A ciência confirma que os cavalos sabem que estamos assustados só pelo nosso cheiro

Há muito tempo que a Humanidade acredita que os cavalos conseguem “cheirar o medo”. No entanto, até há pouco tempo, havia poucas provas científicas que demonstrassem que isto não passava de um simples mito.

As provas científicas revelam que os cavalos são altamente sensíveis aos sinais químicos associados aos estados emocionais.
As provas científicas revelam que os cavalos são altamente sensíveis aos sinais químicos associados aos estados emocionais.

Um novo estudo científico descobriu que a crença humana de que os cavalos conseguem “cheirar o medo” não é um mito. Os resultados da investigação revelam que os cavalos são capazes de detetar sinais químicos ligados às emoções humanas, sinais estes que podem influenciar o seu comportamento e fisiologia.

De facto, o estudo agora publicado na revista científica PLOS One é o primeiro a encontrar provas de que os cavalos conseguem detetar o medo humano através do seu olfato.

Os cavalos confiam fortemente no seu olfato para compreender o ambiente que os rodeia. O seu olfato é bastante mais sensível do que o nosso, o que lhes permite detetar diferenças químicas subtis no ambiente.

Como é que os cavalos conseguem cheirar o nosso medo?

As emoções humanas desencadeiam alterações fisiológicas. Quando o ser humano sente medo ou stress, o corpo, o rosto e a voz mudam, são libertadas hormonas como a adrenalina e o cortisol, o ritmo cardíaco aumenta e a composição do suor modifica-se. Estas mudanças alteram o perfil químico do odor corporal de uma pessoa, que pode conter informações sobre o seu estado emocional.

O novo estudo encontrou provas de que os cavalos não só detetam como também respondem aos odores emocionais humanos. Os cavalos que participaram no estudo foram expostos a odores corporais humanos recolhidos através de pedaços de algodão esfregados nas axilas das pessoas.

Os participantes na investigação assistiram a um excerto do filme de terror “Sinister”, de 2012 (para induzir medo) ou a clips, como a cena de dança de “Singing in the Rain”, de 1952 (para induzir alegria), tendo também sido recolhidos odores de controlo sem qualquer associação emocional.

Esta descoberta mostra que o odor é capaz de influenciar o estado emocional de um cavalo. No estudo ficou demonstrado que os cavalos não reagiam a uma linguagem corporal tensa, a expressões faciais ou a movimentos nervosos, mas sim aos sinais químicos transportados pelo odor humano.
Esta descoberta mostra que o odor é capaz de influenciar o estado emocional de um cavalo. No estudo ficou demonstrado que os cavalos não reagiam a uma linguagem corporal tensa, a expressões faciais ou a movimentos nervosos, mas sim aos sinais químicos transportados pelo odor humano.

Os cavalos mostraram alterações comportamentais e fisiológicas distintas quando expostos a odores relacionados com o medo através dos pedaços de algodão. Ficaram mais alerta e reativos a acontecimentos súbitos e com menos propensão para se aproximarem dos humanos.

Mostraram também um aumento da frequência cardíaca máxima, que indica stress, durante a exposição ao cheiro a medo do suor. O aspeto mais significativo destas respostas é que ocorreram sem quaisquer sinais visuais ou vocais de humanos que demonstrassem medo.

Cavalos são altamente sensíveis aos sinais químicos associados aos estados emocionais

Todos os estudos realizados até à data não defendem que os cavalos compreendam o medo da mesma forma que os humanos. Em vez disso, as provas científicas revelam que os cavalos são altamente sensíveis aos sinais químicos associados aos estados emocionais.

O olfato é possivelmente apenas uma parte de um sistema fisiológico mais vasto. Os cavalos são peritos em ler a postura humana, a tensão muscular, os padrões respiratórios, o ritmo cardíaco e o movimento: todos estes aspetos se alteram quando uma pessoa está ansiosa. Estes sinais moldam a forma como um cavalo perceciona e responde a um ser humano.

Compreender como os cavalos percecionam as emoções humanas tem implicações importantes para o bem-estar, o treino e a segurança. Por exemplo, cavaleiros e tratadores de cavalos podem influenciar involuntariamente o estado emocional de um animal através do seu próprio stress ou calma.

Deste modo, quando as pessoas dizem que os cavalos conseguem cheirar o medo, a ciência sugere agora que podem estar mais perto da verdade do que pensávamos inicialmente.

Referências da notícia

Human emotional odours influence horses’ behaviour and physiology. Jardat, P., Destrez, A., Damon, F., Tanguy-Guillo, N., Lainé, A.-L., Parias, C., Reigner, F., Ferreira, V. H. B., Calandreau, L., & Lansade, L. (2026). PLOS One. 14 de janeiro.

Horses really can smell fear, new study claims, and it changes their behaviour. The Conversation. Roberta Blake. 21 de janeiro 2026.