Aproxima-se uma gota fria que deixará aguaceiros e trovoadas em Portugal entre 4 e 6 de outubro

Não se deixe enganar. O sol deste primeiro dia de outubro é promissor, mas será de "pouca dura". De ondulações à influência de uma gota fria, saiba o que esperar do tempo em Portugal continental até terça-feira, 6 de outubro.

O tempo voltou a estabilizar na unidade territorial do Continente nesta quinta-feira, 1 de outubro, imperando um panorama geralmente seco e com pouca nebulosidade.

Agora que entramos em outubro - o primeiro mês verdadeiramente outonal - é normal que comecemos a assistir a uma grande variabilidade de estados do tempo, típicos da dinâmica atmosférica e da irregularidade que caracterizam esta estação do ano.

Nas imagens de satélite do meio-dia de hoje (1) é visível a ausência de perturbações sobre a nossa geografia, visualizando-se somente algumas nuvens a ‘povoar’ o céu.

No entanto, o estado do tempo caracterizado por condições anticiclónicas será “sol de pouca dura” no nosso país.

A camada de cor natural da imagem de satélite EUMETSAT-Meteored evidencia uma quinta-feira, 1 de outubro caracterizada por condições anticiclónicas em Portugal continental.
A camada de cor natural da imagem de satélite EUMETSAT-Meteored evidencia uma quinta-feira, 1 de outubro caracterizada por condições anticiclónicas em Portugal continental.

É na sequência disto que, para os próximos dias se prevê uma maior instabilidade e variabilidade de estados de tempo, primeiro devido à passagem de ondulações, e posteriormente por causa da influência de uma gota fria.

Antes da influência da gota fria, isto é o que poderá esperar na sexta e no sábado

Na sexta-feira e no sábado, dias 2 e 3 de outubro, é a passagem de ondulações em altitude que estará na origem do panorama algo mais instável previsto. Para amanhã - sexta-feira (2) - o céu já se apresentará muito nublado em grande parte da nossa geografia, prevendo-se a possibilidade de aguaceiros dispersos no interior das regiões Centro e Sul durante a tarde. A possibilidade de trovoada é reduzida.

Nota importante para o leitor: Entre sexta (2) e terça-feira (6) é preciso que fique bem claro que não só não estará sempre a chover durante o período em análise, como também haverá alternância de períodos de céu nublado e abertas com a precipitação convectiva (aguaceiros, trovoadas e possível queda de granizo), geralmente irregular e intermitente. Importa ainda sublinhar que o grau de incerteza na previsão é relativamente elevado e que a mesma se mantém sujeita a ajustes significativos.

No sábado (3) o céu apresentar-se-á, de novo, nublado, com tendência a um incremento gradual da nebulosidade e instabilidade. De acordo com os mapas da Meteored, baseados no modelo ECMWF, os aguaceiros, potencialmente acompanhados de trovoada, poderão inicialmente desenrolar-se no interior das regiões Centro e Sul, podendo posteriormente deslocar-se para nor-nordeste, rumando ao interior das regiões Centro e Norte.

No sábado, 3 de outubro, os primeiros sinais sugerem que a instabilidade surgirá inicialmente no Sul e Centro do país, espalhando-se posteriormente para o Norte.
No sábado, 3 de outubro, os primeiros sinais sugerem que a instabilidade surgirá inicialmente no Sul e Centro do país, espalhando-se posteriormente para o Norte.

Embora a instabilidade seja mais provável durante a tarde de sábado (3), é possível que nalguns locais já surjam aguaceiros na madrugada e manhã. É importante ainda referir que algumas células podem vir a alcançar zonas do litoral e relativamente próximas ao oceano.

Há uma gota fria a caminho de Portugal: o que é, como se formará e datas a reter

Analisando as cartas sinópticas dos dois principais modelos meteorológicos à escala global disponíveis na Meteored - Europeu (ECMWF) e Americano (GFS) - percebe-se que continuam ambos a prever a possibilidade de formação da primeira depressão isolada em altitude potencialmente relevante deste outono entre domingo e terça-feira, dias 4 e 6 de outubro.

