Algas marinhas ganham novo papel: investigação em Portugal pode revolucionar o tratamento de poluição na água

De acordo com um estudo da Universidade de Aveiro (UA), as macroalgas marinhas são uma potencial solução eficaz, sustentável e de baixo custo para a remoção de corantes sintéticos da água.

As macroalgas marinhas podem ser uma solução eficaz, sustentável e de baixo custo para a remoção de corantes sintéticos da água, compostos orgânicos complexos e frequentemente persistentes cada vez mais presentes em ecossistemas aquáticos.
As macroalgas marinhas podem ser uma solução eficaz, sustentável e de baixo custo para a remoção de corantes sintéticos da água, compostos orgânicos complexos e frequentemente persistentes cada vez mais presentes em ecossistemas aquáticos.

Sofia Grangeia, Thiago Silva, Eduarda Pereira e Bruno Henriques, investigadores do Departamento de Química e do LAQV-REQUIMTE (Laboratório Associado para a Química Verde da UA), elaboraram um estudo no qual avaliaram a capacidade de três géneros de macroalgas: Fucus, Gracilaria e Ulva.

Malefícios dos corantes sintéticos, cada vez mais presentes na água, e preocupações com a saúde humana

O objetivo dos cientistas era a remoção do azul de metileno, um corante sintético muito utilizado como composto modelo, em diferentes tipos de água e níveis de salinidade. Algas vivas e algas secas foram alvos de teste, com ambas a apresentarem elevadas taxas de remoção, apesar dos desempenhos distintos conforme as condições experimentais.

  • A presença de corantes sintéticos em ecossistemas aquáticos tem vindo a aumentar a poluição da água e as formas convencionais de tratamento nem sempre os elimina eficientemente;
  • Corantes sintéticos são compostos orgânicos complexos e muitas vezes persistentes. Perante a água, reduzem a entrada de luz solar, põem em risco a fotossíntese e arruínam o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos;
  • Há corantes que contêm toxicidade ou ecotoxicidade e que podem acumular-se ao longo da cadeia alimentar, levantando preocupações indiretas para a saúde humana.

No estudo foram tidas em conta várias variáveis, como a quantidade de algas utilizada, a concentração do corante e a salinidade da água. A fim de perceberem o seu efeito, os cientistas aplicaram uma metodologia estatística que favoreceu a otimização do processo.

Da esquerda para a direita, os investigadores investigadores do Departamento de Química e do LAQV-REQUIMTE, Bruno Henriques, Sofia Grangeia e Thiago Silva. Imagem: Universidade de Aveiro (UA).
Da esquerda para a direita, os investigadores investigadores do Departamento de Química e do LAQV-REQUIMTE, Bruno Henriques, Sofia Grangeia e Thiago Silva. Imagem: Universidade de Aveiro (UA).

Os resultados revelaram que a alga viva Ulva é capaz de remover até 92% do corante em 6 horas, atingindo valores ainda mais altos em água doce engarrafada. A alga seca de Fucus atingiu cerca de 96% de remoção em somente 30 minutos, evidenciando um desempenho especialmente eficaz em ambientes salinos.

A quantidade de biomassa e a salinidade foram identificadas como as principais variáveis para a eficiência do processo, o que permitiu adaptar a escolha da espécie e do tipo de biomassas às características específicas da água a tratar: doce ou salgada.

Como se verificou, a alga seca é mais rápida no processo, não obstante, as algas vivas dispõem de vantagens relevantes, tais como: facilidade de separação após o tratamento e a capacidade de absorção de dióxido de carbono, sendo um fator contributivo de diminuição das emissões.

Um primeiro passo para o desenvolvimento de soluções aplicáveis a efluentes reais

A aplicação desta tecnologia à escala industrial deve preferencialmente passar pelo cultivo controlado de macroalgas, ao invés da recolha direta no meio natural, evitando desequilíbrios ecológicos. Em Portugal e noutros países a aquacultura de macroalgas já é uma prática comum, sendo favorável à produção sustentável e previsível de biomassa.

Quanto ao tratamento de águas residuais, estas algas poderão também ser cultivadas em sistemas controlados ou integradas em infraestruturas existentes, quer através de biomassa viva, quer através de biomassa residual de outras atividades industriais.

Segundo o investigador Bruno Henriques, após o tratamento, a biomassa tem por diante várias possibilidades de valorização: a dessorção dos corantes para reutilização das algas, a recuperação dos compostos retidos ou ainda a conversão da biomassa em biochar, assegurando desta forma um descarte seguro a nível ambiental.

Referência da notícia

Macroalgas marinhas mostram elevado potencial para remover corantes poluentes da água. Universidade de Aveiro. 10 de abril de 2026.

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