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Inundações costeiras: um problema cada vez mais comum?

As inundações das áreas costeiras são um fenómeno cada vez mais frequente. Tendo em conta que até 2050 se espera que a maioria da população mundial se fixe em áreas do litoral podemos estar a falar de um problema realmente sério. Saiba tudo sobre esta temática, connosco!

Cidade de Veneza.
A cidade de Veneza é um dos exemplos mais latentes, no continente europeu, dos impactes das inundações costeiras na dinâmica urbana.

As inundações costeiras ocorrem na presença de uma tempestade ou pela ação da força das marés. Devido ao impacto das mesmas, serão abordadas as inundações relacionadas com a força das marés, nomeadamente a maré-alta, também designada por preia-mar.

Este tipo de inundações é muito frequente nos aglomerados populacionais próximos da linha de costa, tanto no continente americano como no europeu. Só no continente norte americano, no ano de 2019, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), registou um total de mais de 600 inundações deste tipo.

Estamos neste momento numa fase em que as marés são maximizadas pela atração gravitacional da Lua, sendo que o próximo pico será em meados da década de 2030

Um novo estudo, desenvolvido pela NASA e pela Universidade do Havai, indica que já a partir de 2030 as marés-altas vão inundar áreas cada vez maiores da linha de costa, devido à ação das alterações climáticas. A partir de meados dessa década, o aumento dos níveis de cheia vai intensificar-se, devido à conjugação do fator anteriormente mencionado com o ciclo lunar, sendo conhecida a influência da força gravitacional do satélite do planeta Terra nos Oceanos.

Este estudo, publicado na revista científica Nature Climate Change, é pioneiro ao associar os fatores oceânicos com os fatores astronómicos na análise da ocorrência das inundações costeiras.

Consequências das cheias e o efeito da Lua

Apesar de o público geral considerar que as inundações costeiras associadas às marés são, de certa forma, menos problemáticas, os autores do estudo alertam para a falsidade desta constatação. De forma geral, as tempestades movimentam maiores volumes de água, no entanto, as inundações pela força das marés acarretam outros tipos de problemas, a longo prazo.

Daqui a pouco mais de dez anos, algumas áreas costeiras, bem como algumas cidades de grande dimensão, como são exemplo Miami e Honolulu, podem ser inundadas entre dez a quinze vezes por mês. Isto pode ter consequências a nível económico e social, porque impede o funcionamento de empresas, empurrando trabalhadores para o desemprego. Pode ainda ter consequências ambientais, já que a rede de saneamento básico (os efluentes domésticos e até os industriais) podem contaminar as águas costeiras.

A partir de 2035, em algumas áreas podem mesmo verificar-se inundações a cada um ou dois dias. É importante ter em conta a ação da Lua neste processo. Estima-se que um ciclo lunar dure aproximadamente 18.6 anos, com implicações diretas na altura das marés – uma parte do ciclo aumenta as marés, outra parte diminui.

Estamos, neste momento, numa fase em que as marés são maximizadas pela atração gravitacional da Lua, sendo que o próximo pico será em meados da década de 2030. Aí, com o nível médio das águas do mar num valor muito superior, o número de inundações vai ser claramente superior ao que se verifica nos dias de hoje.