Adeus, veranico! Uma frente fria deverá pôr fim ao calor tardio em Portugal na terça-feira, 29 de setembro

Em poucos dias diremos adeus ao tempo quente, estável, seco e soalheiro que caracterizou quase todo o setembro. O ciclone-bomba que ‘nascerá’ no Atlântico Norte originará uma frente fria que trará chuva e vento a Portugal nos últimos dias do mês.
O veranico de São Miguel é um período do final de setembro geralmente caracterizado pela persistência de temperaturas elevadas. No entanto, este ano, praticamente todo o mês de setembro registou valores de temperatura acima da média, tendo sido muito seco, soalheiro e acompanhado por condições anticiclónicas - de grande estabilidade atmosférica.

O Dia de São Miguel Arcanjo é celebrado anualmente a 29 de setembro por todos os cristãos crentes e devotos (e pelos fiéis seguidores da Igreja Católica). Este ano 2026 o aspeto mais curioso desta efeméride é que coincidirá justamente com uma mudança significativa do tempo para um ambiente tipicamente mais outonal.
Deste modo, na próxima terça-feira, 29 de setembro, estaremos perante um dia normal de outono em Portugal continental, com chuva, vento e temperaturas significativamente mais frescas.
O que significa em meteorologia um ciclone-bomba?
Dentro de poucos dias uma depressão muito profunda irá formar-se no Atlântico Norte a partir da fusão de dois centros de baixas pressões.

De acordo com os mapas da Meteored, a sua formação ocorrerá entre segunda (28) e terça-feira (29) quando o núcleo de uma depressão mais a sul - com ar subtropical (quente) - se fundir com o núcleo de outra depressão mais a norte - com ar polar (frio) - originando uma única depressão, cujo centro eventualmente se tornará muito cavado (ciclone-bomba).

Antes de tudo, convém esclarecer que o termo ciclone possui o mesmo significado de depressão, pelo que ambas as designações dizem respeito ao mesmo sistema atmosférico de baixas pressões.
Porém, mais importante ainda é perceber que o termo científico “ciclone-bomba” existe e foi definido pelos meteorologistas e climatologistas como forma de caracterizar, essencialmente, o rápido e explosivo cavamento que ocorre no centro de uma baixa pressão, isto é, um processo em que ocorre uma queda acentuada da pressão mínima do núcleo de baixas pressões: no mínimo de 24 hPa em 24 horas.

Outro aspeto que importa clarificar é que ciclogénese explosiva e ciclone-bomba não são necessariamente sinónimos: o primeiro diz respeito ao mecanismo físico que caracteriza o aprofundamento rápido de uma depressão e o segundo refere-se à potente tempestade que é originada a partir desse processo, pelo que o ciclone-bomba é a consequência de um processo de ciclogénese explosiva.
Entre chuva e vento, o que é que realmente poderá acontecer em Portugal continental?
Os portugueses podem estar descansados! O ciclone-bomba e a sua área de instabilidade mais intensa e potencialmente perigosa passarão muito distantes do nosso país, posicionando-se algures entre a Islândia e as Ilhas Britânicas.
Ainda antes do pico do episódio de tempo instável previsto para terça-feira (29) devido a uma vasta e extensa frente fria associada ao já referido ciclone-bomba, prevê-se a possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca a pontualmente moderada no Norte, Centro e Área Metropolitana de Lisboa entre domingo (27) e segunda-feira (28), provenientes de linhas de instabilidade geradas pela depressão a norte que se fundirá com a depressão que virá de sul.
Umas horas mais tarde a junção de ambas resultará na formação do já referido ciclone-bomba.

Para os quatro últimos dias de setembro prevê-se uma ‘rega significativa’ em Portugal continental, embora com intensidade e distribuição bastante desiguais à escala regional. Deste modo, entre domingo 26 e quarta-feira 30, os nossos mapas, baseados no modelo europeu (ECMWF) preveem os valores mais elevados de precipitação acumulada no Minho e no Ribatejo (em torno dos 50/60 milímetros) e os mais reduzidos de Évora para sul (entre 2 e 12 mm).
Quanto ao vento, neste momento o modelo europeu vislumbra que a fase mais adversa se possa desenrolar a partir do final da manhã e durante toda a tarde de terça-feira (29), com possibilidade de rajadas desde 50 km/h em vastas zonas do território (incluindo litoral e terras altas) até um máximo de 90 km/h nas zonas montanhosas mais expostas do Norte e Centro, onde se destacam, de momento, as serras do Alto Minho.
O modelo americano (GFS) antecipa um cenário significativamente mais conservador na sua previsão. O evento meteorológico adverso também é projetado por este modelo para o nosso país, contudo, os valores de precipitação e vento e a respetiva distribuição geográfica da mesma diferem consideravelmente em relação ao modelo europeu (ECMWF).
Fruto da incerteza inerente à trajetória do futuro ciclone-bomba e das suas frentes frias associadas, a previsão ainda está sujeita a ajustes significativos.