Campo magnético milhares de vezes mais forte que o da Terra: captam, pela primeira vez, sinais de rádio de um exoplaneta
Pela primeira vez, os astrónomos detetaram diretamente emissões de rádio provenientes de um planeta situado para além do nosso Sistema Solar. Contamos-lhe aqui as principais novidades desta descoberta científica!

Descoberto em 2008 com o Very Large Telescope da ESO, Beta Pictoris b é um jovem gigante gasoso com uma massa estimada entre 9 e 13 vezes a de Júpiter. Percorre a sua órbita a cerca de 8 vezes a distância que separa a Terra do Sol, completando uma volta à estrela Beta Pictoris em aproximadamente 24 anos.
A cerca de 63 anos-luz de distância, na constelação de Pictor, este sistema planetário tem apenas cerca de 23 milhões de anos, sendo por isso, extremamente jovem à escala cósmica. Além de albergar pelo menos outros dois planetas, Beta Pictoris possui um extenso disco de gás e poeira que poderá, no futuro, originar um torus de corpos gelados semelhante ao cinturão de Kuiper do Sistema Solar.
Um sinal que revela o magnetismo de “outro mundo”
Com o conjunto de radiotelescópios MeerKAT, na África do Sul, os astrónomos detetaram rajadas de rádio aurorais provenientes diretamente de Beta Pictoris b. Trata-se da primeira emissão de rádio inequivocamente associada a um exoplaneta per se, e não à sua estrela-anfitriã.
Segundo os investigadores, a origem do sinal está num mecanismo conhecido como “instabilidade maser de ciclotrónica de eletrões” - ECMI, em inglês), o mesmo processo responsável pela emissão de rajadas de rádio aurorais de Júpiter, da Terra, de Saturno, de Urano e de Neptuno, bem como de algumas anãs castanhas frias semelhantes a planetas.
Uma “janela” que nos revela o interior de um mundo distante
A frequência máxima deste tipo de emissão está diretamente dependente da intensidade do campo magnético que as produz.

Esta observação permitiu aos cientistas calcular, pela primeira vez de forma direta, o magnetismo de um exoplaneta: Beta Pictoris b terá um campo magnético em torno dos 1,25 kilogauss, milhares de vezes mais intenso do que o campo magnético da Terra.
“Isto constitui a primeira medição direta da intensidade do campo magnético de um exoplaneta e está em consonância com as previsões de escala dinâmica para um planeta gigante jovem e massivo”, afirmaram os astrónomos.
Referências da notícia
Ceballos, K. N. O., Berger, E., & Cendes, Y.. (2026). Discovery of radio emission from the exoplanet β Pictoris b.
Enrico de Lazaro. (2026). Astronomers Detect Radio Signal from Beta Pictoris b.