Depois de cinco meses consecutivos secos a extremamente secos, IPMA revela que agosto foi um mês muito chuvoso
O mês de agosto de 2026, em Portugal continental, classificou-se, do ponto de vista climatológico, como um mês normal em relação à temperatura do ar e muito chuvoso em relação à precipitação.

Em agosto, o estado do tempo em Portugal continental foi condicionado predominantemente pela ação de depressões ou sistemas frontais e que na sua passagem deram origem à ocorrência de precipitação e instabilidade em todo o território, mas em particular nas regiões do Norte e Centro. Em alguns dias do mês a ação do anticiclone dos Açores provocou céu pouco nublado ou limpo.
Temperatura média esteve dentro dos valores normais para esta altura do ano
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, IPMA, em Portugal continental, no mês de agosto, o valor médio da temperatura média do ar, 23.07 °C, foi pouco superior, 0.16 °C, ao valor da normal 1991-2020.
O agosto mais quente registou-se no ano 2003, com o valor médio da temperatura média a atingir 25.10 °C.

O valor médio da temperatura máxima do ar, 29.77 °C, foi 0.13 °C inferior ao valor médio no período 1991-2020. Desde 1931, valores mais elevados de temperatura máxima ocorreram em cerca de 30% dos anos.
O valor médio mais alto da temperatura máxima em agosto, 32.41 °C, registou-se no ano 2018.
O valor médio da temperatura mínima do ar, 16.38 °C, registou uma anomalia de 0.44 °C acima da normal, sendo o 8º valor mais alto desde 2000. O valor mais alto, 17.96 °C, registou-se em 2003.
O maior valor da temperatura máxima do ar foi 43.5 °C, que se registou no Pinhão, no dia 18, e o menor valor da temperatura mínima do ar, 6.0 °C, ocorreu em Lamas de Mouro no dia 31, enquanto o valor mais elevado da temperatura mínima, 25.0 °C, foi registado no dia 17 na estação de Proença-a-Nova.
No período quente, as anomalias positivas em relação à normal chegaram a atingir um desvio de +6.2 °C na temperatura máxima, no dia 17. No período frio as anomalias negativas mais significativas, -7.4 °C e -8.3 °C, ocorreram na temperatura máxima nos dias 26 e 27, respetivamente.
Registaram-se novos extremos absolutos, no maior valor da temperatura máxima, só na estação de Trancoso, no dia 18, com 40.4 °C, mas no menor valor da temperatura máxima, registaram-se novos extremos em cinco estações meteorológicas do IPMA, nomeadamente na estação de Évora com 21.8 °C no dia 26 agosto.
No maior valor da temperatura mínima do ar também se atingiu um novo extremo, 21.6 °C, no dia 14, em Alcobaça.
No período quente do mês registaram-se em algumas regiões desde dias extremamente quentes (temperatura máxima ≥ 40 °C), dias muito quentes (temperatura máxima ≥ 35 °C), dias quentes (temperatura máxima ≥ 30 °C) até noites tropicais (temperatura mínima ≥ 20 °C).
A precipitação em agosto foi muito superior ao valor normal
Ainda de acordo com o IPMA, o mês de agosto de 2026 registou um total de precipitação mensal de 35.6 mm, muito superior ao valor médio 1991-2020, com uma anomalia de 22.0 mm.
Foi no ano de 1976 que se registou o agosto mais chuvoso desde 1931, com uma anomalia cerca de 33 mm.

Das estações da rede do IPMA analisadas, 92 % ultrapassaram o valor da normal climatológica (1991-2020) para agosto e cerca de 40 % choveu mais de três vezes o valor médio.
Os maiores desvios diários da precipitação em agosto em relação ao valor médio 1991-2020 ocorreram entre os dias 23 e 28 de agosto, com registo de precipitação forte em especial na região de Lisboa, vale do Tejo e litoral entre Setúbal e Sines.
Foram registados novos extremos de precipitação diária para o mês de agosto em 17 estações meteorológicas do continente. Destacam-se os extremos das estações meteorológicas de Lisboa / I. Geofísico, 27.2 mm, e Lisboa / Tapada, 21.4 mm, séries com mais de 80 anos de dados.
O maior valor da quantidade de precipitação em 24 horas, 58.2 mm, registou-se em Vila Nova de Cerveira, no dia 27.
Monitorização da Seca – Índice PDSI
O valor da quantidade de precipitação acumulada no ano hidrológico 2025/2026 (1 de outubro de 2025 a 30 setembro de 2026), até final de agosto, foi de 1083.5 mm, o que corresponde a 140% do valor de referência 1991-2020.
Este ano hidrológico (o período de 1 outubro a 30 agosto), corresponde ao 17º mais chuvoso desde 1931 e ao 2º mais chuvoso desde 2000, depois de 2001, com 1312.5 mm.
No final de agosto verificou-se uma recuperação da água no solo mais expressiva no Norte e Centro do território, enquanto o Sul mantém níveis mais reduzidos.
A distribuição percentual por classes do índice PDSI no território continental, no final de agosto é a seguinte: 29.5% na classe normal, 54.1% na classe seca fraca, 9.2% na classe de seca moderada, 7.2% na classe de seca severa.