Da Polónia a Itália a pé: este novo trilho atravessa seis países europeus
Do mar Báltico ao Adriático, a rota passa por praias, florestas, cidades históricas e montanhas. Mas, atenção, porque o desafio tem quase 3.500 quilómetros.

Há quem atravesse a Europa de avião, de comboio ou de carro. E depois há quem decida fazê-lo a pé, com uma mochila às costas e muitos, muitos quilómetros pela frente. O Wolf Trail (Trilho do Lobo) é o novo desafio para quem leva o gosto por caminhadas a sério. Feitas as contas, são quase 3.500 quilómetros entre o mar Báltico e o Adriático, atravessando seis países.
Sim, leu bem. É caso para dizer que esta não se trata de uma caminhada para encaixar num fim de semana prolongado. Aliás, percorrer o trajeto completo pode exigir entre quatro e seis meses, dependendo do ritmo e das paragens.
O percurso liga a península de Hel, na Polónia, a Trieste, em Itália, passando pela Alemanha, Suíça, Áustria e Eslovénia. Ao todo, soma cerca de 3.493 quilómetros e mais de 78.400 metros de desnível positivo. Para ter uma ideia da dimensão do desafio, é como acumular uma subida equivalente a quase nove vezes a altitude do Monte Evereste.
De praias do Báltico aos Alpes
A aventura começa de forma relativamente simpática. A primeira secção percorre cerca de 430 quilómetros entre Hel e Świnoujście, acompanhando a costa báltica polaca.
Depois, o cenário começa gradualmente a mudar. A rota entra na Alemanha e atravessa diferentes paisagens do norte e centro do país, passando por zonas como a charneca de Lüneburg, a Floresta Negra e a região do Palatinado. Também há espaço para localidades históricas, aldeias e regiões vinícolas, numa mistura que faz com que o Wolf Trail seja muito mais do que uma sucessão de trilhos no meio da natureza.
A viagem prossegue até ao Lago de Constança e, a partir daí, começa a verdadeira aproximação aos Alpes. A sexta secção conduz os caminhantes em direção aos Alpes de Allgäu, terminando em Oberstdorf.
É na última parte, contudo, que o grau de exigência sobe consideravelmente. É que o percurso atravessa os Alpes, passa pelas Dolomitas e pelas montanhas dos Alpes Julianos, na Eslovénia, antes de chegar finalmente a Trieste.
O prémio no final da caminhada é bastante mais simples: chegar ao Adriático e, provavelmente, sentar-se.
Não precisa de tirar meio ano de férias
Apesar de o Wolf Trail ter sido pensado como uma grande travessia contínua, não é necessário reservar quatro a seis meses da sua vida para o fazer.
O percurso está dividido em sete secções, que podem ser realizadas separadamente. A primeira tem cerca de 430 quilómetros e as restantes variam entre aproximadamente 370 e 570 quilómetros. Assim, cada caminhante pode escolher apenas uma parte da rota e regressar noutra ocasião para continuar a aventura.

Há ainda pontos de entrada que permitem fazer caminhadas mais curtas, incluindo percursos de um dia ou primeiros troços de algumas dezenas de quilómetros. Ou seja, não precisa de se comprometer imediatamente com quase 3.500 quilómetros e uma mochila que parece pesar o dobro ao fim da primeira semana.
Aliás, a ideia por trás do projeto é precisamente popularizar o chamado ‘thru-hiking’, isto é, percorrer uma rota de longa distância de forma contínua, transportando consigo apenas o essencial e reabastecendo-se pelo caminho.
“Os caminhantes dependem de ficheiros GPX descarregáveis, mapeados em aplicações tecnológicas, para planear os reabastecimentos diários nas cidades e encontrar parques de campismo legais”, nota a ‘Time Out’.
Uma caminhada que exige planeamento
Mas aqui, a distância não é o único desafio. O desnível acumulado ultrapassa os 78.400 metros e as características do terreno vão mudando bastante ao longo do percurso.
Se os primeiros quilómetros, junto ao Báltico e no norte da Alemanha, são relativamente acessíveis, as coisas ficam bem diferentes quando a rota entra nas zonas alpinas.
Nas últimas secções existem passagens de montanha que podem atingir entre 2.500 e 3.000 metros de altitude. Por isso, a época do ano é uma questão importante. Os meses de inverno trazem neve e condições particularmente difíceis nas zonas montanhosas, sendo a janela entre a primavera e o início do outono a opção mais adequada para a travessia completa.
Também é necessário ter atenção às regras locais de campismo. O Wolf Trail foi desenhado ligando percursos que já existiam, incluindo partes de grandes trilhos europeus como o E1, o E9 e a Via Alpina, mas a possibilidade de montar tenda não é igual em todos os países. Na Alemanha, por exemplo, o campismo selvagem está sujeito a regras apertadas.

Por isso, a rota foi pensada para passar por locais onde os caminhantes podem pernoitar legalmente, incluindo parques de campismo, áreas de trekking, refúgios de montanha e localidades com diferentes opções de alojamento.
No fundo, a proposta é simples: transformar vários trilhos numa única grande aventura europeia, permitindo atravessar seis países sem precisar de entrar num carro para passar de uma paisagem para outra.
E não se preocupe. Do ponto de vista da segurança, a rota foi testada pela canadiana Lauren Roerick. A caminhante de longa distância conta com mais de 13.000 quilómetros percorridos em trilhos como o Pacific Crest Trail, o HexaTrek e o Te Araroa. Em 2026, participou na avaliação do Wolf Trail, analisando as condições do percurso e os desafios práticos associados a uma travessia desta dimensão.
Referência da notícia
Time Out, Teeling, R. (2026). Há um novo trilho que atravessa seis países europeus.
EuroNews. (2026). Polónia a Itália: novo trilho de 3 500 km atravessa seis países europeus.
NiT, Oliveira, E. (2026). Só para os mais aventureiros: há um novo trilho na Europa que atravessa seis países.