Uma viagem ao coração da fábrica de satélites: o novo Meteosat que vai revolucionar as previsões meteorológicas
A Europa prepara-se para o lançamento do Meteosat mais avançado de sempre, um satélite capaz de detetar trovoadas extremas antes mesmo de estas começarem a formar-se.

À primeira vista, parece uma enorme estrutura revestida de lâminas douradas suspensa sobre uma plataforma metálica, mas dentro dessa complexa maquinaria espacial viaja grande parte do futuro da meteorologia europeia.
O novo Meteosat MTG-I2, pronto para ser lançado este verão a partir da Guiana Francesa, não é apenas mais um satélite, pois trata-se do sistema de observação meteorológica mais avançado já desenvolvido na Europa e um dos mais sofisticados do planeta.
A sua missão será monitorizar continuamente a atmosfera a partir de 36 000 quilómetros de altitude e enviar imagens da Terra com uma rapidez e precisão nunca antes vistas.
Do Meteosat de 1977 à nova geração espacial
O programa Meteosat teve início em 1977, numa época em que observar nuvens a partir do espaço parecia quase ficção científica para grande parte da população europeia.
MTG-I2, the second Meteosat Third Generation Imager, has successfully completed its thermal vacuum test at Thales Alenia Space in Cannes, showing its ready for the extreme temperatures of space.
ESA Earth Observation (@ESA_EO) September 5, 2025
Next steps: solar array integration, vibration testing, and final checks before pic.twitter.com/m1My0JNWOD
Essas primeiras imagens meteorológicas revolucionaram as previsões meteorológicas e mudaram para sempre a forma como compreendemos a atmosfera.
Desde então, cada geração de satélites tem vindo a melhorar, com uma resolução de imagem muito superior, uma velocidade, atualização e precisão fabulosas, às quais se somam um acompanhamento e uma vigilância climática/atmosférica de excelente qualidade.
Um satélite capaz de detetar trovoadas antes mesmo de estas se formarem
A grande inovação do MTG-I2 não reside apenas na qualidade das suas imagens, mas também na velocidade com que observará a atmosfera. Enquanto os Meteosat anteriores atualizavam as imagens a cada 10 ou 15 minutos, o novo sistema poderá gerar imagens da Europa a cada 2,5 minutos.
️ Le second satellite météo Meteosat Third Generation MTG-I2 d'Eumetsat est en intégration finale chez @Thales_Alenia_S () à Cannes.
— Rêves d'Espace (@RevesdEspace) March 23, 2026
Il vient de passer les tests de compatibilité électromagnétique dans cette salle de test compacte. pic.twitter.com/2R1o1h9xrd
Isto permitirá visualizar e analisar o rápido desenvolvimento de tempestades e a formação de supercélulas, as linhas de instabilidade, o crescimento explosivo dos cumulonimbos e todas as mudanças bruscas na atmosfera.
A chave estará na convecção atmosférica
Um dos grandes desafios da previsão meteorológica moderna é antecipar fenómenos convectivos violentos, uma vez que as tempestades mais destrutivas tendem a desenvolver-se muito rapidamente e a análise contínua a cada dois minutos e meio é fundamental para analisar quedas de granizo severas, chuvas torrenciais, raios de grandes dimensões, ventos de furacão e sistemas convectivos explosivos.
Com os novos sensores, os meteorologistas poderão monitorizar os sinais de instabilidade atmosférica quase em tempo real. De acordo com os responsáveis pelo programa, o satélite permitirá observar a evolução das nuvens desde as suas fases iniciais, mesmo antes de gerarem precipitação intensa.
O interior da fábrica espacial de Cannes
Todos os satélites europeus Meteosat nasceram nas instalações aeroespaciais de Cannes, no sul de França, a poucos metros do Mediterrâneo, onde se encontra um complexo com enormes salas limpas onde o ar é totalmente controlado para evitar qualquer contaminação microscópica.
#SGDC #Telespazio #FucinoSpaceCentre em cooperação @Thales_Alenia_S #Cannes gerenciam atividades para colocar satélites #SGDC em órbita pic.twitter.com/uW3fNEDDZz
— Telespazio Brasil (@TelespazioBR) May 4, 2017
As estruturas espaciais, os painéis solares, os sensores ópticos, os sistemas térmicos, as antenas e o equipamento eletrónico são aí montados. Mais de 2.000 pessoas e cerca de 70 empresas europeias estiveram envolvidas no desenvolvimento do MTG-I2 nos últimos quinze anos.
Não perca as últimas notícias da Meteored e desfrute de todo o nosso conteúdo no Google Discover totalmente GRÁTIS
+ Siga a Meteored