Uma grande gaiola de Faraday: a física que protege os visitantes da Torre Eiffel quando um raio a atinge

Estar perto de objetos metálicos durante uma tempestade elétrica não é a melhor das ideias. Mas algumas estruturas metálicas podem proteger-nos. Descobre em que consiste o efeito de gaiola de Faraday que se verifica na Torre Eiffel.
27 de junho de 2026. Uma tempestade intensa com grande atividade elétrica formou-se sobre Paris, cidade que, tal como tantas outras na Europa, tem vivido uma onda de calor sufocante com temperaturas recorde.
As imagens são impressionantes: raios a atingir o topo da Torre Eiffel, um dos pontos mais altos da capital francesa, com 330 metros de altura desde o solo até ao topo dos seus pára-raios.
E embora a ideia de estar perto de algo metálico durante uma tempestade elétrica possa parecer perigosa, encontrar-se dentro da Torre Eiffel pode mantê-lo a salvo: sem que muitos saibam, esta gigantesca estrutura metálica é um dos locais mais seguros para se estar no meio de uma tempestade elétrica como a que se viveu recentemente em Paris. E isso deve-se a uma razão física.
A gaiola de Faraday
Todos os metais são condutores de eletricidade — uns mais eficientes do que outros, claro. A Torre Eiffel, aquela enorme estrutura construída com ferro pudelado, não é exceção. Mas isto também lhe confere uma vantagem certa na hora de atrair os raios atmosféricos que se produzem durante as tempestades: as pessoas no seu "interior" ficam protegidas da poderosa descarga elétrica dos raios, pois toda a estrutura funciona como uma gigantesca gaiola de Faraday.
O ferro pudlado, também conhecido como ferro forjado, é um tipo de ferro com baixo teor de carbono, obtido através de um processo de fundição, no qual o carbono e as impurezas do metal eram reduzidos pelo oxigénio durante a fundição. É muito resistente à corrosão, fácil de rebitagem e forjamento. Foi um dos materiais estruturais mais utilizados antes de o aço se ter popularizado.
Uma gaiola de Faraday é uma estrutura metálica que, em vez de permitir que a corrente a atravesse, facilita o movimento da corrente pela parte externa, mantendo o campo elétrico afastado — e, com isso, mantendo as pessoas e os objetos em segurança — na parte interna. Este efeito ocorre na Torre Eiffel, mas também noutras estruturas e objetos de menor dimensão.

É precisamente por este motivo que os automóveis são conhecidos como um dos locais mais seguros onde se pode estar durante uma tempestade elétrica, porque, se o veículo for atingido por um raio, a corrente circulará pela parte exterior, dissipando-se no solo e não afetando as pessoas no interior (desde que não estejam em contacto direto com peças metálicas).
Os aviões também funcionam como uma gaiola de Faraday quando são atingidos por um raio, e as pessoas não sentem o efeito da corrente que passa pela superfície exterior.
Os raios caem, de facto, mais do que uma vez no mesmo local
Segundo dados do portal oficial da Torre Eiffel, a estrutura é atingida por raios, em média, cerca de 5 vezes por ano. Apesar disso — e seguindo as medidas de segurança impostas às visitas a este ponto turístico —, esta grande estrutura de ferro é muito segura.

A estrutura metálica da torre é submetida a manutenção de rotina para evitar a oxidação e dispõe de 4 pára-raios na sua parte superior, ligados a um sistema de condutores (cabos) que conduzem a descarga elétrica dos raios das tempestades diretamente para o solo, de forma segura.
A construção deste ícone parisiense teve início em 1887 e demorou mais de dois anos a ser concluída. Foi oficialmente aberta ao público em 1889, como atração da Exposição Universal de Paris, no âmbito do centenário da Revolução Francesa.
Referência da notícia
Société d'Exploitation de la Tour Eiffel. La Torre Eiffel (sitio web oficial).