Chuva de janeiro reforça reservas hídricas e fevereiro arranca com barragens acima de 80% em grande parte do país

As chuvas de janeiro refletiram-se nas reservas hídricas, com fevereiro a iniciar-se com níveis de armazenamento elevados em Portugal continental, apesar de contrastes regionais.

Albufeira em Portugal continental, elemento-chave do sistema de armazenamento e regulação hídrica, cuja capacidade é fortemente condicionada pela variabilidade da precipitação ao longo do inverno hidrológico.
Albufeira em Portugal continental, elemento-chave do sistema de armazenamento e regulação hídrica, cuja capacidade é fortemente condicionada pela variabilidade da precipitação ao longo do inverno hidrológico.

As chuvas registadas ao longo do mês de janeiro alteraram de forma significativa o estado das reservas hídricas em Portugal continental, permitindo que fevereiro comece com um cenário claramente mais favorável do que o observado no final de 2025.

Estado do armazenamento nas albufeiras de Portugal continental a 26 de janeiro de 2026, com um volume médio nacional de 87%, segundo dados do SNIRH/APA. Fonte: Agência Portuguesa do Ambiente (APA) / Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH).
Estado do armazenamento nas albufeiras de Portugal continental a 26 de janeiro de 2026, com um volume médio nacional de 87%, segundo dados do SNIRH/APA. Fonte: Agência Portuguesa do Ambiente (APA) / Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH).

Em várias regiões, a resposta das barragens foi visível ao longo de poucas semanas, refletindo a persistência da precipitação desde o início do ano.

Armazenamento médio nacional sobe acima dos 80%

Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, sob responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente, o armazenamento médio nacional situa-se acima dos 80% da capacidade total, quando no final de dezembro se encontrava próximo dos 75%. Atualmente, mais de 75% das albufeiras monitorizadas apresentam volumes superiores a 75–80%, e nenhuma se encontra abaixo dos 40%, afastando cenários de escassez generalizada à escala nacional.

Distribuição do número de albufeiras por classes de enchimento em Portugal continental a 26 de janeiro de 2026, evidenciando o predomínio de níveis superiores a 80% do volume útil. Fonte: SNIRH / APA.
Distribuição do número de albufeiras por classes de enchimento em Portugal continental a 26 de janeiro de 2026, evidenciando o predomínio de níveis superiores a 80% do volume útil. Fonte: SNIRH / APA.

Este reforço resulta não apenas da quantidade total de precipitação, mas sobretudo do seu padrão temporal. Ao longo de janeiro, a passagem sucessiva de sistemas frontais de origem atlântica originou vários dias consecutivos de chuva, com acumulados distribuídos no tempo.

Este padrão esteve associado a uma circulação zonal intensa, com frentes ativas e depressões bem estruturadas, favorecendo uma recarga hidrológica mais eficiente do que episódios curtos e muito intensos. A manutenção deste regime atmosférico durante várias semanas reduziu perdas por escorrência rápida e aumentou a contribuição efetiva para armazenamento.

Norte e Centro lideram a recuperação das reservas

A leitura espacial dos dados evidencia uma recuperação particularmente eficaz nas bacias hidrográficas do Norte e do Centro. Nestas regiões, onde se registaram entre 15 e 25 dias com precipitação mensurável em janeiro, várias albufeiras apresentam níveis de armazenamento superiores a 85%, aproximando-se de valores elevados para esta fase do inverno hidrológico.

No Sul do país, a resposta é mais heterogénea. Apesar da precipitação registada, a sua distribuição espacial foi menos regular, refletindo-se em níveis médios que variam entre 65% e 80% nas bacias do Alentejo e do Algarve, consoante a albufeira. Ainda assim, os valores atuais representam uma subida de 10 a 15 pontos percentuais face ao final de 2025, indicando uma recuperação gradual.

O papel decisivo de fevereiro no ano hidrológico

Fevereiro assume agora um papel decisivo no equilíbrio do ano hidrológico. Estatisticamente, este mês contribui com 20-25% da precipitação anual média em várias bacias do Sul, pelo que a continuidade de chuva moderada será determinante para consolidar os níveis atuais. A monitorização semanal das barragens, em articulação com a análise da circulação atlântica, será essencial para avaliar a sustentabilidade desta recuperação nas próximas semanas.