Portugal e Galiza unem esforços para levar o rio Minho à Reserva da Biosfera da UNESCO
Projeto financiado por fundos europeus visa conciliar proteção ecológica, desenvolvimento local e atividades tradicionais num território partilhado por dois países.

O rio Minho separa Portugal e Espanha, mas também liga comunidades, paisagens e modos de vida construídos ao longo de séculos. É essa relação entre natureza e população que um conjunto de entidades de ambos os lados da fronteira quer valorizar na futura Reserva da Biosfera reconhecida pela UNESCO.
Liderada pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, a iniciativa reúne 16 entidades portuguesas e galegas e conta com um investimento de cerca de um milhão de euros, cofinanciado em 75% por fundos europeus. O calendário do projeto estende-se até ao final de 2028.

A área em estudo acompanha o troço internacional do rio, desde a foz, em Caminha, até Melgaço, na margem portuguesa. O intuito é valorizar não apenas o curso de água, mas também a paisagem e as comunidades locais. Para o AECT Rio Minho, o reconhecimento internacional poderá ajudar a atrair novos projetos para a região.
Um património natural partilhado
O território reúne zonas húmidas, matas ripícolas e habitats fluviais importantes para a fauna e a flora autóctones. A sua ligação a corredores ecológicos e a outras áreas protegidas reforça o valor ambiental de uma paisagem que não termina na fronteira administrativa.
A riqueza natural, porém, enfrenta ameaças, como a proliferação de plantas aquáticas invasoras e a acumulação de areias e lodos que dificultam a navegação. As barragens, a concentração sazonal de embarcações de recreio e algumas pressões sobre a pesca também exigem respostas coordenadas.
Proteger sem afastar as comunidades
A proposta procura reconhecer a relação histórica entre as populações e o rio, incluindo a pesca artesanal, a agricultura tradicional das margens, o património construído e o turismo de natureza sustentável.
A candidatura está alinhada com a Estratégia do Rio Minho Transfronteiriço 2030, que defende uma gestão mais sustentável dos recursos naturais e respostas conjuntas às alterações climáticas. Entre as prioridades estão a recuperação ambiental, a valorização das atividades produtivas locais e a cooperação entre as entidades dos dois países.
Uma candidatura construída em conjunto
O processo prevê envolver autarquias, investigadores, agentes económicos, associações e habitantes. A participação pública deverá ajudar a identificar necessidades locais e a definir prioridades comuns, em vez de limitar a iniciativa a uma classificação ambiental.

O desafio estará, no fundo, em transformar essa colaboração em medidas concretas, capazes de proteger os ecossistemas sem ignorar as atividades das quais as comunidades dependem.
A harmonização de critérios de gestão, a articulação das infraestruturas verdes e a mitigação dos efeitos das alterações climáticas exigem continuidade e compromisso de ambas as margens.

A criação da Reserva da Biosfera do Minho Transfronteiriço é um objetivo em construção. O caminho para o alcançar exige provar que a conservação da natureza caminha lado a lado com a valorização do património e do bem-estar dos residentes do vale. É esta ambição partilhada que se encontra agora em fase de planeamento.
Referências da notícia
AECT Rio Minho. ECOFRONT_MINHO brings together institutions, experts and communities in Valença and Tui to advance towards a future Rio Minho Transboundary Biosphere Reserve.
AECT Rio Minho. Estratégia 2030 para o Rio Minho Transfronteiriço.