Évora e Beja recebem jardins urbanos para aliviar calor extremo no verão

Cinco cidades portuguesas vão ganhar novas áreas verdes e espelhos de água para melhorar o conforto térmico de residentes e visitantes.

Évora será a cidade pioneira que irá requalificar a área do Rossio de São Brás para dar lugar a um espaço verde amplo para acolher a cerimónia inaugural da Capital Europeia da Cultura 2027. Foto: Município de Évora
Évora será a cidade pioneira que irá requalificar a área do Rossio de São Brás para dar lugar a um espaço verde amplo para acolher a cerimónia inaugural da Capital Europeia da Cultura 2027. Foto: Município de Évora

Quem passa os meses de verão no Alentejo conhece bem o impacto das temperaturas elevadas nas rotinas diárias. Para responder a esse fenómeno, Évora e Beja foram escolhidas para integrar um projeto-piloto nacional que aposta na criação de jardins urbanos e zonas verdes capazes de reduzir o calor nas cidades.

A iniciativa, promovida pelo Ministério do Ambiente, prevê a instalação de espaços verdes, árvores e espelhos de água em cinco municípios do continente. Além das duas cidades alentejanas, o programa inclui ainda Leiria, São João da Madeira e Vila Real.

O intuito é diminuir o efeito das ilhas de calor e tornar os espaços urbanos mais confortáveis durante os episódios de temperaturas extremas. O financiamento já está assegurado através do Fundo Ambiental, que disponibiliza 5,5 milhões de euros para o desenvolvimento destas intervenções. As autarquias ficarão responsáveis pela execução dos projetos após a assinatura dos contratos com o fundo estatal.

Vila Real está entre as cinco cidades portuguesas selecionadas para integrar o piloto nacional que visa combater o calor urbano. Foto: Vitor Oliveira, de Torres Vedras, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons
Vila Real está entre as cinco cidades portuguesas selecionadas para integrar o piloto nacional que visa combater o calor urbano. Foto: Vitor Oliveira, de Torres Vedras, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons

As orientações definidas pelo Governo apontam para soluções assentes em princípios ambientais e de adaptação às alterações climáticas. A criação de sombra, o reforço da vegetação e a presença de água deverão contribuir para baixar a temperatura sentida e melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas.

Évora acelera obras para cumprir prazo europeu

Em Évora, a cidade pioneira desta experiência, a intervenção vai concentrar-se no Rossio de São Brás, um espaço descampado que acolherá a cerimónia inaugural da Capital Europeia da Cultura 2027.

A requalificação daquela zona já arrancou com a adjudicação da primeira fase da obra no final de abril. O investimento ascende a 4,1 milhões de euros e conta com apoio do Plano de Recuperação e Resiliência.

Na assinatura do contrato, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, garantiu que os trabalhos estarão concluídos até agosto, prazo necessário para assegurar o financiamento comunitário.

A urgência em finalizar a intervenção em menos de oito meses fará com que Évora receba uma fatia mais significativa da verba disponível. Nas restantes cidades abrangidas pelo programa, incluindo Beja, os jardins e zonas de redução térmica poderão apenas ficar concluídos em 2027.

Investigadores procuram cidades mais frescas

A aposta em soluções verdes para enfrentar o calor coincide com outros estudos que estão a ser desenvolvidos no país. Investigadores da Universidade de Coimbra participam atualmente no projeto internacional Cool Noons, dedicado a tornar as cidades mediterrânicas mais frescas e resistentes às ondas de calor.

O projeto Cool Noons quer identificar estratégias de arrefecimento em cidades mediterrânicas, como Lisboa, frequentemente afetadas por ondas de calor. Foto: Paulo Juntas, CC BY-SA 3.0, Creative Commons
O projeto Cool Noons quer identificar estratégias de arrefecimento em cidades mediterrânicas, como Lisboa, frequentemente afetadas por ondas de calor. Foto: Paulo Juntas, CC BY-SA 3.0, Creative Commons

Além de Lisboa, a iniciativa envolve Budva, no Montenegro, Dubrovnik, na Croácia, Imola, em Itália, e Marselha, em França. O trabalho procura reduzir a exposição de residentes e turistas às temperaturas extremas através de novos percursos urbanos mais frescos e sombreados.

Nos últimos meses, os investigadores recolheram dados sobre o impacto do calor em diferentes zonas da capital portuguesa. A equipa encontra-se agora a avaliar os benefícios de intervenções estratégicas para melhorar o conforto térmico na cidade.

Entre as medidas estudadas estão a criação de zonas pedonais sem tráfego automóvel, instalação de toldos de sombra, plantação de árvores e colocação de áreas de descanso protegidas do sol. A identificação de percursos urbanos mais frescos faz igualmente parte da estratégia para adaptar as cidades a verões cada vez mais quentes.

Referência do artigo

Évora será a primeira cidade a receber jardins urbanos para combater o calor. Beja também integra projeto do Governo - oalentejo.pt

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