O modelo europeu muda de versão: entre 20 e 26 de fevereiro haverá NAO+; efeitos em Portugal
Para os próximos 7 dias o modelo Europeu prevê um domínio da NAO+, teleconexão climática que oferece “indícios” sobre o estado do tempo a médio e longo prazo. Quais os efeitos expectáveis para o tempo em Portugal?

A NAO (Oscilação do Atlântico Norte) é uma teleconexão climática, utilizada para a previsão de padrões meteorológicos de médio e longo prazo e uma das que mais influencia o clima português, sobretudo no inverno. A análise a esta teleconexão contém excelentes informações sobre o comportamento da circulação atmosférica, e “indícios” sobre a sua potencial evolução, ou seja, indica-nos a possível movimentação das massas de ar que estão a norte (frias) e a sul (quentes) da corrente de jato polar.
O seu cálculo é bastante simples e consiste na diferença de pressão ao nível do mar entre a depressão da Islândia e o anticiclone dos Açores. O resultado deste cálculo pode resultar numa fase positiva (+) ou negativa (-) e, de acordo com a previsão do modelo europeu, está prestes a tornar-se positiva (sexta-feira, 20 de fevereiro). Algumas vezes a diferença de pressão é elevada, outras vezes não é assim muito robusta. E é esta variação, que é a dita oscilação: a NAO.

Quando a NAO é positiva, tanto o anticiclone dos A��ores como a depressão na Islândia se mostram bastante intensos e o gradiente de pressão entre ambos os sistemas é forte. Esta configuração divide a Europa em duas partes. Por um lado, a Europa setentrional (norte) verifica, por norma, um aumento das tempestades, com precipitação e temperaturas acima da média.
Todavia, o sul da Europa, e especificamente a Península Ibérica, costumam registar uma diminuição da circulação de depressões e frentes associadas, com chuva inferior à média e temperaturas, de um modo geral, superiores aos valores da normal climatológica de referência. Os principais fatores meteorológicos associados a uma NAO positiva (NAO+) nas imediações da nossa geografia são os anticiclones e as massas de ar tropical (marítimo ou continental).
O que esperar do tempo em Portugal entre 20 e 26 de fevereiro?
Neste período de 7 dias a NAO positiva resultará, fundamentalmente, no estado do tempo que é expectável em Portugal quando esta teleconexão climática se impõe: céu limpo ou pouco nublado, com reduzida hipótese de precipitação e temperaturas amenas e com valores diurnos acima da média para a época do ano, com uma grande amplitude térmica diária, também ela típica desta estação.
Tudo isto deve-se ao desvio para latitudes setentrionais da corrente de jato polar que permite ao anticiclone subir em latitude e estender-se até à geografia da Península Ibérica, consolidando a sua influência e arrastando ar mais quente.

Não obstante, esta configuração sinóptica de tempo estável, deverá durar apenas entre sexta-feira (20) e terça-feira (24), pelo menos no que concerne ao elemento climático da precipitação. Isto porque, de acordo com os mapas de referência da Meteored, nas últimas horas de terça (24) e durante os dias de quarta (25) e quinta-feira (26) vislumbra-se uma maior variabilidade de estados do tempo na unidade territorial de Portugal continental, com a passagem de frentes sucessivas (chuva) a intercalar com períodos de abertas (céu parcialmente nublado ou céu limpo).
No caso do período que se estenderá entre o final de terça (24) e durará até quinta (26), uma ondulação mais vincada do jato polar para sul e a apontar na direção da Península Ibérica, permitirá que as depressões das latitudes altas gerem superfícies frontais suficientemente ativas e organizadas para conseguirem ‘intrometer-se’ no ‘escudo’ das altas pressões que, nesses dias, já não estará robusto o suficiente para impedir a ocorrência de chuva em Portugal continental. Quanto às temperaturas, de um modo geral, as máximas deverão baixar e as mínimas subir, evidenciando um padrão típico de mudança do tempo.