Oeiras Experimenta abre a investigação agrícola à comunidade para enfrentar a seca e o calor
Na Quinta de Cima do Marquês de Pombal, voluntários semeiam, acompanham o crescimento das plantas e recolhem amostras usadas em estudos sobre a resistência das culturas.

A manhã começa entre parcelas experimentais na Quinta de Cima do Marquês de Pombal, em Oeiras. Há sementeiras para acompanhar, equipamentos para verificar e amostras para recolher.
Enquanto alguns participantes observam o desenvolvimento das plantas, outros ajudam na manutenção dos ensaios ou no registo de dados. Parte do trabalho prossegue, mais tarde, em laboratório, onde grãos e outras amostras são separados, analisados e catalogados.
A atividade faz parte do Oeiras Experimenta, um laboratório vivo criado em 2024 pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa (ITQB NOVA) e pelo Município de Oeiras, no âmbito do programa Ciência + Cidadã.

O intuito é responder a alguns dos desafios mais relevantes para a agricultura portuguesa. Quais culturas resistem melhor à escassez de água? Como reduzir o impacto das doenças nas plantas? Será possível produzir alimentos utilizando menos recursos? Para encontrar respostas, investigadores e cidadãos trabalham lado a lado nos campos experimentais da quinta.
Cinco laboratórios, um objetivo comum
Instalado na Quinta de Cima, o projeto reúne cinco laboratórios do ITQB NOVA e 15 investigadores. Embora estudem culturas e problemas distintos, todas as equipas desenvolvem conhecimento que ajuda a agricultura a adaptar-se às alterações climáticas e a tornar-se mais sustentável.
Uma das linhas de investigação centra-se na identificação de culturas mais resilientes à seca e ao calor. O Laboratório de Ecofisiologia e Metabolismo de Plantas (PEML) estuda cereais e espécies alternativas, como o sorgo, o milheto, a quinoa e variedades antigas de trigo, visando compreender quais apresentam melhor desempenho sob estresse hídrico.

A mesma preocupação orienta o trabalho do Laboratório de Genética e Genómica das Características Complexas de Plantas (PlantX), que investiga leguminosas como o chícharo, o tremoço e o feijão. Os investigadores procuram identificar as características que permitem a estas plantas desenvolver-se com menor disponibilidade de água.
Outra equipa acompanha diferentes variedades de arroz cultivadas em condições distintas. O Laboratório de Regulação do Proteoma em Plantas (PRP) pretende investigar se é possível reduzir o consumo de água associado a esta cultura sem comprometer a produtividade, uma questão particularmente relevante num país sujeito a períodos recorrentes de seca.
Novas equipas ampliam o campo de investigação
O projeto alargou este ano a sua atividade com a integração de duas novas equipas, reforçando a diversidade de temas estudados. O Laboratório de Genómica Funcional de Plantas (GPlants) dedica-se à resistência da pereira-rocha ao fogo bacteriano, uma doença que representa uma ameaça para uma das variedades de fruta mais emblemáticas do país.
Já o Laboratório de Micologia Ambiental e Aplicada (AEM) explora estratégias sustentáveis para prevenir doenças agrícolas e investiga formas de valorizar resíduos da produção de tomate.
Em conjunto, estas linhas de investigação abordam desafios que vão da gestão da água à proteção fitossanitária, passando pela valorização de subprodutos agrícolas. Os resultados poderão contribuir para identificar as variedades mais resistentes e as práticas de baixo impacto ambiental.
Os cidadãos entram no processo científico
A participação da comunidade é um dos elementos distintivos do Oeiras Experimenta. Os voluntários não assumem apenas um papel de observadores. Colaboram diretamente em várias fases dos trabalhos de investigação, sempre com o acompanhamento das equipas científicas.
Esta colaboração reforça a capacidade de recolha de dados no terreno e permite acompanhar os ensaios de forma mais próxima e contínua. Ao mesmo tempo, oferece aos participantes uma experiência direta com os métodos, as questões e os desafios que fazem parte da investigação científica.
O envolvimento dos voluntários estende-se também à preparação de materiais pedagógicos, receitas sustentáveis e iniciativas dirigidas à comunidade.
Como participar no Oeiras Experimenta
A participação está aberta a qualquer pessoa interessada, sem necessidade de formação científica prévia. Os interessados podem preencher o formulário disponibilizado pelo ITQB NOVA para integrar a bolsa de voluntários e serem contactados para futuras atividades.
À medida que as secas e as temperaturas extremas se tornam mais frequentes, a adaptação da produção alimentar depende tanto do conhecimento científico como da capacidade de o partilhar.

No Oeiras Experimenta, investigadores e cidadãos contribuem para esse objetivo comum, transformando os campos experimentais num laboratório aberto onde se procuram respostas aos desafios agrícolas das próximas décadas.
Referências da notícia
Município de Oeiras. Experimenta Oeiras continua a crescer.
Faça a sua inscrição para participar no projeto Oeiras Experimenta como cientista cidadão. Carregue no link para aceder ao formulário disponibilizado pelo ITQB NOVA.