Piscar desempenha um papel fundamental na perceção visual, revela uma nova investigação

O ato de piscar os olhos desempenha um papel fundamental na perceção visual, revela uma nova investigação. Parece fazer muito mais do que apenas manter os olhos lubrificados.

A nova investigação sugere que a visão é mais parecida com outros sentidos, como o tato e a audição, onde o movimento desempenha um papel fundamental na forma como percebemos as coisas.
A nova investigação sugere que a visão é mais parecida com outros sentidos, como o tato e a audição, onde o movimento desempenha um papel fundamental na forma como percebemos as coisas.
Lee Bell
Lee Bell Meteored Reino Unido 4 min

Os investigadores fizeram uma descoberta importante sobre o ato comum de piscar. Segundo um novo estudo realizado pela Universidade de Rochester, piscar faz muito mais do que apenas manter os olhos lubrificados: desempenha um papel crucial na forma como processamos a informação visual.

Embora piscar ocorra com mais frequência do que o necessário para a mera lubrificação, Michele Rucci, professora do Departamento de Ciências do Cérebro e Cognitivas, sugeriu que há um propósito mais profundo.

"As piscadas reformatam efetivamente a informação visual, produzindo sinais de luminância que diferem dramaticamente daqueles normalmente experienciados quando olhamos para um ponto da cena", disse Rucci.

Rastreando os movimentos dos olhos

A equipa de investigação rastreou os movimentos dos olhos e combinou esses dados com modelação computacional e análise espectral para examinar como o piscar afeta a nossa visão em comparação com quando os nossos olhos estão totalmente abertos.

As descobertas revelaram que piscar ajuda a perceber mudanças maiores e mais graduais no campo visual. Este mecanismo fornece ao cérebro sinais importantes sobre o cenário visual mais amplo, melhorando a nossa perceção geral.

Os investigadores também descobriram que quando piscamos, o movimento rápido da pálpebra altera os padrões de luz que são eficazes na estimulação da retina. Isso cria um tipo diferente de sinal visual para o nosso cérebro em comparação com quando os nossos olhos estão abertos e focados num ponto específico.

"Mostramos que os observadores humanos beneficiam dos transientes de cintilação, conforme previsto a partir da informação transmitida por esses transientes", explicou Bin Yang, autor principal do estudo.

"Portanto, ao contrário da suposição comum, o piscar de olhos melhora, em vez de interromper, o processamento visual, compensando em grande parte a perda na exposição ao estímulo", disse Yang.

A visão é semelhante a outros sentidos

Basicamente, esta investigação inovadora mostra que piscar ajuda-nos a perceber melhor, compensando os momentos em que não conseguimos perceber quando os nossos olhos estão fechados.

Acredita-se que a investigação possa transformar a nossa compreensão de que a visão consiste simplesmente em receber informações sensoriais. Ela sugere que a visão é mais parecida com outros sentidos, como o tato e a audição, onde o movimento desempenha um papel fundamental na forma como percebemos as coisas.

Se a nova investigação nos ensinou alguma coisa, é que piscar é muito mais do que aparenta, dando-nos uma visão sobre as formas fundamentais como interagimos com o nosso ambiente visual. A ação subconsciente é inerentemente complexa e ao mesmo tempo crucial na perceção visual.

Referência da notícia:

Yang, B.; Intoy, J.; Rucci, M. Eye blinks as a visual processing stage. PNAS, v. 121, n. 15, 2024.