Por outras palavras, para essas datas, prevê-se que se forme sobre o Atlântico e a oeste de Portugal continental uma gota fria - sistema depressionário originado a partir de uma 'língua' de ar frio que se desprende do jato polar e, que pode evoluir para uma circulação algo mais organizada, com um núcleo de ar frio, mais ou menos fechado e isolado em altitude.

De momento, tanto sábado, como segunda, dias 3 e 5 de outubro, parecem ser as datas onde existe um maior potencial para a ocorrência de descargas elétricas atmosféricas.
De momento, tanto sábado, como segunda, dias 3 e 5 de outubro, parecem ser as datas onde existe um maior potencial para a ocorrência de descargas elétricas atmosféricas.

O contraste do ar frio em altitude, aprisionado no núcleo da depressão isolada, com o ar relativamente quente à superfície é o mecanismo termodinâmico que acarreta o potencial para desencadear a formação de nuvens e células convectivas de forte desenvolvimento vertical e trovoadas mais fortes.

Nas zonas potencialmente mais afetadas, os efeitos previstos são aguaceiros, por vezes fortes, com granizo e acompanhados de trovoadas, que poderão ser intensas em alguns locais.

É bem provável que a previsão de chuva acumulada sofra alterações significativas. Porém, os primeiros sinais presentes nos mapas sugerem que é no Norte e Centro onde tenderá a chover mais.
É bem provável que a previsão de chuva acumulada sofra alterações significativas. Porém, os primeiros sinais presentes nos mapas sugerem que é no Norte e Centro onde tenderá a chover mais.

Fruto da natureza caótica deste tipo de centros de baixas pressões, gerada essencialmente pela trajetória altamente incerta que estes sistemas assumem, torna-se muito difícil para os modelos a tarefa de localizar as zonas potencialmente mais expostas aos fenómenos convectivos, bem como de determinar com precisão a intensidade e distribuição da precipitação e da atividade elétrica possivelmente associada.

As temperaturas ainda se apresentam relativamente quentes à superfície, e o contraste das mesmas com o ar mais frio em altitude pode potenciar a génese de nuvens de forte desenvolvimento vertical, capazes de descarregar aguaceiros, por vezes sob a forma de granizo, e frequentemente acompanhados de descargas elétricas atmosféricas (trovoada).
As temperaturas ainda se apresentam relativamente quentes à superfície, e o contraste das mesmas com o ar mais frio em altitude pode potenciar a génese de nuvens de forte desenvolvimento vertical, capazes de descarregar aguaceiros, por vezes sob a forma de granizo, e frequentemente acompanhados de descargas elétricas atmosféricas (trovoada).

Tendo isto em conta, tanto os acumulados de precipitação, como as descargas elétricas atmosféricas assumem uma distribuição bastante irregular, pelo que a cada saída dos modelos, os valores projetados alteram-se significativamente.

Possível evolução da gota fria entre domingo e terça, efeitos previstos e zonas potencialmente mais expostas

No domingo (4) prevê-se novamente céu muito nublado. Tal como referido em previsões anteriormente lançadas pela Meteored Portugal, e já com a gota fria perfeitamente visível nos mapas a aproximadamente 5500 metros de altitude, a probabilidade de instabilidade será novamente mais elevada durante a tarde, período em que se poderão desencadear aguaceiros, potencialmente acompanhados de trovoada, no interior das regiões Norte e Centro. Isso, no entanto, não exclui a possibilidade de aguaceiros matinais dispersos.

Quanto a segunda-feira, 5 de outubro, o modelo europeu continua a antecipar a probabilidade de este ser um dos dias mais condicionados pela instabilidade atmosférica. De momento, os nossos mapas intuem a possibilidade de aguaceiros e trovoadas, com maior probabilidade de ocorrência nas Regiões Norte e Centro, embora possam surgir também em algumas zonas do Alentejo.

Por fim, importa ainda acrescentar que, para terça-feira, dia 6, o ambiente poderá manter-se propício à ocorrência de precipitação no país, com os mapas a anteciparem uma probabilidade mais elevada para as Regiões Norte e Centro.