Reservas das barragens descem para 82%: três bacias terminam julho abaixo da média

As barragens portuguesas terminaram julho com 82% da capacidade total, apesar da descida sazonal das reservas. Doze bacias mantêm níveis acima da média, enquanto Lima, Vouga e Mondego apresentam valores inferiores ao habitual para julho.

A Barragem de Castelo de Bode integra a bacia hidrográfica do Tejo, que terminou julho com 81,3% de armazenamento, acima da média do mês. A nível nacional, as reservas desceram para 82% da capacidade monitorizada.
A Barragem de Castelo de Bode integra a bacia hidrográfica do Tejo, que terminou julho com 81,3% de armazenamento, acima da média do mês. A nível nacional, as reservas desceram para 82% da capacidade monitorizada.

As reservas de água armazenadas nas barragens portuguesas continuaram a diminuir durante julho, acompanhando a evolução habitual desta fase do verão. Ainda assim, o país terminou o mês com níveis globalmente elevados e 12 das 15 bacias hidrográficas acima das respetivas médias, mantendo uma situação favorável durante o período de maior pressão sobre os recursos hídricos.

Reservas diminuíram 710 hm³ durante o mês de julho

Segundo o boletim semanal da Agência Portuguesa do Ambiente, a 27 de julho estavam armazenados 10 762 hm³ de água, correspondentes a 82% da capacidade total monitorizada. No final de junho, o volume ascendia a 11 472 hm³, equivalente a 87%. Em quatro semanas, as reservas diminuíram aproximadamente 710 hm³, traduzindo-se numa descida de cinco pontos percentuais. A redução coincide com o período de maior consumo anual em Portugal continental.

As barragens portuguesas terminaram julho com 10 762 hm³ de água armazenada, correspondentes a 82% da capacidade monitorizada. Apesar da descida de 129 hm³ na última semana, 12 das 15 bacias hidrográficas mantinham reservas acima da média do mês. Fonte: APA/SNIRH.
As barragens portuguesas terminaram julho com 10 762 hm³ de água armazenada, correspondentes a 82% da capacidade monitorizada. Apesar da descida de 129 hm³ na última semana, 12 das 15 bacias hidrográficas mantinham reservas acima da média do mês. Fonte: APA/SNIRH.

A perda foi particularmente expressiva na última semana analisada. Entre 20 e 27 de julho, as barragens perderam 129 hm³, com descidas em 14 bacias hidrográficas. A única exceção foram as Ribeiras do Oeste, onde o volume armazenado na albufeira de São Domingos aumentou de 7,4 para 8,1 hm³. Embora corresponda a apenas 0,7 hm³, esta subida permitiu que a bacia passasse de 94% para 100%, devido à sua reduzida capacidade total.

Entre 20 e 27 de julho, as Ribeiras do Oeste foram a única bacia hidrográfica onde o armazenamento aumentou, passando de 94% para 100%. O acréscimo concentrou-se na albufeira de São Domingos, enquanto o Tejo desceu de 82% para 81%. Fonte: APA/SNIRH.
Entre 20 e 27 de julho, as Ribeiras do Oeste foram a única bacia hidrográfica onde o armazenamento aumentou, passando de 94% para 100%. O acréscimo concentrou-se na albufeira de São Domingos, enquanto o Tejo desceu de 82% para 81%. Fonte: APA/SNIRH.

Apesar da descida, 49% das albufeiras monitorizadas apresentavam disponibilidades superiores a 80% e nenhuma se encontrava abaixo dos 40%. Entre as restantes bacias, destacavam-se o Mira, com 94,6%, e as Ribeiras do Barlavento, com 87,4%.

Lima, Vouga e Mondego terminaram julho abaixo da média

As diferenças regionais tornam-se mais evidentes à medida que o verão avança. Lima, Vouga e Mondego terminaram julho abaixo das respetivas médias históricas. A situação mais desfavorável verificava-se no Lima, com 54,5%, perante uma média de 65,7%. No Mondego, o armazenamento situava-se em 76,1%, ligeiramente abaixo dos 78,2% habituais, enquanto o Vouga apresentava 82,8%, praticamente em linha com a média de 82,9%.

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A descida ocorre depois de um junho muito quente e muito seco. Nesse mês, a precipitação média em Portugal continental ficou pelos 6,9 mm, enquanto as temperaturas elevadas favoreceram a evapotranspiração e reduziram a água disponível no solo, sobretudo no Norte e Centro.

Junho de 2026 registou apenas 6,9 mm de precipitação em Portugal continental, um défice de 14,4 mm face à normal 1991–2020. Foi o 14.º junho mais seco desde 1931 e o sétimo mais seco desde 2000. Fonte: IPMA
Junho de 2026 registou apenas 6,9 mm de precipitação em Portugal continental, um défice de 14,4 mm face à normal 1991–2020. Foi o 14.º junho mais seco desde 1931 e o sétimo mais seco desde 2000. Fonte: IPMA

No entanto, as reservas continuam a refletir um ano hidrológico chuvoso. Entre outubro e junho, a precipitação acumulada atingiu 1047,1 mm, 139% do valor normal e o segundo maior total desde 2000.

Esta reposição explica a robustez atual das albufeiras, embora a ausência de precipitação significativa, a evaporação e o aumento dos consumos devam continuar a favorecer uma diminuição gradual durante agosto.