O impacto da seca extrema: como a extração de água do subsolo está a deslocar o eixo de rotação da Terra
A extração de água subterrânea está a deslocar ligeiramente o eixo de rotação da Terra: os cientistas explicam por que razão este fenómeno ocorre e desmontam o mito de uma inversão dos pólos.

O eixo da Terra é um tema muito recorrente nas redes sociais e em fóruns especializados, uma vez que é comum falar-se dele e de um possível deslocamento do mesmo em direção aos pólos. No entanto, a realidade científica é muito mais interessante e, ao mesmo tempo, muito menos dramática.
Várias investigações demonstraram que a captação intensiva de águas subterrâneas está a alterar ligeiramente a distribuição da massa terrestre. Deslocando alguns centímetros por ano o eixo de rotação geográfico do nosso planeta.
No entanto, este fenómeno não tem absolutamente nada a ver com uma inversão dos pólos magnéticos nem representa um risco para a estabilidade do planeta.
Por que é que a extração de água pode deslocar o eixo da Terra?
A Terra gira como um enorme pião, e qualquer redistribuição significativa da sua massa altera ligeiramente o seu equilíbrio, tal como acontece quando um patinador altera a posição dos braços durante uma pirueta.
️ La ESA publica el Aterrador Sonido de la Inversión del Campo Magnético de la Tierra.
— EXOPLANETAS Noticias de Ciencia y Tecnología (@ExoPlanetascom) October 11, 2024
Hace 41.000 años se produjo el Evento de Laschamp, una breve inversión del Campo Magnético Terrestre. Ahora un equipo de científicos recrea en sonido aquel evento. Te lo explico. Abro Hilo pic.twitter.com/kEFiIAEhqB
Quando se extraem grandes quantidades de água dos aquíferos para abastecimento urbano, agricultura ou indústria, essa massa deixa de ficar armazenada no subsolo e acaba por ser redistribuída pelo sistema hidrológico, chegando finalmente aos oceanos, rios ou à atmosfera através da evaporação.
Tudo isto pode parecer insignificante, mas a movimentação de milhares de milhões de toneladas de água por ano tem efeitos mensuráveis graças aos modernos satélites de observação da Terra.
O eixo geográfico muda, mas apenas alguns centímetros
Por um lado, existe o polo geográfico, que corresponde ao ponto onde o eixo de rotação corta a superfície terrestre. Este eixo não permanece completamente imóvel, mas sofre pequenos deslocamentos contínuos devido ao movimento do gelo, da água, da atmosfera ou mesmo a processos geológicos.
El Polo norte magnético de la Tierra fue descubierto por el cosmógrafo español Martín Cortés de Albacar, constatando la declinación magnética y la existencia de un polo magnético distinto del geográfico. pic.twitter.com/I09hPtfD9B
— La América española (@javierleoncio49) August 23, 2025
De acordo com estudos recentes, a captação mundial de águas subterrâneas entre 1993 e 2010 provocou um deslocamento do eixo geográfico de aproximadamente 4 centímetros por ano.
Pode parecer um deslocamento significativo, mas, na realidade, trata-se de uma variação extremamente pequena que só pode ser detetada através de instrumentos científicos de grande precisão.
Então, por que se fala numa inversão dos pólos?
Grande parte da confusão deve-se ao facto de existirem dois pólos completamente diferentes: o primeiro é o pólo geográfico, relacionado com a rotação da Terra; e o segundo é o pólo magnético, gerado pelo movimento do ferro líquido no núcleo externo do planeta, a quase 3 000 quilómetros de profundidade.
Os pólos magnéticos mudaram de posição muitas vezes ao longo da história geológica da Terra, tendo a última inversão completa ocorrido há aproximadamente 780 000 anos. Por outro lado, há cerca de 41 000 anos ocorreu o chamado evento Laschamp, uma alteração temporária do campo magnético que posteriormente voltou ao seu estado habitual.
O núcleo terrestre dita as regras
O campo magnético terrestre tem origem no núcleo externo, onde enormes correntes de ferro fundido geram o chamado efeito dínamo.
Trata-se de um sistema extremamente complexo que os cientistas ainda estão a investigar. Embora, nos últimos anos, o campo magnético se tenha enfraquecido ligeiramente, não há indícios de que estejamos à beira de uma nova inversão magnética.
Así es como el campo magnético de la Tierra protege al planeta de la radiación cósmica y las partículas cargadas emitidas por nuestro sol
— Ciencia y tecnología (@CienciaTecg) March 15, 2024
pic.twitter.com/z1AjWtoqym
E, acima de tudo, nenhum cientista associa esse comportamento à atividade humana na superfície terrestre.
Referência da notícia
Thibault Renard. (2026). Can pumping groundwater really flip Earth’s poles? An expert explains.