Temperatura dos oceanos sobe mais do que se pensava

São resultados alarmantes. Segundo o estudo divulgado pela revista Science, a temperatura dos oceanos está a aumentar muito mais depressa do que se pensava.

Lidia Magno Lidia Magno 13 Jan. 2019 - 11:07 UTC
A temperatura dos mares está a subir rapidamente.

O resultado das análises é alarmante e segundo o estudo publicado esta sexta-feira na revista científica Science, há novas conclusões sobre aquilo que se pensava ser uma desaceleração do aquecimento global nos últimos 15 anos. A temperatura dos oceanos é aliás fundamental para perceber o aquecimento global, segundo o coautor do estudo, Zeke Hausfather, investigador da Universidade da Califórnia. Segundo o estudo, a subida da temperatura dos mares é “um indicador importante das alterações climáticas” e há “fortes indícios de que está a acontecer mais rapidamente” do que se pensava.

A fórmula de cálculo é simples: 93% do excesso de energia solar retida pelos gases com efeito de estufa, acumula-se nos oceanos. Por isso os investigadores sublinham que, ao contrário das temperaturas da superfície terrestre, as temperaturas oceânicas profundas não são afetadas pelas variações anuais, causadas por eventos climáticos ou por erupções vulcânicas. A emissão de gases do efeito estufa pela ação humana provoca uma subida do aquecimento da atmosfera, de acordo com a grande maioria dos climatologistas, e uma grande parte desse calor é absorvida pelos oceanos, o que obriga a vida marinha a fugir para águas mais frias.

São dados sobre o aquecimento dos mares divulgados na última edição da revista Science. A nova análise mostra que as tendências de aquecimento dos mares correspondem às previstas nos principais modelos de alterações climáticas, e que o aquecimento global dos oceanos está a acelerar.

Os modelos indicam que as temperaturas nos primeiros 2.000 metros de profundidade vão subir 0,78 graus Celsius até ao fim do século, o que, por efeito da expansão térmica, levará a um aumento do nível das águas do mar de 30 centímetros, que se juntam à subida de nível, provocada pelo derretimento de glaciares e campos de gelo.

Vida marinha foge para águas mais frias.

O que significa um Oceano mais quente?

A subida da temperatura dos mares resulta desde logo, em maiores tempestades e eventos de precipitação extrema na superfície da Terra. Esta análise tem em conta os dados do programa Argo, uma frota de quase 4.000 robots flutuantes que vagueia nos oceanos e que ciclicamente vai mergulhando a dois mil metros e mede as temperaturas, o ph, ou a salinidade, transmitindo depois esses dados, para estações em terra.

Segundo o investigador o paralelismo pode ser feito, uma vez que o ano de 2018, foi o quarto ano mais quente, registado à superfície, e deverá ser também o mais quente, registado nos Oceanos.emissão de gases do efeito estufa pela ação humana estão aquecendo a atmosfera, de acordo com a grande maioria dos climatologistas, e uma grande parte desse calor é absorvida pelos oceanos. Isso obriga a vida marinha a fugir para águas mais frias. O programa Argo fornece dados da temperatura dos oceanos, desde a década passada.

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