Setembro de 2026 foi o setembro mais quente desde 1931 em Portugal continental

O mês de setembro de 2026, em Portugal continental, classificou-se, do ponto de vista climatológico, como um mês extremamente quente em relação à temperatura do ar e muito seco em relação à precipitação.

Setembro de 2026 foi um mês extremamente quente e muito seco.
Setembro de 2026 foi um mês extremamente quente e muito seco.

Em setembro, o estado do tempo em Portugal continental foi condicionado predominantemente por anticiclones, quer localizado nos Açores e estendendo-se em crista em direção à Europa, quer localizado no Golfo da Biscaia proporcionando a entrada de massas de ar quente e seco no continente.

Os aguaceiros fracos a moderados, por vezes acompanhados de trovoada, que se verificaram em alguns dias do mês, em especial no Norte e Centro, devem-se à ação de depressões com sistemas frontais fracos associados ou a vales depressionários que atingiram o território.

Temperatura média muito acima dos valores normais para esta altura do ano

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, IPMA, em Portugal continental, no mês de setembro, o valor médio da temperatura média do ar, 23,41 °C, foi 2,90 °C superior ao valor da normal 1991-2020.

Setembro de 2026 foi o setembro mais quente desde 1931.

O 2º mês de setembro mais quente registou-se em 2018, com um valor de temperatura média de 23,00 °C.

Anomalias da temperatura média do ar no mês de setembro, em Portugal continental, em relação ao valor médio no período 1991-2020. Fonte: IPMA
Anomalias da temperatura média do ar no mês de setembro, em Portugal continental, em relação ao valor médio no período 1991-2020. Fonte: IPMA

O valor médio da temperatura máxima do ar, 31,00 °C, foi 4,19 °C acima do valor médio no período 1991-2020.

A média da temperatura máxima do ar para setembro foi a mais alta desde 1931.

No ano 2018 registou-se o 2º valor mais alto, 30.21°C.

O valor médio da temperatura mínima do ar, 15,81 °C, registou uma anomalia de 1,61°C superior ao valor normal, sendo o 4º valor mais alto desde 1931 e o mais alto desde 2000.O valor mais alto, 16,78 °C, registou-se em 1987.

No dia 03 registou-se o maior valor da temperatura máxima do ar, 44,3 °C, na estação de Alcochete e o mais alto da temperatura mínima, 28.0 °C, na estação de Portalegre, enquanto o menor valor da temperatura mínima do ar, 3,0 °C, ocorreu em Lamas de Moura, no dia 25.

Ao longo do mês destacaram-se três períodos muito ou extremamente quentes, de 3 a 7, 12 a 14 e 20 a 23 de setembro, em que a média das temperaturas máximas, mínimas e média diária estiveram sempre acima ou muito acima dos respetivos valores normais.

A média da temperatura máxima chegou mesmo a atingir uma anomalia de +10,8 °C, em relação ao valor normal, no dia 03.

No dia 03 de setembro, bateram-se recordes da temperatura máxima em 14 estações meteorológicas e igualou-se numa estação. Em relação à temperatura mínima mais alta foram registados novos extremos em 17 estações e igualados em duas.

Ocorreram dias extremamente quentes (temperatura máxima ≥ 40 °C) em 35% das estações meteorológicas do IPMA no dia 3 de setembro. A estação de Alvega registou 6 dias com valores acima de 40 °C e a estação de Reguengos 4 dias, 3 dos quais foram consecutivos. As noites tropicais (temperatura mínima ≥ 20 °C), em aproximadamente 40% das estações no dia 5, em mais de 50% das estações no dia 4 e em mais de 20% das estações no dia 29 de setembro.

Registaram-se duas ondas de calor: a primeira de 2 a 7 setembro, localizada na região interior Norte; a segunda de 18 e 27 de setembro (com uma duração de 6 a 10 dias), em 72% das estações do IPMA, abrangendo grande parte do território continental.

A precipitação em setembro foi muito inferior ao valor normal

Após um agosto com precipitação muito superior à normal para esta altura do ano, seguiu-se um setembro seco, particularmente no Sul.

De acordo com o IPMA, o mês de setembro de 2026 registou um total de precipitação mensal de 13,0 mm, com uma anomalia de -29,6 mm, muito inferior ao valor médio 1991-2020, correspondendo a 30% do valor normal.

Este setembro foi o 5º setembro mais seco desde 2000, sendo o mais seco o de 2017 com 2.0 mm.

Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de setembro, em Portugal continental, em relação ao valor médio no período 1991-2020 (Fonte: IPMA)
Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de setembro, em Portugal continental, em relação ao valor médio no período 1991-2020 (Fonte: IPMA)

Apenas nos últimos dias do mês se verificou a ocorrência de períodos de chuva fraca a moderada, em especial nas regiões Norte e Centro.

Registaram-se valores de percentagem de precipitação inferiores a 50% em relação ao valor médio, em 85% das estações, e só na estação de Neves Corvo foi ultrapassado o valor médio mensal.

Em setembro, o valor mais elevado de percentagem de precipitação, em relação ao valor médio, verificou-se no concelho de Vinhais com 108% e o menor, no concelho de Lagoa, 0.4%.

O maior valor da quantidade de precipitação em 24 horas, 53,2 mm, registou-se em Ponte de Lima, no dia 29, tendo ocorrido na mesma estação o maior valor mensal, 72,4 mm.

Monitorização da Seca – Índice PDSI

O valor da quantidade de precipitação acumulada no final do ano hidrológico 2025/2026 (1 de outubro de 2025 a 30 setembro de 2026), 1097.2 mm, corresponde a 134% do valor de referência 1991-2020.

Este ano hidrológico corresponde ao 18º mais chuvoso desde 1931 e ao 2º mais chuvoso desde 2000, depois de 2001 com 1357.2 mm.

No final do ano hidrológico 2025/2026, a precipitação acumulada apresenta valores superiores à média em quase todo o território continental, com totais acumulados entre 1,5 e 2 vezes o valor médio em alguns concelhos do interior Norte, em grande parte da região Centro e no Barlavento Algarvio.

No final de setembro de 2026 observa-se uma diminuição generalizada do teor de água no solo em Portugal continental.

De acordo com o Índice Meteorológico de Seca, PDSI, índice meteorológico de seca calculado pelo IPMA para monitorização da situação de seca, a 30 de setembro verifica-se um agravamento muito significativo da situação de seca meteorológica em Portugal continental, atendendo ao aumento da área afetada como à intensificação das classes de seca.

Em relação ao final de agosto, desapareceram praticamente as classes normais e de chuva existentes no Norte e Centro, sendo substituídas sobretudo por classes de seca fraca a moderada. No Sul ocorreu uma intensificação das condições de seca, com uma maior expressão das classes de seca moderada e severa, particularmente no interior.

A distribuição percentual por classes do índice PDSI no território continental, no final de setembro é a seguinte: 0.7% na classe normal; 38.6% na classe de seca fraca; 44.2% na classe de seca moderada; 16.5% na classe de seca severa.