De abril até novembro tem oito sábados para conhecer as árvores mais emblemáticas do Porto

É já neste sábado, 18 de abril, que arranca a Rota das Árvores, uma oportunidade única para explorar jardins e quintas do município e descobrir algumas das 228 árvores classificadas na cidade.

A edição de 2026 da Rota das árvores do Porto arranca com uma visita aos jardins do Palácio de Cristal. Foto: manueladlramos, CC BY-NC-SA 2, via Flickr
A edição de 2026 da Rota das árvores do Porto arranca com uma visita aos jardins do Palácio de Cristal. Foto: manueladlramos, CC BY-NC-SA 2, via Flickr

Até novembro, este é o programa para os sábados dos próximos oito meses: oito rotas para conhecer sobreiros, araucárias, tulipeiros, teixos, metrosíderos, plátanos, entre muitas outras espécies, que fazem parte do património arbóreo da cidade do Porto.

A Rota das Árvores do Porto está prestes a começar e, entre as 228 árvores classificadas na cidade, há muito a descobrir. As visitas são conduzidas por especialistas que, ao longo dos passeios, irão partilhar a história e as curiosidades botânicas dos diferentes jardins e espaços verdes visitados.

"Uma oportunidade única para conhecer de perto núcleos arbóreos de elevado valor e compreender o passado, presente e futuro destes lugares que moldam a identidade do Porto
Câmara Municipal do Porto

Dinamizada pelo município, no âmbito dos projetos FUN Porto, Florestas Urbanas Nativas no Porto e Futuro - 100 Mil Árvores na Área Metropolitana do Porto, esta é uma iniciativa que tem como missão divulgar e promover os recursos naturais e culturais existentes no território do município, sejam eles de gestão pública ou privada.

Entre carvalhos, plátanos e camélias

A primeira visita temática, no dia 18, arranca com uma caminhada pelos espaços exteriores do Palácio de Cristal para conhecer os jardins da primeira “Expo” do país que, em 1865, deslumbrou a cidade com mais de três mil expositores.

Segue-se a Quinta da Macieirinha, onde predominam fontes em granito e as altas copas de carvalhos e plátanos, entre as quais um magnífico plátano híbrido (Platanus x acerifólia) com mais de 100 anos. Esta quinta do século XVII possui ainda dois terraços em varanda – o poente, composto por um jardim de buxo e rosas, e um nascente, onde se destacam os arruamentos bordejados por camélias.

Ladeando a Casa de Marta Ortigão Sampaio, estão espécies de magnólias e um cedro do Atlas, entre variada flora de grande interesse para o município do Porto. Foto: António Alves/Museu do Porto
Ladeando a Casa de Marta Ortigão Sampaio, estão espécies de magnólias e um cedro do Atlas, entre variada flora de grande interesse para o município do Porto. Foto: António Alves/Museu do Porto

Entre histórias de árvores centenárias e reis exilados, haverá ainda tempo para conhecer a Casa Tait que, ao estilo “very British”, alberga camélias, tulipeiros-da-Virgínia e uma magnólia de flores grandes.

Um mês depois, a 16 de maio, as visitas são retomadas com um percurso que começa na casa da sobrinha de Aurélia de Sousa. Uma habitação nunca estreada, onde se escondem um lago e um jardim de árvores de papel.

O passeio segue para o jardim da residência de Marta Ortigão Sampaio, onde se encontram pedras trabalhadas do convento de S. Bento de Avé-Maria, um pequeno lago e flora abundante, como espécies de magnólias e um cedro do Atlas.

A visita continua até à Praça de Mouzinho de Albuquerque, mais conhecida por Rotunda da Boavista, que já acolheu a Feira de São Miguel, em 1876, as Feiras do Livro até 2010, tendo ainda sido um polo importante das Festas Sanjoaninas. A caminhada termina, por fim, onde tudo acaba, debaixo de sete palmos de terra, em Agramonte, num cemitério romântico que nasceu da cólera.

O testemunho vivo de espécimes centenárias

Há ainda mais seis rotas a explorar, cujos percursos serão divulgados pela autarquia em datas mais próximas da sua realização. A iniciativa tem como objetivo, no final de cada edição, promover o reconhecimento das árvores como “testemunhas vivas, património e protagonistas discretas do espaço urbano”, sublinha o município em comunicado.

No território portuense, estão classificados 228 exemplares ou conjuntos arbóreos de Interesse Público, incluindo árvores isoladas, maciços e alamedas, abrangendo espécies como palmeiras, araucárias, tulipeiros, metrosíderos, teixos e plátanos, entre outras.

Entre espécimes centenários, de grande porte, raros em ambientes urbanos ou com relevância histórica, estas árvores distinguem-se pelo seu valor singular, sendo por isso reconhecidas com um estatuto equiparável ao do património edificado.

É o caso das palmeiras-de-leque da Califórnia, plantadas na Praça Mouzinho de Albuquerque, e também das palmeiras-de-leque do México, nos Jardins do Palácio de Cristal — conjuntos com mais de um século de existência —, bem como do metrosídero junto à Biblioteca Municipal Almeida Garrett, que evoca os tempos áureos dos jardins do palácio e é considerado pela autarquia “o exemplar da espécie com maior expressão individual na cidade”.

O município do Porto conta com 228 exemplares ou conjuntos arbóreos de Interesse Público, incluindo os Tulipeiros da Virgínia, da Praça de Pedro Nunes. Foto: Reis Quarteu - Own work, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
O município do Porto conta com 228 exemplares ou conjuntos arbóreos de Interesse Público, incluindo os Tulipeiros da Virgínia, da Praça de Pedro Nunes. Foto: Reis Quarteu - Own work, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Tudo esse rico património poderá ser conhecido ao longo de oito roteiros em 2026, mas a Câmara Municipal do Porto já anunciou, entretanto, que já está a programar a continuação desta edição, em 2027, entre janeiro e abril.

Referência do artigo

Rota das Árvores do Porto – Edição 2026

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