O pólo norte magnético abranda e muda de direção: teremos de mudar as nossas bússolas e GPS?

O pólo norte magnético da Terra continua a deslocar-se, conclui a última versão publicada do Modelo Magnético Mundial 2025, desenvolvido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) em conjunto com o Serviço Geológico Britânico.

O modelo magnético mundial (WMM) tem como objetivo estudar a varia��ão temporal do campo magnético principal da Terra e, deste modo, garantir o bom funcionamento dos sistemas de navegação, essenciais para a tecnologia do dia a dia do nosso planeta.

O polo norte magnético é um grande escudo, cuja principal função consiste em proteger a Terra das partículas solares, bem como ajudar a orientar a bússola. Foi descoberto em 1831 pelo explorador britânico Sir James Clark Ross.

Diferença entre polo norte magnético e polo norte geográfico

O polo geográfico marca o ponto para onde converge o eixo de rotação da Terra, enquanto que o polo magnético é o ponto indicado pelas bússolas, com tendência a deslocar-se lentamente, pois é o resultado do ferro líquido no núcleo externo do planeta. Um exemplo das mudanças seculares que estes metais podem causar é a lenta deslocação do pólo norte magnético da Terra em direção à Sibéria, um processo que tem vindo a ocorrer continuamente nas últimas décadas.

Uma vez que o Modelo Magnético Mundial (WMM) é de natureza preditiva, torna-se menos preciso ao longo do tempo e tem de ser atualizado com as mais recentes projeções derivadas de dados recolhidos mais recentemente. As atualizações estão programadas para ocorrer de cinco em cinco anos.

A bússola é um instrumento que deteta e alinha-se com o campo magnético terrestre. Este campo faz com que a Terra se manifeste como um íman, permitindo a orientação nas bússolas.

Este modelo é usado para diversos fins no dia a dia da Terra, sendo referência para governos e empresas no que toca a localizar com precisão o campo magnético. O recurso a este modelo permite que a aviação comercial e militar, a marinha e organizações como a NATO e a Organização Hidrográfica Internacional consigam funcionar, bem como no caso dos indivíduos ou setor privado (presente em quase todos os smartphones, calibração de bússolas digitais ou mapas de navegação como o GPS do carro com muito maior precisão).

O ritmo do campo magnético regista uma maior desaceleração

Um dos dados mais significativos desta última versão do modelo é o ritmo do campo magnético. O pólo norte magnético tem sido conhecido ao longo da sua história por se mover lentamente, permitindo assim que o modelo seja atualizado só no fim de um longo período de tempo. Nos últimos anos a taxa de movimento do pólo norte magnético foi estimada em cerca de 50/60 km por ano.

No entanto, sabe-se agora que a taxa de movimento é agora de cerca de 35 km, tendo assim registado a sua maior desaceleração. Este abrandamento não significa necessariamente um problema com o campo magnético, uma vez que este tem demonstrado ser um fenómeno mutável, pois tanto o crescimento como o abrandamento da sua taxa têm sido observados ao longo da sua história.

Este movimento mais lento só serviria para tornar os modelos mais duradouros sem atualizações constantes. Assim, se tudo se mantiver como agora, este modelo será prolongado até 2029, exceto se houver uma alteração significativa.

Que efeitos terá no dia a dia esta alteração na taxa de movimento do polo norte magnético?

O impacto maior desta alteração do campo magnético dá-se sobretudo a nível tecnológico. O cidadão que utiliza transportes públicos ou automóvel privado não sentirá qualquer tipo de efeito com esta mudança.

O GPS (Sistema de Posicionamento Global) baseia-se diretamente em sinais de satélites para definir com precisão a sua localização. No entanto, o campo magnético é utilizado para complementar a orientação e corrigir desvios, sobretudo quando o sinal de satélite é fraco. O GPS depende do campo magnético da Terra para bússolas digitais em telemóveis e automóveis.

No entanto, para serviços que implicam a utilização de mapas de navegação mais complexos, como os da aviação ou da marinha, usar um modelo desatualizado sobre o pólo norte magnético pode conduzir a erros de deslocação.

Estado do campo magnético evidencia um crescimento da Anomalia do Atlântico Sul. Que significa isto?

A Anomalia do Atlântico Sul (SAA) diz respeito a uma área que abrange o Oceano Atlântico Sul e a América do Sul, onde o magnetismo da Terra é mais fraco. Esta área é conhecida por causar danos de radiação aos satélites e problemas com a propagação de rádio, questões que são exacerbadas pelo crescimento da SAA em tamanho em 8% ao longo de 2025.

Uma limitação bem conhecida do WMM é a tendência para a sua precisão diminuir durante tempestades magnéticas. Estes fenómenos meteorológicos espaciais podem causar disparidades entre a declinação magnética real e a declinação estimada fornecida pelo WMM, que são temporariamente superiores à incerteza do modelo, especialmente nas latitudes altas. Tais disparidades podem afetar potencialmente a navegação que depende das estimativas do modelo.

Embora o Ciclo Solar 25 já tenha ultrapassado o seu pico, espera-se que a atividade meteorológica espacial se mantenha elevada nos próximos anos, antes de diminuir gradualmente em direção ao mínimo solar previsto para 2030. Felizmente, os modelos têm em conta a meteorologia espacial nas suas estimativas de erro. Apesar destas pequenas preocupações, todos os dados recolhidos para o relatório anual indicam que os modelos podem continuar a ser utilizados por todas as tecnologias que os implementam.

Referências da notícia

2025 WMM Annual Report is Released. NCEI-NOAA. 9 de janeiro de 2026.

El polo norte magnético de la Tierra sigue desplazándose y registra su mayor desaceleración: estos serán sus efectos. Rocío Barrantes. 12 de janeiro de 2026.