Quer fotografar o eclipse com o telemóvel? Estes cuidados podem salvar a sua câmara

Fotografar o eclipse com o smartphone é possível, mas apontar a lente diretamente para o Sol sem proteção pode causar danos permanentes no sensor.

Saiba que proteção usar e quais os erros que podem comprometer a câmara. Foto: Unsplash
Saiba que proteção usar e quais os erros que podem comprometer a câmara. Foto: Unsplash

Fotografar o eclipse solar de 12 de agosto vai ser uma tentação para quase todas as pessoas. Afinal, não é todos os dias que a Lua passa em frente ao Sol e transforma uma tarde de verão num acontecimento astronómico. Há, porém, um pequeno detalhe a que precisa de ter atenção: apontar o telemóvel diretamente para o Sol não é uma boa ideia.

A fotografia pode ficar espetacular, é verdade. Mas também pode ficar com uma mancha permanente no sensor da câmara. E, neste caso, não há botão de “desfazer”.

A boa notícia é que não precisa de equipamento profissional para guardar uma recordação do eclipse. Um smartphone, alguma preparação e, sobretudo, um filtro solar adequado para a câmara podem ser suficientes.

A regra mais importante: não fotografe o Sol sem filtro

Durante praticamente todo o eclipse, o Sol continuará parcialmente visível. E isso significa que a regra é simples: se estiver a apontar a câmara diretamente para o Sol, deve existir um filtro solar próprio à frente da objetiva.

Não importa se o céu parece menos luminoso ou se a Lua já cobriu grande parte do disco solar. Mesmo quando sobra apenas uma pequena parcela do Sol, essa zona continua a ser extremamente brilhante.

Durante as fases parciais, a NASA e a American Astronomical Society recomendam filtros solares próprios para equipamentos óticos. Este filtro deve ser colocado na parte da frente da câmara, cobrindo completamente a objetiva que está a utilizar e ficando bem preso para não se deslocar durante a fotografia.

Isto é particularmente importante porque um smartphone não é apenas um ecrã. Dentro daquele pequeno módulo da câmara existe um sensor que recebe a luz concentrada pela objetiva. Uma fonte luminosa tão intensa como o Sol pode provocar danos permanentes quando a câmara permanece apontada para ele durante tempo suficiente.

Isto não significa que uma fotografia ocasional do Sol vá inevitavelmente destruir o telemóvel. O risco depende, entre outros fatores, do equipamento, da objetiva utilizada, da ampliação e do tempo de exposição. Mas, como não há nenhuma vantagem em fazer uma aposta destas com um aparelho que provavelmente custou algumas centenas de euros, mais vale jogar pelo seguro.

Óculos de eclipse não são exatamente a mesma coisa

E, não, óculos de eclipse não funcionam da mesma forma. Não vale a pena pensar que pode simplesmente colocá-los à frente da câmara por uns segundos. Aqui existe uma confusão bastante fácil de fazer.

Os óculos de eclipse destinam-se a proteger os seus olhos. Os filtros solares fotográficos destinam-se a proteger o equipamento e a permitir a captação segura da imagem do Sol.

Se tem uns óculos certificados para observar o eclipse, não deve simplesmente colocá-los à frente da câmara e assumir que resolveu o problema.

Da mesma forma, óculos de sol comuns também não servem. CDs, negativos fotográficos, vidro fumado e outros materiais improvisados também não são substitutos seguros para filtros solares apropriados. A NASA salienta, aliás, que os óculos de sol normais, mesmo os muito escuros, não proporcionam proteção suficiente para observar diretamente o Sol.

Também não deve utilizar um filtro fotográfico comum apenas porque a descrição diz que é “escuro”. Para fotografar o Sol é necessário um filtro concebido especificamente para observação ou fotografia solar e utilizado de acordo com as instruções do fabricante. A American Astronomical Society disponibiliza, aliás, uma lista de filtros próprios para câmaras de telemóveis.

Se uma coisa parece escura, isso não significa que seja adequada para observar ou fotografar o Sol. Foto: Unsplash
Se uma coisa parece escura, isso não significa que seja adequada para observar ou fotografar o Sol. Foto: Unsplash

“Em Portugal, existe à venda, por exemplo, o Omegon Solar Safe Easy Cam na Astroshop Portugal”, nota o jornal ‘Observador’. “É especificamente destinado a smartphones, fixa-se com velcro e o fabricante indica conformidade com a norma DIN ISO 12312-2 e custa 6,90€. Este filtro de luz branca compacto fixa-se facilmente à câmara do Smartphone e reduz a luz solar intensa para um nível seguro.”

Se recorrer a uma solução improvisada com material filtrante de óculos de eclipse, este terá de cobrir completamente a objetiva e ficar preso de forma segura. Se houver uma abertura ou se o filtro cair a meio da sessão, deixe de fotografar.

E há outra regra que não deve esquecer: nunca olhe para o Sol através da câmara, binóculos ou telescópio enquanto usa apenas óculos de eclipse. Os óculos protegem os olhos numa observação direta, mas não substituem um filtro instalado na parte frontal de um equipamento ótico. A luz concentrada pode atravessar ou danificar um filtro inadequado e provocar lesões graves na visão.

