servem apenas para atravessar a cidade, o Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, está longe de ser um deles. Aqui há caminhos para percorrer com calma, um lago, árvores de grande porte, edifícios históricos e até um museu dedicado a um dos grandes nomes da pintura portuguesa.
Não foi por acaso, afinal, que a revista 'NiT' o descreveu recentemente como “o parque mais bonito do Oeste”. Sim, leu bem.
A publicação destacou precisamente a combinação entre natureza, história e a ligação às antigas práticas termais da cidade. E há outro argumento difícil de ignorar: a entrada é gratuita.
Hoje é um espaço público onde se cruzam moradores, famílias, visitantes, quem vai simplesmente dar uma volta e quem aproveita os caminhos arborizados para fazer algum exercício. Mas nem sempre foi assim.
Antes do parque, havia um passeio para os doentes das termas
A história começa muito antes de o Parque D. Carlos I ter o aspeto atual. No final do século XVIII, a cidade já estava profundamente ligada ao termalismo. Foi precisamente nessa altura que a ideia de que os tratamentos não terminavam quando os doentes saíam das águas começou a ganhar importância.
Por isso mesmo, em 1799, foi criado o chamado Passeio da Copa. Do que é que estamos a falar? De um local pensado para proporcionar aos aquistas um espaço onde pudessem caminhar e passar algum tempo ao ar livre durante a estadia nas Caldas da Rainha.
A grande transformação, contudo, chegaria já no final do século XIX. Em 1888, o arquiteto Rodrigo Berquó assumiu a administração do Hospital Termal e avançou com um ambicioso projeto para modernizar a estância. A ideia passava também por criar melhores espaços de lazer e recreio para quem procurava as Caldas para tratamentos.

Foi assim que o antigo Passeio da Copa começou a ganhar uma nova dimensão, com árvores, alamedas, um grande lago e diferentes equipamentos de recreio.
Sim, porque Berquó imaginou um espaço bastante mais ambicioso do que um simples jardim. O projeto incluía áreas destinadas a diferentes atividades, desde passeios de barco até desporto e música, acompanhando a transformação das Caldas da Rainha numa estância termal moderna e concorrida.
E há uma parte particularmente curiosa desta história: os grandes pavilhões que ainda hoje se encontram no parque foram projetados para integrar a reforma do Hospital Termal e receber enfermarias. No entanto, nunca chegaram a desempenhar essa função. Ao longo das décadas tiveram, sim, diferentes utilizações, incluindo funções educativas, militares e culturais.
Um lago, um museu e árvores com muita história
Hoje, não é preciso conhecer toda esta história para perceber que o Parque D. Carlos I é diferente de um jardim urbano convencional.
E claro que o lago artificial é provavelmente o elemento mais reconhecível. Porquê? Porque ocupa uma posição central e é acompanhado por caminhos e zonas verdes que convidam a dar a volta sem grande pressa.
A Casa dos Barcos, junto à água, é outra das construções que fazem parte da identidade do parque. O espaço inclui ainda um coreto e diversas estruturas que recordam as diferentes fases da sua utilização.
“O lago é uma das imagens mais reconhecíveis do Parque D. Carlos I”, lê-se na revista ‘NiT’. “Rodeado por vegetação e percursos pedonais, tornou-se um dos pontos de paragem obrigatória para quem visita o espaço. A Casa dos Barcos é outra das estruturas que ajudam a compor o cenário.”

Depois há a vegetação. O parque reúne uma grande variedade de espécies e árvores de grande porte, algumas já com muitas décadas, criando zonas bastante diferentes entre si.
Para quem gosta de história e cultura, existe ainda outro motivo para ficar por aqui: o Museu José Malhoa. Instalado dentro do próprio parque, é dedicado ao pintor naturalista português e reúne uma importante coleção de pintura, escultura e desenho.
É, por isso, perfeitamente possível transformar uma visita ao parque num pequeno passeio cultural. Primeiro percorrem-se as alamedas, depois visita-se o museu e, pelo caminho, ainda há tempo para observar o lago, os edifícios históricos e a própria diversidade da vegetação. E nem é preciso preparar um programa complicado.
Uma experiência simples, mas completa
“Hoje, a experiência é bastante mais simples. Não é necessário marcar tratamento nem pagar bilhete para entrar no Parque D. Carlos I.”
O parque fica no centro das Caldas da Rainha e pode facilmente ser incluído num passeio pela cidade, antes ou depois de uma passagem pela Praça da Fruta, pelo Hospital Termal ou por outros pontos de interesse.
Esqueça a ideia de que são apenas os aquistas que percorrem estes caminhos entre tratamentos. Hoje, o parque pertence à rotina da cidade e está aberto a quem quiser simplesmente passear, levar os miúdos, fazer exercício, sentar-se junto ao lago ou conhecer um pouco melhor a história das Caldas da Rainha. O melhor é que o parque é gratuito.