Poluição do ar associada ao aumento de gordura e perda de massa muscular em idosos

Estudo em Espanha revela que o carbono negro é o principal poluente associado à degradação da composição corporal em idosos. Saiba mais aqui!

O carbono negro (BC), um marcador direto da combustão do tráfego automóvel, é considerado potencialmente mais tóxico do que as partículas finas gerais.
O carbono negro (BC), um marcador direto da combustão do tráfego automóvel, é considerado potencialmente mais tóxico do que as partículas finas gerais.

O objetivo principal seria examinar a relação entre a exposição prolongada a poluentes atmosféricos e a composição corporal (massa gorda total, gordura visceral e massa magra) em adultos mais velhos com excesso de peso ou obesidade e síndrome metabólica.

A investigação fundamenta-se na hipótese de que indivíduos com excesso de peso podem ser mais vulneráveis aos efeitos nocivos da poluição, devido a mecanismos de stress oxidativo e inflamação crónica.

A avaliação da composição corporal e a avaliação de poluição

A investigação analisou dados de 1.454 adultos espanhóis (com idades entre 54 e 75 anos, sendo 48% mulheres) integrados no ensaio clínico PREDIMED-Plus.

Os investigadores utilizaram as seguintes ferramentas:

  • Avaliação da composição corporal: foram realizados exames de DXA (absorciometria de raios-X de dupla energia) no início do estudo e após 1 e 3 anos de seguimento para medir com precisão a gordura e a massa magra.
Pessoas com obesidade são mais vulneráveis porque inalam mais ar por dia e por cada respiração do que pessoas com peso normal, o que resulta numa dose total de poluentes depositada nos pulmões mais elevada. Imagem gerada por IA.
Pessoas com obesidade são mais vulneráveis porque inalam mais ar por dia e por cada respiração do que pessoas com peso normal, o que resulta numa dose total de poluentes depositada nos pulmões mais elevada. Imagem gerada por IA.
  • Avaliação da poluição: a exposição anual foi estimada com base no endereço residencial dos participantes, focando-se em três poluentes: carbono negro, partículas finas e dióxido de azoto.

Os modelos foram ajustados para fatores como idade, sexo, atividade física, tabagismo, dieta e educação.

Será que existe uma associação entre a poluição e a massa corporal?

Os resultados indicam uma associação clara entre a poluição e a deterioração da composição corporal ao longo de três anos:

Aumento da massa gorda e perda de massa magra: níveis mais elevados de poluição foram associados a uma maior percentagem de gordura corporal e a uma menor massa magra, tanto no início como após 3 anos.

Hierarquia de poluentes: as associações foram mais fortes para o carbono negro, seguido pelas partículas finas e mais fracas para o dióxido de azoto.

O aumento da gordura visceral (a mais perigosa para o coração) associado à poluição só foi detetado em participantes com menos de 65 anos. Imagem gerada por IA.
O aumento da gordura visceral (a mais perigosa para o coração) associado à poluição só foi detetado em participantes com menos de 65 anos. Imagem gerada por IA.

Gordura visceral (VAT): curiosamente, o aumento da gordura visceral associado à poluição foi observado apenas em participantes com menos de 65 anos. Os investigadores sugerem que isto se deve à maior plasticidade do tecido adiposo em indivíduos ligeiramente mais jovens.

Diferenças geográficas: Barcelona apresentou os níveis mais elevados de poluição, enquanto León e Pamplona/Navarra registaram os níveis mais baixos entre os centros analisados.

A poluição do ar pode promover a acumulação de gordura e a perda muscular através do stress oxidativo, que induz disfunção mitocondrial no músculo esquelético e inflamação no tecido adiposo.

Além disso, a poluição pode agravar a resistência à insulina.

Em conclusão, a exposição prolongada à poluição atmosférica, especialmente a derivada do tráfego (carbono negro), é um fator de risco significativo para a saúde metabólica de adultos mais velhos vulneráveis, contribuindo para o ganho de gordura e a sarcopenia (perda de músculo). Estes achados reforçam a necessidade de considerar fatores ambientais nas estratégias de envelhecimento saudável.

Referência da notícia:

Ariadna Curto, Jadwiga Konieczna, Antoni Colom, Itziar Abete, Kees de Hoogh, Gerard Hoek, Jordi Salas-Salvadó, J. Vicente Martín-Sánchez, Ramón Estruch, Josep Vidal, Estefania Toledo, Jesús F. García-Gavilán, José Antonio de Paz, Rosa Casas, Nuria Goñi-Ruiz, Héctor Vázquez-Lorente, Montserrat Fitó, J. Alfredo Martínez, Dora Romaguera; Long-term Air Pollution and Overall and Regional Body Composition in Older Adults With Overweight or Obesity and Metabolic Syndrome. Diabetes Care 2026; dc252497. https://doi.org/10.2337/dc25-2497

https://www.agenciasinc.es/Noticias/La-exposicion-prolongada-a-la-contaminacion-del-aire-se-asocia-con-un-aumento-de-grasa-corporal

Não perca as últimas notícias da Meteored e desfrute de todo o nosso conteúdo no Google Discover totalmente GRÁTIS

+ Siga a Meteored