Ondas de calor na Europa em 2018. Qual a causa?

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a crescente frequência e intensidade das ondas de calor está entre os efeitos mais evidentes e bem documentados da mudança climática.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 05 Jan. 2019 - 11:20 UTC
Ondas de calor excecionais afetaram a Europa em 2018.

Segundo o IPCC uma grande parte das áreas terrestres do globo já sofreu um aquecimento significativo de temperaturas extremas máximas desde 1950.

De acordo com estudos publicados de conhecidos investigadores do clima, designadamente Noah Diffenbaugh, da Universidade de Stanford e Michael Wehner do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, mostram que uma mudança relativamente pequena na temperatura média da superfície do globo, cerca de 1 °C, no século passado aumentou drasticamente a probabilidade de ocorrerem eventos extremos de calor em cerca de 20 a 50 vezes.

Na primavera e verão de 2018 ocorreram na Europa ondas de calor muito intensas e durante períodos prolongados. Estes períodos de clima excecionalmente quente levou a temperaturas recordes, secas e incêndios florestais em muitas regiões da Europa.

Os países nórdicos foram os países mais afetados da Europa com ocorrência de ondas de calor com fortes impactos socio-económicos, com seca e ocorrência de incêndios florestais.

Incêndios florestais de grandes proporções deflagraram em muitas regiões da Europa, em particular nos países nórdicos

No ano de 2018 alguns países da Europa tiveram de recorrer à ajuda da União Europeia (UE), através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, para combater os múltiplos incêndios florestais que levaram à evacuação de populações nas áreas de maior risco. Além dos países nórdicos há a destacar outros países onde se registaram ondas de calor excecionais em 2018, tais como, a Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Irlanda, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suiça.

Influência da corrente de jato

As ondas de calor que afetaram a Europa são parte de um aquecimento da atmosfera que afetou em particular o hemisfério norte durante a primavera e verão de 2018. As ondas de calor ocorrem em situações meteorológicas de anticiclones de bloqueio. Zonas de alta pressão atmosférica que permanecem durante um período relativamente prolongado na mesma região com condições de estabilidade atmosférica a todos os níveis da atmosfera e que durante o verão dão origem a massas de ar muito quente à superfície.

Um dos fatores que contribuiu para esse aquecimento excecional, para a ocorrência de anticiclones e estabilidade atmosférica, foi a intensidade da corrente de jato – uma região de ventos muito fortes na alta atmosfera, cinco a onze quilometros acima da superfície da Terra, que sopram de oeste para leste.

As correntes de jato são importantes no tempo que se faz sentir à superfície. Muitas tempestados estão associadas a correntes de jato muito intensas mas por outro lado quando estas são fracas, áreas de alta pressão atmosférica permanecem por longos períodos na mesma região, com condições de estabilidade atmosférica a todos os níveis da atmosfera.

Corrente de jato e aquecimento global

Para muitos investigadores uma causa possível para a corrente de jato ter sido fraca está relacionada com o aquecimento global. Nas regiões polares, a temperatura média da superfície está a aumentar mais rapidamente do que nas latitudes médias, fenómeno designado por amplificação polar. Uma forte amplificação polar reduz a intensidade e altera o padrão da corrente de jato, produzindo padrões como os que ocorreram durante as ondas de calor de 2018.

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