E se quiser fotografar a totalidade?

É aqui que o eclipse de 12 de agosto fica particularmente interessante para quem estiver no lugar certo.

Sim, a maior parte de Portugal verá um eclipse parcial. Mas uma estreita faixa do nordeste transmontano ficará dentro da trajetória da sombra da Lua e poderá assistir a um eclipse solar total.

Não cometa erros. Foto: Pixabay
Não cometa erros. Foto: Pixabay

Em Rio de Onor, por exemplo, a totalidade está prevista para acontecer por volta das 19:30 e durar apenas alguns segundos. Noutras localidades da faixa de totalidade, a duração será diferente.

Durante esses breves segundos, a Lua cobre completamente a fotosfera — a superfície brilhante do Sol. Só nesse momento, e apenas para quem estiver realmente dentro da faixa de totalidade, é seguro retirar o filtro da câmara para fotografar a totalidade.

É uma janela muito curta. Assim que a superfície brilhante do Sol começar a reaparecer, o filtro deve voltar imediatamente à objetiva.

Fora da faixa de totalidade, esta exceção não existe. Se estiver em Lisboa, Porto, Santarém ou noutra zona onde o eclipse seja parcial, o filtro deve permanecer colocado sempre que estiver a fotografar diretamente o Sol.

O zoom pode ajudar (mas não faça dele o seu inimigo)

Se o seu smartphone tiver várias câmaras, experimente a teleobjetiva ou o zoom ótico disponível. Esta é normalmente uma opção melhor do que aumentar exageradamente a imagem através de zoom digital.

Mas atenção: mais zoom não significa automaticamente uma fotografia melhor. O Sol continua a ser um alvo pequeno e extremamente brilhante, e os sistemas automáticos dos telemóveis podem ter dificuldade em encontrar a exposição adequada.

Antes do dia do eclipse, faça alguns testes com o Sol, sempre utilizando o filtro adequado. Assim poderá descobrir qual das câmaras do seu telemóvel produz a melhor imagem e perceber até onde pode ampliar sem transformar o eclipse numa pequena bola desfocada.

Faça alguns testes antes. Foto: Pixabay
Faça alguns testes antes. Foto: Pixabay

Se o seu telefone permitir controlar manualmente a exposição, ISO e velocidade do obturador, vale a pena experimentar. Com o filtro colocado, comece com uma sensibilidade baixa e uma velocidade relativamente rápida e ajuste a partir daí. Atenção, porque não existe uma combinação universal que funcione para todos os smartphones.

Se não tiver controlos manuais, não há problema. Se o seu modelo permitir, experimente tocar no Sol no ecrã para ajudar a câmara a definir a exposição e reduza-a manualmente.

Ainda assim, avisamos que, quando aumentar muito a imagem, qualquer pequeno movimento da mão pode tornar-se mais evidente. Nestes casos, um tripé pequeno ou um suporte para o telemóvel pode fazer uma diferença considerável.

Também pode utilizar o temporizador de dois ou três segundos para evitar que o toque no ecrã faça o aparelho tremer no momento da fotografia.

E não tire apenas uma fotografia. Faça várias exposições e experimente ligeiramente diferentes níveis de zoom e exposição. Os smartphones têm de lidar com um contraste enorme entre o Sol e o céu, por isso a primeira fotografia nem sempre será a melhor.

A própria American Astronomical Society recomenda testar o equipamento antes do eclipse, em vez de tentar descobrir definições e enquadramentos quando a Lua já estiver a passar pelo Sol.

Há uma fotografia ainda melhor escondida fora do Sol

Se quer uma recordação realmente interessante, não passe todo o eclipse a tentar obter um círculo minúsculo e perfeitamente focado no céu. Fotografe as sombras no chão, as pessoas à sua volta, as árvores, os edifícios, ou o horizonte.

Durante um eclipse total, o ambiente pode transformar-se de forma muito rápida e dramática.

Pode também preparar um pequeno vídeo ou um timelapse. A American Astronomical Society sugere, por exemplo, pequenos registos de vídeo ao longo das fases parciais para mostrar a progressão do fenómeno.

E existe uma vantagem adicional: estas imagens contam a história do eclipse muito melhor do que uma fotografia isolada do Sol.

Não se esqueça do calor

Há ainda um problema menos falado: agosto em Portugal não é propriamente conhecido pela sua frescura. O próprio telemóvel aquece durante uma utilização prolongada, sobretudo quando está a gravar vídeo, a utilizar o GPS, o brilho máximo ou várias funções da câmara. Deixá-lo ao Sol durante longos períodos também não ajuda.

Por isso, mantenha o aparelho protegido do calor quando não estiver a fotografar. Se o telemóvel começar a aquecer demasiado, faça uma pausa.

Referência da notícia

American Astronomical Society. (2026). How to Shoot Solar-Eclipse Images & Videos.
NASA. (2026). Total Solar Eclipse.
Observador. (2026). Como fotografar o eclipse sem estragar a câmara do telemóvel. Dicas para evitar os principais erros ao tentar registar um momento histórico.