Tempo em Portugal para a última semana de agosto: uma nova frente poderá trazer mais chuva a partir de quarta-feira 26

Após a passagem da depressão atlântica pouco habitual para agosto na nossa latitude entre domingo (23) e segunda-feira (24), é possível que uma nova frente traga mais períodos de chuva a Portugal continental a partir de quarta-feira (26).

Tudo indica que a última semana de agosto em Portugal continental registará características mais típicas do tempo de outono, com temperaturas inferiores à média e precipitação acima do normal para a época do ano.
Tudo indica que a última semana de agosto em Portugal continental registará características mais típicas do tempo de outono, com temperaturas inferiores à média e precipitação acima do normal para a época do ano.

É cada vez maior a probabilidade de um período mais húmido e chuvoso do que o normal na última semana de agosto em Portugal continental.

Os mapas de referência da Meteored, baseados nas últimas e sucessivas atualizações do ECMWF - modelo da nossa maior confiança - têm vindo a apresentar, com frequência crescente, cenários compatíveis com a ocorrência de chuva no nosso país ao longo da última semana de agosto, pelo menos entre os dias 24 e 26, e com possibilidade de os períodos de instabilidade se prolongarem para além de quarta-feira (26).

As anomalias de precipitação previstas para a última semana de agosto evidenciam valores claramente acima da média climatológica de referência, com o sinal positivo (país 'manchado' em tons de verde) a reforçar a consistência de uma semana que se prevê tendencialmente chuvosa, algo invulgar num mês de verão como o de agosto.
As anomalias de precipitação previstas para a última semana de agosto evidenciam valores claramente acima da média climatológica de referência, com o sinal positivo (país 'manchado' em tons de verde) a reforçar a consistência de uma semana que se prevê tendencialmente chuvosa, algo invulgar num mês de verão como o de agosto.

Pese embora o facto de alguns cenários projetarem acumulações de precipitação elevados nalgumas regiões, a incerteza mantém-se elevada quanto à distribuição e em que períodos choverá mais ou menos. A Climatologia “conta-nos” que agosto é um dos meses habitualmente mais secos do ano em Portugal. Não obstante, caso este cenário efetivamente se confirme, estaremos perante uma mudança significativa face ao padrão climatológico normal para a época do ano.

Eis o que mostram os nossos mapas a curto e médio prazo

A partir de domingo (23) prevê-se uma mudança abrupta no estado do tempo em Portugal continental devido à chegada de uma depressão atlântica algo “atípica” para um mês de agosto e para as nossas latitudes, e atualmente situada a nordeste do arquipélago dos Açores.

Depressão "atípica" para um mês de agosto no próximo domingo, dia 23, posicionada a oeste de Portugal continental.
Depressão "atípica" para um mês de agosto no próximo domingo, dia 23, posicionada a oeste de Portugal continental.

Entre os seus principais efeitos estarão períodos de chuva fraca a moderada e pontualmente intensa, e vento forte, sendo mais frequentes e intensos nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, embora os mapas de referência da Meteored sugiram que toda a geografia de Portugal continental deva ser alcançada pelas frentes e linhas de instabilidade associadas ao sistema, especialmente no decorrer de segunda-feira (24).

No domingo (23) a precipitação deverá ocorrer no litoral e regiões mais ocidentais do país, mais provável a partir da tarde. O vento Sul poderá atingir rajadas de até 60/70 km/h, sobretudo nas áreas mais expostas, e em particular durante a passagem da fase mais ativa da depressão, entre o final da manhã e durante a tarde de segunda-feira, 24 de agosto.

Na terça-feira (25) prevê-se uma melhoria gradual do estado do tempo, embora as “tréguas” possam ser de curta duração. O que poderá vir depois?

Terça de transição entre estados do tempo; novo episódio de chuva na quarta

Apesar de estar prevista uma gradual estabilização do estado do tempo na terça (25), ainda poderão ocorrer períodos de chuva fraca até ao meio da tarde desse dia nalgumas regiões, especialmente no Norte e Centro.

Possível distribuição geográfica da probabilidade de precipitação para a próxima quarta-feira, 26 de agosto.
Possível distribuição geográfica da probabilidade de precipitação para a próxima quarta-feira, 26 de agosto.

Entretanto, os nossos mapas revelam a possibilidade de a partir da manhã de quarta-feira (26) uma nova frente, associada a outra depressão que se formará entre o Golfo da Biscaia e as Ilhas Britânicas, poder gerar novos períodos de chuva por todo o país, detetando-se o potencial para uma progressiva expansão da precipitação de oeste para leste.

Neste mapa, que compreende o período entre as 16:00 de hoje e as 22:00 de quarta-feira (26), observa-se uma possível distribuição da chuva acumulada. Caso o cenário aqui observado se confirme, haverá um contraste nítido entre as regiões situadas a norte e a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, com alguns locais do Minho a poder acumular até perto de 65 mm.
Neste mapa, que compreende o período entre as 16:00 de hoje e as 22:00 de quarta-feira (26), observa-se uma possível distribuição da chuva acumulada. Caso o cenário aqui observado se confirme, haverá um contraste nítido entre as regiões situadas a norte e a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, com alguns locais do Minho a poder acumular até perto de 65 mm.

De momento, é expectável para quarta-feira (26) que as zonas situadas a oeste da Barreira de Condensação, mais expostas aos ventos húmidos de oes-sudoeste, possam ser as mais regadas. Deste modo, os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e setores ocidentais de Vila Real e Viseu seriam as zonas de Portugal continental onde potencialmente se registariam os valores mais elevados de chuva acumulada.

Não obstante, é provável que a previsão ainda mude substancialmente, sofrendo ajustes espaciais e temporais decorrentes da trajetória da depressão e das frentes associadas, que modificariam a distribuição e intensidade da chuva e vento atualmente previstos.