O fóssil vivo da Amazónia: descoberta planta que sobreviveu à era dos dinossauros
Descubra a Zamia urarinorum, o tesouro botânico pré-histórico da Amazónia que resiste às cheias e protege o nosso futuro climático. Saiba mais aqui!

A descoberta da planta Zamia urarinorum na Amazónia peruana representa um marco significativo para a botânica e para a compreensão da resiliência da flora que remonta à era dos dinossauros.
Esta descoberta foi anunciada pelo Instituto de Investigações da Amazónia Peruana (IIAP) e contou com a colaboração de cientistas de renome internacional, incluindo especialistas do Centro Botânico Montgomery (EUA), do Instituto Federal de Educação do Brasil e da Pontifícia Universidade Católica do Peru. O estudo, detalhado na revista científica Phytotaxa, localizou os exemplares na região de Loreto, especificamente entre as bacias dos rios Tigrillo e Urituyacu.
Características únicas e adaptação
O que torna a Zamia urarinorum particularmente fascinante é a sua excecional capacidade de adaptação. Ao contrário de outras espécies do género Zamia, que geralmente exigem solos secos e bem drenados, esta nova espécie adaptou-se a ambientes permanentemente inundáveis. Apresenta uma tolerância fisiológica rara à hipóxia (falta de oxigénio no solo), sendo capaz de crescer em terrenos saturados de água e até mesmo com parte do seu caule submerso.

Morfologicamente, a planta possui caules delgados e folhas que podem atingir os 2,5 metros de comprimento, com folíolos estreitos e dentados. Sendo uma espécie dioica (com indivíduos de sexos separados), a Zamia urarinorum apresenta plantas macho e fêmea distintas, cujas estruturas reprodutivas (cones e sementes) variam entre tons de castanho escuro e verde-amarelado, sendo mais pequenas do que as dos seus parentes mais próximos.
Homenagem e contexto cultural
O nome científico, Zamia urarinorum, constitui uma homenagem ao povo indígena Urarina. Este grupo étnico tem desempenhado um papel fundamental na preservação dos ecossistemas onde a planta foi encontrada. O reconhecimento do papel das comunidades tradicionais é um aspeto central desta descoberta, sublinhando que a conservação da biodiversidade está intrinsecamente ligada à proteção dos territórios indígenas.
No entanto, apesar de ter sobrevivido durante eras geológicas, a Zamia urarinorum já "nasce" para a ciência sob ameaça. Os investigadores alertam que a expansão agrícola, os recorrentes derrames de petróleo na região e os grandes projetos de infraestruturas colocam em risco os habitats de Loreto. Por este motivo, os especialistas recomendam a sua inclusão imediata nas listas de proteção da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Em suma, a descoberta desta "planta dos dinossauros" não só enriquece o património botânico do Peru, como serve de lembrete urgente sobre a fragilidade dos ecossistemas amazónicos e a necessidade de políticas de conservação que integrem o conhecimento científico com o respeito pelas comunidades nativas.
Referências da notícia:
https://phytotaxa.mapress.com/pt/article/view/phytotaxa.741.1.1
Calonje, M., Zárate-Gómez, R., Jones, M.A., Segalla, R., Brañas, M.M., Pizango, C.G.H. & Alcázar, F.R. (2026) Zamia urarinorum (Cycadales, Zamiaceae), a new cycad species from wetland forests of Loreto, Peru. Phytotaxa 741 (1): 1–17. https://doi.org/10.11646/phytotaxa.741.1.1