Reservas hídricas acima dos 80% após fevereiro chuvoso: retrato das barragens em Portugal
A precipitação intensa de fevereiro de 2026 elevou o armazenamento médio nacional das barragens acima dos 80 %. Do Douro ao Algarve, as reservas reforçaram-se significativamente após as cheias.

O mês de fevereiro de 2026 ficou marcado por precipitação persistente e episódios de cheia em várias bacias hidrográficas portuguesas, associados à sucessiva passagem de depressões atlânticas. Este contexto hidrometeorológico traduziu-se numa recuperação expressiva das reservas hídricas e numa alteração significativa do estado das principais barragens do país.
De acordo com o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), gerido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o volume médio armazenado nas albufeiras de Portugal continental situava-se acima dos 80 % da capacidade total no final de janeiro de 2026, tendência que se consolidou ao longo de fevereiro com os sucessivos episódios de precipitação.
Recuperação expressiva das reservas hídricas
A precipitação acumulada durante janeiro e fevereiro permitiu que muitas albufeiras atingissem valores elevados de enchimento, refletindo o aumento significativo das afluências nas principais bacias hidrográficas.

No Douro, por exemplo, a Albufeira da Valeira apresentava, à data de 19 de fevereiro de 2026, cerca de 95 % de armazenamento, segundo dados oficiais das plataformas de monitorização hídrica. Também noutras infraestruturas estratégicas se observaram níveis elevados, consolidando um cenário de reforço relevante das reservas nacionais.
Impacto regional: Sado e Algarve em destaque
No Sul do país, a recuperação assumiu particular importância. Na bacia do Guadiana registou-se uma subida consistentedas disponibilidades hídricas, com impacto direto no abastecimento público e no regadio agrícola.
Na bacia do Sado, onde se destacam barragens como Monte da Rocha, Fonte Serne e Vale do Gaio, o aumento das afluências representou igualmente um reforço importante após anos marcados por défice pluviométrico.

Também no Algarve, região estruturalmente mais vulnerável à seca, as barragens como Odelouca, Arade, Bravura e Beliche beneficiaram dos episódios de chuva intensa. A subida dos níveis constitui um alívio significativo para o abastecimento urbano e para o setor agrícola, ainda que a gestão futura exija prudência face à variabilidade climática.
Entre armazenar e libertar: o desafio da gestão
O elevado volume de água acumulado obrigou, em várias barragens, à realização de descargas controladas para manter a segurança estrutural e preservar capacidade de armazenamento adicional. Estas operações ocorreram num contexto de caudais já elevados, contribuindo para situações de inundação em zonas ribeirinhas.
Este equilíbrio entre reter água para enfrentar os meses secos e libertá-la durante episódios de precipitação intensa evidencia a complexidade da gestão hidráulica num cenário de maior variabilidade climática, crescente incerteza hidrológica anual e eventos extremos mais frequentes. Fevereiro de 2026 demonstrou, assim, o papel estratégico das barragens na segurança hídrica e na mitigação do risco hidrológico em Portugal.