Ministro da Agricultura anuncia mais 2.000 novos jovens agricultores instalados. Pedido Único tem de ser “acelerado”

José Manuel Fernandes foi ao Parlamento nesta quarta-feira, 15 de abril, e assumiu que a renovação geracional na agricultura é uma prioridade, sendo “fundamental” mudar a perceção da sociedade em relação ao setor primário da economia.

“Temos 2.000 novos jovens agricultores instalados” em Portugal, afirmou o ministro da Agricultura, esta semana, na Assembleia da República.
“Temos 2.000 novos jovens agricultores instalados” em Portugal, afirmou o ministro da Agricultura, esta semana, na Assembleia da República.

“Temos 2.000 novos jovens agricultores instalados” em Portugal, afirmou esta semana na Assembleia da República o ministro da Agricultura, explicando que está disponível um apoio de 351 milhões de euros do PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027) para apoiar a instalação de jovens agricultores.

Falando aos deputados numa audição parlamentar na comissão de Agricultura, José Manuel Fernandes adiantou que foram aprovadas 820 candidaturas, num total de 222 milhões de euros e que, desses, já foram pagos 527.000 euros.

O governante assumiu que a renovação geracional é uma das prioridades do seu mandato, mas que é também “fundamental” mudar a opinião pública em relação à atividade exercida pelo setor primário da economia. “Não posso aceitar que o agricultor seja visto como um vilão, um poluidor”, disse o governante, acrescentando que se esta perceção não se alterar, os cursos de Agronomia e outros nas universidades e as escolas profissionais de agricultura não vão ter alunos.

O estudo "Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal", apresentado em finais de março pela consultora Consulai, revela que a utilização de mão de obra no setor agrícola caiu drasticamente nos últimos 30 anos - passou de 430 mil trabalhadores a tempo inteiro para 220 mil -, mas a idade idade média dos agricultores subiu de 46 anos, em 1989, para 59 anos, em 2023.

Acelerar candidaturas ao Pedido Único

Já a idade média dos trabalhadores imigrantes que trabalham na agricultura em Portugal é de 33 anos, sendo que quatro em cada 10 dos que operam neste setor já são estrangeiros.

Mais de 40% dos trabalhadores do setor agrícola são estrangeiros, “um peso que quadruplicou desde 2014 e que não tem paralelo em nenhum outro setor da economia portuguesa”, de acordo com o estudo divulgado pela Consulai.

Na audição em que participou nesta quarta-feira na Assembleia da República, José Manuel Fernandes também pediu que se acelere o ritmo de candidaturas ao Pedido Único (PU), que termina em maio e que conta, até agora, com apenas 56.000 candidaturas.

A utilização de mão de obra no setor agrícola caiu drasticamente nos últimos 30 anos e a idade idade média subiu de 46 anos, em 1989, para 59 anos, em 2023.
A utilização de mão de obra no setor agrícola caiu drasticamente nos últimos 30 anos e a idade idade média subiu de 46 anos, em 1989, para 59 anos, em 2023.

No ano passado, a 30 de abril, havia ainda mais de 53% de candidaturas por submeter ao Pedido Único de 2025, tendo em conta o número de candidaturas de 2024. O prazo para a submissão acabou por ser alargado até ao dia 26 de maio de 2025.

“Acaba em 31 de maio o Pedido Único e é essencial, para que não haja nenhuma perturbação [na análise e nos pagamentos], que todos façam as candidaturas, que tiveram início em 16 de fevereiro”, avisou o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, na Assembleia da República, em Lisboa. O Pedido Único abrange os pagamentos diretos, os apoios associados, ecorregimes, desenvolvimento rural, pagamentos da Rede Natura, a manutenção da atividade agrícola em zonas desfavorecidas e as medidas florestais.

O ministro assumiu, ainda assim, que, este ano, o processo até “está a correr muito bem, em comparação com 2025”, revelando que já foram submetidas 56.000 candidaturas. Em todo o caso, é necessário “acelerar o ritmo” para que não haja atrasos nos pagamentos, “que depois seriam da responsabilidade do Governo”.

Passaporte equídeo encurtado para uma semana

Na mesma audição no Parlamento, o secretário de Estado da Agricultura, João Moura, adiantou que o tempo de emissão do passaporte equídeo foi encurtado. Passou a demorar uma semana, abaixo dos três meses inicialmente registados.

“A emissão de um passaporte para estes animais [equídeos] demorava três meses e agora demora uma semana”, garantiu o secretário de Estado da Agricultura no Parlamento.
“A emissão de um passaporte para estes animais [equídeos] demorava três meses e agora demora uma semana”, garantiu o secretário de Estado da Agricultura no Parlamento.

“A emissão de um passaporte para estes animais [equídeos] demorava três meses e agora demora uma semana”, garantiu o secretário de Estado aos deputados da comissão parlamentar de Agricultura.

O Documento de Identificação de Equídeos (DIE), conhecido como passaporte de equídeos, é um documento vitalício, mas que é obrigatório para os animais nascidos em território nacional ou introduzidos na União Europeia.

O registo animal é da responsabilidade da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), mas a emissão dos passaportes está a cargo das associações de criadores, segundo o Ministério da Agricultura.

João Moura adiantou ainda que o Governo decidiu manter o laboratório do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária em Alter do Chão, ressalvando que este tinha “os dias contados” na altura em que o executivo tomou posse.

“Nós fizemos questão de manter este laboratório aberto onde está uma das principais raças autóctones e de onde pôde nascer a escola portuguesa de arte equestre. Sediada no mesmo sítio está ainda a coudelaria mais antiga do mundo”, sublinhou.

O secretário de Estado da Agricultura apontou ainda que o abandono animal não acontece só com as espécies de pequeno porte, mas também com os equídeos.
Assim, o Governo celebrou um protocolo com a Escola Profissional de Mouriscas e com a Universidade Lusófona de Lisboa para combater o abandono.

No âmbito deste protocolo, os animais são examinados no hospital veterinário da Lusófona e depois encaminhados para a escola profissional de Mouriscas, onde são acolhidos e tratados. “Estamos quase com a lotação esgotada e vamos ter de reforçar este modelo de protocolo”, concluiu.

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