Vídeos impressionantes: pela primera vez um drone dentro de um furacão

Estreia mundial comunicada pela NOAA, que conseguiu monitorizar o poderoso furacão Sam no Atlântico, introduzindo pela primeira vez um drone oceânico. Veja os vídeos impressionantes, como nunca antes!

Saildrone 1045 NOAA huracán Sam
O Saildrone 1045 conseguiu entrar com êxito dentro do furacão Sam (chegou a ser de categoria 4) no Atlântico. Recolheu dados valiosos e vídeos espetaculares, que pode ver neste artigo. Créditos: Saildrone Inc. e NOAA.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), juntamente com a Saildrone Inc., (NOAA), acabam de publicar as primeiras imagens em vídeo recolhidas na passada quinta-feira 30 de setembro por um veículo não tripulado, localizado sobre a superfície do Atlântico. A impressionante filmagem mostra o interior do poderoso furacão Sam (chegou a ser "major", com categoria 4), que felizmente não entrará em contacto direto com faixas costeiras insulares ou continentais.

De acordo com a NOAA, o Saildrone Explorer SD 1045, um veículo oceânico não tripulado, esteve a combater ondas de até 15 metros de altura, e foi ao encontro do furacão Sam (na altura com Categoria 4), que mantinha ventos máximos sustentados de 240 km/h com rajadas superiores. O objetivo deste veículo era recolher dados científicos críticos a partir da superfície do mar e, no processo, fornecer uma visão completamente nova de uma das forças mais destrutivas do nosso planeta: os furacões.

Assim é o Saildrone Explorer SD 1045

O Saildrone Explorer SD 1045, impulsionado pelo vento e com 7 metros de comprimento, parece uma prancha de surf robótica. Tem uma "asa de furacão" especialmente concebida, que lhe permite operar em condições extremas de vento intenso (conseguiu alcançar áreas com vento de 190 km/h, como as apresentadas por Sam), e além disso está equipado com uma excelente máquina fotográfica.

Este drone oceânico foi concebido para desafiar a enorme força de um grande sistema ciclónico tropical em mar aberto, enquanto recolhe observações em tempo real para alimentar modelos numéricos de previsão de furacões e fornecer imagens nunca antes vistas do interior do grande sistema.

O vídeo anterior mostra: à direita o que a câmara a bordo do Saildrone 1045 grava, e à esquerda a animação que mostra a localização do drone oceânico dentro do furacão Sam a 30 de setembro de 2021.

O SD 1045 faz parte de uma frota de cinco Saildrones, que têm estado a operar no Oceano Atlântico durante a temporada de furacões de 2021, recolhendo dados 24 horas por dia. Estes veículos têm a capacidade de ir até onde nenhum navio de investigação jamais se aventurou antes, navegando diretamente para o olho do furacão, e recolhendo dados que podem marcar um antes e um depois no estudo dos ciclones tropicais.

O diretor executivo e fundador da Saildrone, Richard Jenkins, disse que "Após a conquista do Ártico e do Oceano Antártico, os furacões foram a última fronteira para a sobrevivência da Saildrone. Estamos orgulhosos de ter concebido um veículo capaz de operar nas condições meteorológicas mais extremas do mundo".

Melhorias na previsão de furacões

Os Saildrones fornecem dados de velocidade e direção do vento, pressão barométrica, temperatura, salinidade, humidade e mais, diretamente ao Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico da NOAA e ao Laboratório Oceanográfico e Meteorológico do Atlântico, ambos sócios da Saildrone nesta missão.

Os cientistas avisam que as alterações climáticas estão a aquecer o oceano rapidamente, e a fazer com que os furacões sejam mais poderosos, o que representa um risco cada vez maior para as comunidades costeiras.

As medições realizadas pelos Saildrone serão de grande valia para compreender os processos físicos que ocorrem dentro de grandes e destrutivos furacões como Sam, e para estudar em detalhe como tais sistemas ciclónicos se desenvolvem e intensificam. Esta investigação é fundamental para melhorar a previsão de tempestades, e espera-se que reduza a perda de vidas humanas ao permitir uma melhor preparação nas comunidades costeiras, dando-lhes um aviso mais antecipado.