As florestas secretas de Taiwan guardam alguns dos maiores gigantes da Ásia

De acordo com o resultado de uma série de expedições científicas foram encontradas, nas florestas ancestrais em Taiwan, árvores gigantes, de uma biodiversidade excecional e algumas das maiores reservas naturais de carbono da Ásia Oriental. Venha saber mais aqui!

As florestas ancestrais de Taiwan escondem árvores gigantes, algumas com mais de 80 metros de altura, que se destacam pela sua longevidade e importância ecológica.
As florestas ancestrais de Taiwan escondem árvores gigantes, algumas com mais de 80 metros de altura, que se destacam pela sua longevidade e importância ecológica.

Durante décadas, as montanhas de Taiwan guardaram um dos seus maiores segredos naturais. Escondidas em encostas íngremes e de difícil acesso, sobrevivem florestas ancestrais onde crescem algumas das árvores mais altas da Ásia Oriental.

Uma recente investigação revelou não apenas a existência destes gigantes, mas também confirmou que estes ecossistemas representam alguns dos maiores reservatórios naturais de carbono do mundo.

Esta descoberta é o resultado de mais de uma década de expedições realizadas por uma equipa multidisciplinar composta por ecólogos, especialistas em deteção remota, geólogos e escaladores de árvores, com o objetivo de localizar e medir as gigantescas árvores que permaneciam praticamente desconhecidas à ciência.

Uma árvore que "toca a Lua"

De acordo com o Science Daily e um artigo publicado na revista Frontiers, o principal foco da investigação foi a identificação de um exemplar de Taiwania cryptomerioides, conhecido como abeto-da-Taiwan, com impressionantes 84,1 metros de altura. Trata-se da árvore mais alta atualmente conhecida em toda a Ásia Oriental.

Entre o povo indígena Rukai, estas árvores possuem um nome poético: "a árvore que toca a Lua", uma designação que reflete a imponência destas gigantes da floresta.

Para além desta árvore, a equipa de investigadores encontrou várias outras árvores com mais de 70 metros de altura, incluindo dois exemplares que ultrapassam os 80 metros, demonstrando que estas florestas preservam uma concentração excecional de árvores monumentais.

Um património natural

Taiwan reúne condições geográficas únicas para o crescimento de árvores desta dimensão. Apesar da sua área relativamente reduzida, a ilha possui centenas de montanhas acima dos 3.000 metros de altitude, criando uma enorme diversidade de climas e habitats.

"As comunidades locais conheciam estas três árvores há muitos anos, mas nunca tinham sido medidas com rigor nem documentadas cientificamente."
Science Daily

Durante grande parte do século XX, muitas florestas primárias foram exploradas pela indústria madeireira. No entanto, as zonas mais escarpadas permaneceram praticamente inacessíveis, funcionando como um refúgio natural onde sobreviveram árvores centenárias e ecossistemas praticamente intactos.

Hoje, estima-se que cerca de 60% do território taiwanês continue coberto por florestas, oferecendo assim condições ideais para espécies de grande porte e elevada longevidade.

Tecnologia aliada à ciência cidadã

Os investigadores recorreram à tecnologia LiDAR, para a localização destas árvores gigantes que, através de feixes de laser transportados por aeronaves conseguem criar mapas tridimensionais extremamente detalhados da vegetação.

Depois de identificados os potenciais gigantes, as equipas deslocaram-se ao terreno para confirmar as medições, muitas vezes recorrendo à escalada para obter dados precisos sobre altura, estrutura e estado de conservação.

Distribuição espacial das 941 árvores confirmadas em Taiwan, todas com mais de 65 metros de altura. O mapa mostra as árvores descobertas entre 2019 e 2022, destacando duas zonas com elevada concentração: a Área de Conservação de Chilan e Benyeshan. Fonte: Rebecca et al.
Distribuição espacial das 941 árvores confirmadas em Taiwan, todas com mais de 65 metros de altura. O mapa mostra as árvores descobertas entre 2019 e 2022, destacando duas zonas com elevada concentração: a Área de Conservação de Chilan e Benyeshan. Fonte: Rebecca et al.

A investigação contou ainda com a colaboração de cidadãos, fotógrafos e amantes da natureza que partilharam informações sobre possíveis árvores de grandes dimensões, mostrando como a ciência cidadã pode contribuir para descobertas importantes.

Verdadeiros templos de gigantes

Um dos aspetos mais surpreendentes do estudo foi a descoberta de áreas onde dezenas de árvores gigantes crescem próximas umas das outras.

Os investigadores apelidaram estes locais de "templos de gigantes", uma vez que reunem concentrações excecionais de árvores monumentais num único espaço.

Estas florestas antigas apresentam características muito raras. Árvores enormes coexistem com vegetação densa, solos ricos em matéria orgânica e uma biodiversidade elevada, criando ecossistemas extremamente estáveis e resilientes.

Uma grande influência no combate às alterações climáticas

Além do seu enorme valor ecológico, estas árvores desempenham um papel fulcral no combate às alterações climáticas.

Árvores de grande porte acumulam enormes quantidades de carbono ao longo de séculos de crescimento. Quando permanecem intactas, funcionam como importantes sumidouros naturais, retirando dióxido de carbono da atmosfera e armazenando-o na madeira e no solo.

Segundo os investigadores, estas florestas figuram entre os ecossistemas mais ricos em carbono alguma vez estudados, reforçando a importância da sua proteção para a mitigação das alterações climáticas.

Um património a preservar

A descoberta demonstra que ainda existem regiões do planeta capazes de surpreender a ciência. Mesmo num território relativamente pequeno e densamente povoado como Taiwan, permanecem ecossistemas praticamente intocados que escondem árvores monumentais e uma biodiversidade extraordinária.

Os investigadores defendem que proteger estas florestas antigas deverá ser uma prioridade, não apenas pelo seu valor científico e ecológico, mas também pelo papel que desempenham na conservação da natureza e na regulação do clima global.

À medida que as novas tecnologias permitem explorar áreas remotas com maior precisão, é possível que outras florestas desconhecidas venham ainda a revelar gigantes semelhantes, ajudando a compreender melhor a riqueza e a importância das últimas grandes florestas primárias do planeta.

Referência da notícia

Rebecca Chia-Chun Hsu, Chi-Kuei Wang, Chung-Cheng Lee. (2026). The journey of finding the tallest tree in Formosa Taiwan.