"Mesmo que viva a centenas de quilómetros da costa, não está imune": como a subida do nível do mar o afeta no dia a dia

A subida do nível do mar pode parecer um problema distante para quem vive no interior, mas os seus efeitos repercutem-se nos nossos alimentos, bens, abastecimento energético e impostos.

A subida do nível do mar pode parecer um problema distante para quem vive no interior, mas os seus efeitos repercutem-se nos nossos alimentos, bens, abastecimento energético e impostos.
A subida do nível do mar pode parecer um problema distante para quem vive no interior, mas os seus efeitos repercutem-se nos nossos alimentos, bens, abastecimento energético e impostos.

Quando pensamos na subida do nível do mar, costumamos imaginar praias a desaparecer, passeios marítimos a ficarem inundados ou cidades costeiras ameaçadas pela água.

No entanto, as consequências não se limitam à linha costeira. Mesmo que vivamos a centenas de quilómetros do oceano, podemos sentir os seus efeitos em aspetos do dia a dia, desde encher os nossos cestos de compras e receber uma encomenda até pagar as nossas contas de eletricidade.

A subida do nível do mar poderá encarecer os alimentos

Algumas das zonas agrícolas mais produtivas do mundo situam-se em terrenos baixos próximos da costa, onde estão expostas a inundações ou à intrusão de água salgada.

Um exemplo de uma zona agrícola onde isto acontece é The Fens, uma extensa região agrícola no leste de Inglaterra, que abrange Lincolnshire, Cambridgeshire e Norfolk.

As inundações e a intrusão de água salgada podem comprometer a produtividade das terras agrícolas situadas em zonas baixas.
As inundações e a intrusão de água salgada podem comprometer a produtividade das terras agrícolas situadas em zonas baixas.

Esta área representa 48% das melhores terras agrícolas de Inglaterra e contribui com mais de 7% da produção agrícola do Reino Unido.

O problema não afeta apenas os agricultores destas regiões, pois, quando se perde capacidade de produção, aumenta a dependência dos alimentos importados, o que acaba por se refletir nos preços praticados nos supermercados.

Problemas nos portos

Uma grande parte dos produtos que utilizamos percorre milhares de quilómetros antes de chegar às lojas. Cerca de 85% do transporte internacional de mercadorias do Reino Unido, em termos de peso, é efetuado por via marítima.

A nível mundial, mais de 80% do comércio de mercadorias depende também do transporte marítimo.

Grandes navios porta-contentores num porto comercial, rodeados por gruas e terminais logísticos.
Grandes navios porta-contentores num porto comercial, rodeados por gruas e terminais logísticos.

Por esta razão, as inundações num terminal portuário podem ter consequências que vão muito além da cidade onde se localiza, mesmo sem que haja uma inundação total.

Uma tempestade costeira que interrompa as ligações portuárias pode atrasar a chegada de mercadorias às fábricas e lojas situadas no interior.

As finanças das famílias também sentiriam o impacto

A energia é outro setor vulnerável, uma vez que as refinarias, os terminais de gás, as instalações de armazenamento e as centrais elétricas se situam, por vezes, perto da costa, onde têm acesso ao transporte marítimo e a infraestruturas estratégicas.

As inundações podem danificar equipamentos elétricos, sistemas de controlo e redes de distribuição. Além disso, a água salgada favorece a corrosão em determinados componentes e pode tornar as reparações mais complicadas, mesmo quando uma central elétrica continua a produzir eletricidade.

Quanto poderá subir o nível do mar entre agora e 2100?

As projeções indicam que a dimensão do problema dependerá, em grande parte, das futuras emissões de gases com efeito de estufa. Se for possível reduzir significativamente as emissões, o nível médio global do mar poderá subir entre 28 e 55 centímetros até 2100.

Em contrapartida, se as emissões se mantiverem a níveis muito elevados, o aumento poderá atingir entre 63 centímetros e um metro.

A subida do nível do mar não é apenas uma ameaça para quem vive junto à praia. Tal como temos vindo a discutir ao longo deste artigo, coloca também à prova as redes que sustentam o nosso quotidiano.