Aproxima-se uma batalha de massas de ar em Portugal: poeiras, chuva e vento moldam o tempo durante 6 dias

O Atlântico será palco da batalha de massas de ar quente e frio que moldarão a evolução do tempo em Portugal continental. Consulte as últimas novidades dos modelos de previsão!
Antes da mudança do estado do tempo prevista para a reta final do mês, marcada sobretudo pela chegada de uma frente fria na terça-feira (29), a crista anticiclónica subtropical - zona alongada de altas pressões que tem favorecido a estabilidade atmosférica e o transporte de ar quente e seco para a Península Ibérica, responsável pelas temperaturas acima da média que se têm verificado por grande parte de setembro - ainda persistirá por mais algumas horas e dias.
Poeiras do Saara poderão conviver com a precipitação gerada pela frente fria, como?
O ar quente e seco transportado para a Península Ibérica estará carregado de poeiras provenientes do Norte de África, em particular a partir de regiões do Saara Ocidental.
Prevê-se que tal configuração seja favorecida pela distribuição de diversos centros de ação atmosférica: a mesma crista que nos traz tempo estável e seco será forçada a enfraquecer e a migrar para leste ao ser agitada por um sistema de baixas pressões que surgiu no Atlântico na costa oeste de África - perturbação conhecida agora como tempestade tropical Gonzalo e nomeada pelo NHC (Centro Nacional de Furacões dos EUA).

Esta movimentação permitirá a intrusão e gradual progressão sobre território nacional, de sul para norte da geografia de Portugal continental, de uma extensa língua de partículas provenientes do Norte de África. As poeiras em suspensão deixarão o céu turvo e com aspeto esbranquiçado a partir de sábado (26), podendo persistir até à aproximação da frente fria na terça-feira (29).
Caso as concentrações sejam suficientemente elevadas - algo que de momento parece improvável, de acordo com o modelo CAMS - poderão ocorrer episódios de chuva com deposição de poeiras, conhecidos comumente como “chuva de lama”.
Atlântico será palco da batalha entre massas de ar quente e frio. Portugal na rota de chuva, vento e também de poeiras
O facto de estarem previstas poeiras do Saara não impede a chegada da frente fria associada ao ciclone-bomba que se formará no Atlântico Norte e consequente queda de precipitação daí advinda. Na verdade, no Atlântico preveem-se vários cenários que em conjunto resultarão nos efeitos meteorológicos de diversa índole que afetarão Portugal continental nos próximos dias.

Ao mesmo tempo que na parte mais a norte do Atlântico ocorrerá uma fusão de centros de baixas pressões que dará origem ao ciclone-bomba e às respetivas linhas de instabilidade e frente fria daí provenientes que trarão chuva, vento e descida das temperaturas a Portugal nos 4 últimos dias de setembro (massas de ar mais frias), ocorrerá a movimentação da já referida tempestade tropical Gonzalo que promoverá o levantamento de poeiras do Saara (massas de ar mais quentes).
Então, aquilo que ocorrerá é que, de noroeste para sudeste o ar frio atlântico associado às baixas pressões varrerá progressivamente o ar quente, contribuindo para a descida gradual das temperaturas que se irá verificando no nosso país nos últimos dias de setembro e possivelmente nos primeiros dias de outubro.
O enfraquecimento da crista de altas pressões responsável pelo tempo quente e seco que tem persistido ultimamente no nosso país, bem como a mudança no seu formato e movimentação ligeira para leste, rumo a outras zonas da Europa, é também explicado pelo aparecimento dos múltiplos sistemas de baixas pressões no Atlântico, entre os quais o ciclone-bomba que se formará no Atlântico Norte e a tempestade tropical Gonzalo, nascida na costa oeste de África e que passará perto de Cabo Verde, arquipélago onde poderá deixar chuva e vento.